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Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 03/07/2026

Marca redonda para o mais antigo festival de jazz do Algarve.

Loulé Jazz celebra 30 edições com Andy Sheppard, Vardan Ovsepian, Tatiana Parra, Alexi Tuomarila e uma homenagem a Coltrane

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 03/07/2026

O Festival Internacional de Jazz de Loulé regressa à Alcaidaria do Castelo nos dias 24, 25 e 26 de Julho para assinalar a sua 30.ª edição. Com direcção artística de Mário Laginha, o mais antigo festival de jazz do Algarve apresenta este ano seis concertos repartidos por três noites, num programa que cruza nomes de referência do jazz europeu, projectos portugueses e uma homenagem a John Coltrane na ocasião do seu centenário.

A celebração começa, no entanto, antes da chegada do festival ao Castelo. Já a 5 de Julho, próximo domingo, às 18h00, o Parque Municipal de Loulé recebe Concernique, concerto para famílias com entrada gratuita que convida o público a viver a música em formato piquenique. O acordeonista João Palma dará o mote a esta actividade de antecipação da 30.ª edição do Loulé Jazz.

Criado em 1995 por iniciativa da Casa da Cultura de Loulé, o festival construiu ao longo de três décadas uma história rica que inclui memoráveis apresentações de artistas como Pat Metheny, Chick Corea, Herbie Hancock, Brad Mehldau ou Esperanza Spalding. Do lado português, acolheu também figuras centrais de diferentes gerações, de Bernardo Sassetti e Maria João a Carlos Bica e Júlio Resende. Para Mário Laginha, que acompanha artisticamente o festival desde a sua origem, esta longevidade representa uma “bela página da história do Jazz em Portugal”.

A edição de 2026 abre a 24 de Julho com a estreia da nova formação do Trio de Jazz de Loulé. O agrupamento resulta de um concurso nacional lançado pela Câmara Municipal de Loulé, através do Cineteatro Louletano, para escolher um novo trio de piano, contrabaixo e bateria que dê continuidade ao projecto criado em 2016. O júri, presidido por Mário Laginha e composto também por João Paulo Esteves da Silva e Hugo Alves, selecciona os vencedores numa final marcada para 8 de Julho, no Cineteatro Louletano. A apresentação na Alcaidaria do Castelo será o baptismo oficial da nova formação.

A mesma noite conta ainda com o Andy Sheppard Trio, que apresenta em ante-estreia nacional música de um novo disco gravado para a ECM Records e com edição prevista para o Outono de 2026. O saxofonista britânico surge acompanhado pela pianista italiana Rita Marcotulli e pelo contrabaixista francês Michel Benita, num registo produzido por Manfred Eicher e gravado no Auditorio Stelio Molo – RSI, em Lugano. Figura maior do jazz europeu das últimas décadas, Sheppard tem uma discografia publicada por editoras como Blue Note, Verve, Label Bleu e ECM, e colaborou com nomes como Carla Bley, Gil Evans, George Russell, Steve Swallow, Paolo Fresu ou Charlie Haden.

A 25 de Julho, o programa prossegue com o duo formado pelo pianista e compositor arménio Vardan Ovsepian e pela cantora brasileira Tatiana Parra. O projecto Fractal Limit explora uma zona de contacto entre composição e improvisação, cruzando a formação clássica e jazzística de Ovsepian com a abordagem vocal de Parra, uma das vozes mais versáteis da música brasileira contemporânea.

Na mesma noite, o quarteto As Folhas Novas Mudam de Cor revisita a música de António Pinho Vargas, uma das figuras determinantes da história do jazz português. Miguel Meirinhos no piano, José Soares no saxofone alto, Hugo Carvalhais no contrabaixo e Mário Barreiros na bateria propõem uma leitura actual de um repertório que continua a atravessar gerações. O projecto, já apresentado em palcos como Oeiras, Funchal e Lousã, funciona simultaneamente como homenagem e gesto de redescoberta.

O último dia do festival, 26 de Julho, começa com o quarteto do pianista finlandês Alexi Tuomarila. Nascido em Pori em 1974 e formado no Real Conservatório de Bruxelas, Tuomarila afirmou-se como uma das vozes mais consistentes da sua geração no jazz europeu. Ao longo do seu percurso, conquistou distinções internacionais como o Troféu Internacional de Solos de Jazz, no Mónaco, e o Prémio Tremplin de Avignon, tendo também trabalhado durante uma década com o trompetista polaco Tomasz Stańko, com quem gravou para a ECM.

O encerramento caberá ao Quarteto de Ricardo Toscano, que apresenta uma leitura de A Love Supreme no ano em que se assinala o centenário do nascimento de John Coltrane. Gravada em 1964, a suite em quatro partes tornou-se uma das obras centrais da história do jazz moderno, cruzando intensidade espiritual, arquitectura formal e liberdade expressiva. Em Loulé, Toscano assume essa herança ao saxofone alto, acompanhado por Hugo Lobo no piano, Romeu Tristão no contrabaixo e Francesco Ciniglio na bateria.

O Loulé Jazz 2026 decorre nos dias 24, 25 e 26 de Julho, sempre às 21h30, na Alcaidaria do Castelo. Os bilhetes estão disponíveis através da BOL, em formato de passe diário ou passe geral para os três dias. A organização é da Casa da Cultura de Loulé, com alto patrocínio da Câmara Municipal de Loulé.


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