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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 23/03/2020

O lançamento do álbum de estreia da dupla está previsto para este ano.

MACTO e a necessidade de se libertarem artisticamente “de algumas grilhetas”

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 23/03/2020
MACTO é o novo projecto que junta as rimas de YOUNGSTUD às batidas de Sensei D.. “Amuse Bouche” é o primeiro single da dupla, que revelou ao Rimas e Batidas ter um álbum pronto para editar nos próximos meses. À primeira vista, a combinação pode parecer estranha mas os mais atentos já puderam atestar a sua legitimidade em “Snatch”, faixa que juntou pela primeira vez os dois criativos mas que entretanto desapareceu do YouTube. A posição adoptada por YOUNGSTUD num passado mais recente tem recaído sobre as ambiências do trap mas quem o acompanha desde o início sabe que fez escola num registo mais tradicional dentro do hip hop. Talvez tenha sido esse o trunfo para que as suas últimas edições sejam mais do que meros bangers “ocos”. A destreza que adquiriu ao tentar envergar por um caminho no qual a palavra tem um grande peso permitiu-lhe dar uma abordagem bem sumarenta em termos de conteúdo às novas sonoridades. Literatura, cinema, referências musicais, noites boémias em Lisboa ou crises existenciais no escuro do seu quarto misturam-se num caldeirão e resultam numa experiência sci-fi alucinogénica. “Amuse Bouche”, o que nos é dado a provar antes do prato principal confeccionado por MACTO, tresanda a esse tipo de cenário, que há um par de anos nos cativou sob o formato de Aversão. Se do rapper de Alverca já sabemos mais ou menos com o que contar, o mesmo não podemos afirmar em relação ao trabalho prestado por Sensei D., cujo propósito neste projecto a quatro mãos é o de se afirmar enquanto produtor “completo”, afastando de vez os rótulos que o ligam exclusivamente ao corte e costura de samples num registo boom bap. YOUNGSTUD garante-nos que o disco de estreia “vai ter um espectro mesmo muito alargado de sonoridades e ritmos”, sendo por isso “Amuse Bouche” uma mera amostra de todo o potencial que a dupla reserva, mas na qual já notamos um Sensei D. fora da sua zona de conforto, que ainda no ano passado ouvimos em The C-Beat-D Tape.

Dado que ambos já têm vindo a construir um percurso sólido a solo, o mais expectável seria vermos este projecto como algo do tipo “YOUNG$TUD x Sensei D.” No entanto decidiram criar algo de raiz, totalmente novo. Porquê MACTO? Macto vem do latim. Significa honrar e glorificar, mas também significa investida, castigo, luta. Acho que espelha um pouco da força revigorada que ambos queremos dar ao que estamos a fazer. E, tendo já ouvido o disco que vamos lançar, acho que assenta que nem uma luva. Como é que chegaram à conclusão de que esta parceria tinha mais para oferecer além de uma ou outra colaboração pontual? MACTO surge da amizade que fomos construindo desde a primeira vez que trabalhámos juntos e vem da nossa necessidade de nos libertarmos um ao outro, como artistas, de algumas grilhetas. No caso do Sensei D., pela urgência de ter mais liberdade a nível estético nas produções dele, algo que ele já queria fazer, não ter que se prender a rótulos e ter um espectro mais alargado de sonoridades. Talvez pelo percurso dele a malta o tenha conotado a um estilo muito vincado de instrumentais e ele é mais do que capaz de explorar outros terrenos e é algo que fez bastante bem no disco que vamos lançar. Para além disso, havia também a urgência por parte dele de criar um projecto que assente num formato que possa ser apresentado ao vivo. Se virmos bem, por mais que ele quisesse, era uma tarefa homérica apresentar por exemplo o Vivificat ao vivo tendo uma carrada de MCs e artistas diferentes no disco, cada um com as suas agendas e projectos, e assim trabalhando só com um MC é mais fácil assumir um projecto como praticável para tocar ao vivo, algo que é uma vontade dos dois. No meu caso, senti uma liberdade muito maior para me focar mais em escrever temas e não me preocupar tanto em conseguir materializar as ideias que tenho em beats, até porque enquanto produtor sinto que ainda tenho bastantes lacunas para conseguir apresentar algo a nível instrumental que seja tão consistente. O Sensei completa isso na perfeição. Eu chego ao estúdio e dou um input de algo que ando a curtir de ouvir, e ele faz exactamente o que eu preciso. É uma sinergia muito fixe. Já nos apresentaram o primeiro tema — “AMUSE BOUCHE” — com o aviso de que este não fará parte do disco que estão a preparar. Relativamente à sonoridade e ao tipo de letra nele registados, como é que descreveriam o resultado desta “amostra”? Este tema é mais para celebrar o nascimento do nosso duo, foi uma malha espontânea, já mostra alguma da aura que vai ter o nosso disco, mas posso dizer que o disco vai ter um espectro mesmo muito alargado de sonoridades e ritmos em comparação com esta malha. Lá está, este “Amuse Bouche” são as entradas antes do prato principal, a ver se criamos alguma expectativa na malta. O que podemos esperar do resto do projecto? O nosso projecto cola muito bem entre faixas e é uma experiência num todo. Nós não gostamos de discos que pareçam uma pasta com “x” de tracks lá dentro, isso até vem uma beca de sermos um bocado cinéfilos e gostarmos da experiência dos filmes, então acho que posso dizer que é tipo um audiomovie, por estar bué coesa a sequência das malhas. Aliás, já é habitual o Sensei fazer esta “ligação” nos seus projectos anteriores. Quanto a sonoridades, também posso dizer que temos um caldeirão de cenas e influências e isso funcionou bué bem porque temos gostos muito idênticos. É sem dúvida um disco de hip hop, mas podem esperar influências desde o boom bap, trap até nu-metal, trip-hop, jazz, enfim, partimos à aventura e emergimos completamente nela. Já sabem se vai ser um álbum/EP? Já tem título definido, data de edição ou convidados à mistura? Vai ser um álbum, editado em LP e CD e nas plataformas digitais. Quanto a datas, a pandemia veio trocar-nos as voltas. Nós estávamos a apontar para Maio, mas agora sinceramente estamos a pensar adiar devido a esta situação… Até lá ainda “dropamos” algumas malhas fora do disco, quiçá até um video já de um dos temas do disco… Quanto a convidados, temos bastante gente a participar no disco, mais a nível de músicos que deram o seu contributo ao tocar os seus instrumentos. Algumas participações vocais para cenas mais melódicas que temos no disco, temos o X-Acto que fez todo o trabalho de cuts que usámos, por exemplo. Quanto a título para o disco ainda estamos a falar sobre isso, já há algumas ideias mas ainda nada final. Mas está pronto!
 
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