YOUNGSTUD sobre a colaboração com Sensei D: “Tinha saudades de sentir aquele arrepio na espinha a ouvir um beat mais old school”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Noss Films

YOUNGSTUD aceitou o convite de Sensei D para rimar num instrumental seu. “Snatch” é o primeiro resultado do trabalho conjunto que não ficará por aqui.

A ligação entre o rapper e o produtor deu-se por intermédio de Maria, produtor e conterrâneo que desempenhou um papel bastante importante na concepção de AVERSÃO, o mais recente EP de YOUNGSTUD. “Já há umas cenas a serem testadas em laboratório”, revelou YOUNGSTUD, antevendo novos lançamentos com o autor de Vivificat.

Em equipa que ganha não se mexe: foi novamente no Noiz Estúdio, sob a batuta de Tayob J., que ocorreram as gravações para “Snatch”. A equipa da Noss Films assina o videoclipe da faixa.

No próximo mês, YOUNGSTUD vai subir ao palco do EKA Palace, em Lisboa, para estrear ao vivo o seu mais recente EP. “Estou a trabalhar para que tenha alguma componente visual/cenográfica a tornar a cena um pouco mais abrangente, mais como uma experiência, tentar ter o ambiente visual de acordo com o universo musical dos meus trabalhos”, antecipou o artista. O evento é de entrada gratuita e está agendado para o dia 13 de Setembro, a partir das 21h30, e vai contar também com DJ sets de Maria, Tayob J. e pretochines.

 



Em primeiro lugar, como é que nasceu esta colaboração com o Sensei D?

Eu já conhecia, obviamente, o trabalho do Sensei D e, por intermédio do Maria, que é amigo dele, acabámos por falar algumas vezes. Depois de lançar o meu EP, estava um dia em casa e ele publicou um pequeno vídeo a fazer este beat — eu disse-lhe logo que a dica estava insana. O Sensei perguntou-me se queria matar a cena e eu nem pensei duas vezes: fomos para estúdio.

Cruzaram-se agora que tens estado a experimentar sonoridades completamente diferentes daquelas às quais o Sensei D nos tem habituado. Era um desejo regressar ao boom bap? Foi fácil a readaptação?

A minha escola foi o boom bap e, embora eu não me catalogue com nenhuma corrente específica do hip hop, porque já fiz o mais variado estilo de sons, tinha saudades de sentir aquele arrepio na espinha a ouvir um beat mais “old school”, a rima pela rima, e foi o que aconteceu com este beat, deu-me aquela fome. Foi fácil porque foi tudo muito natural para mim.

O vídeo faz-nos lembrar o filme Snatch, para o qual o título da faixa também aponta. Veio daí a inspiração para todo esse universo visual e musical?

O build-up do conceito foi uma cena gradual. A ideia central de estarmos caracterizados e do local de filmagens surgiu do Sensei e eu fiquei logo muito entusiasmado com a visão dele. Depois, gradualmente, iam sendo acrescentados certos detalhes quase on the spot mas tudo a fazer muito sentido. Entretanto, já depois de gravar o som e filmar o vídeo, ainda não tinha nome para o tema, mas assim que vi as filmagens aquilo remeteu-me bué para o filme Snatch — para além do tipo de som que ficou, uma cena bué “não aviso cabeças”, sem refrão; Do género: eu tenho aqui rimas, agora apanhem o que conseguirem e ciao. Foi das cenas que me deu mais gozo fazer até hoje.

Esta é uma colaboração espontânea ou estiveram em estúdio mais vezes?

Foi uma cena bastante espontânea mas a ideia é continuarmos a trabalhar a partir daqui. Já há umas cenas a serem testadas em laboratório. Tudo a seu tempo. Mas vão existir mais sons com o Sensei D. Coisas frescas.

Vais apresentar o teu novo EP ao vivo, numa noite recheada de convidados. O que nos podes adiantar sobre a tua actuação? Preparaste alguma manobra especial?

Sim, vai ser o meu concerto mais ambicioso a nível logístico até hoje. Estou a trabalhar para que tenha alguma componente visual/cenográfica a tornar a cena um pouco mais abrangente, mais como uma experiência, tentar ter o ambiente visual de acordo com o universo musical dos meus trabalhos. É ambicioso também no sentido em que vai ser o meu concerto com mais duração até hoje e requer uma preparação extra da minha parte. Também vai ser fixe porque vou levar o Maria como DJ para o meu live e vai acabar por ter uma mecânica diferente. Espero que seja uma noite bonita acima de tudo e que eu e as pessoas que lá estejam passem um bom bocado. Vai ser também uma celebração, daí a minha escolha para os DJs ter recaído em duas pessoas que estiveram envolvidas no meu EP, o Maria e o Tayob J.. Também convidei o pretochines porque o mano traz sempre os sons mais fresh do momento, até fico maluco. Se tudo correr bem, quem for vai sair de lá muito satisfeito. E a entrada é gratuita!

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira