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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 03/07/2026

Um novo ciclo do Coliseu do Porto para dar palco à música emergente da cidade.

João Vieira antes do arranque da Primeira Box: “O Porto tem quase uma coisa de país nórdico”

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 03/07/2026

O Coliseu do Porto guarda na sua arquitectura uma ideia de grandeza: a sala ampla, a memória dos grandes espectáculos, a solenidade popular dos palcos que se impõem à cidade como lugares de celebração colectiva. Mas a música, sobretudo quando ainda procura o seu espaço, raramente começa por pisar esse tipo de palcos. Na verdade, será bem mais natural que comece em salas de ensaio, caves, pequenos clubes, estúdios escondidos, em projectos acolhidos por editoras independentes, que poderemos depois encontrar em pequenas lojas de discos, discutir em conversas de fim de noite, descobrir em cartazes colados à pressa nas paredes da nossa cidade, através de redes de afinidade que vão fazendo circular sons antes de estes encontrarem uma plateia maior. É precisamente nesse intervalo entre a escala íntima da descoberta e a promessa simbólica de um palco maior que nasce o Primeira Box, novo ciclo de concertos do Coliseu do Porto dedicado à música emergente feita por artistas que vivem, ensaiam, gravam e respiram a cidade.

Convidado por Miguel Guedes para assumir a curadoria desta primeira edição, João Vieira pensou o programa como mais do que uma simples sequência de concertos. O músico, DJ, editor, agitador e agora também lojista – alguém que conhece o Porto pelo lado de dentro, pelas suas salas, estúdios, bandas, editoras e pequenas comunidades de resistência – quis desenhar um retrato necessariamente incompleto, mas expressivo, da vitalidade subterrânea da cidade. Em três noites, o Primeira Box reúne Calcutá, EVAYA e Astra Vaga (6 de Julho), Rodrigo 13, Ed e João Não & Lil Noon (21 de Setembro), Summer of Hate, Marquise e Conferência Inferno (12 de Outubro), cruzando electrónica, rock, hip hop, psicadelismo, canção oblíqua e outras zonas de contaminação estética que ajudam a perceber o Porto como território múltiplo, denso, por vezes cinzento, muitas vezes underground, sempre em movimento.

Mais do que procurar uma definição fechada para uma “cena”, João Vieira fala aqui de um ecossistema: editoras como a Lovers & Lollypops, a Saliva Diva ou a Monster Jinx; estúdios como os Arda; espaços como o Stop; salas, lojas, bares, cartazes, públicos em mutação e novas populações que chegam à cidade também à procura de cultura. E fala igualmente das dificuldades de comunicação num tempo dominado por algoritmos, da relação ainda desigual entre Porto e Lisboa, da persistente condição de underdog que tantas vezes moldou a música feita a Norte. O Primeira Box pode ser apenas um ciclo de três noites. Mas, na leitura de João Vieira, é também uma forma de dizer que a música nova da cidade merece ser escutada de perto, antes de ser engolida pelo ruído que a rodeia.



Como é que nasceu este convite para assumires a curadoria do Primeira Box no Coliseu do Porto?

Foi um convite do Miguel Guedes, director do Coliseu do Porto, que resolveu fazer este ciclo chamado Primeira Box. A ideia é transformar o Coliseu numa sala mais pequena: o palco é o mesmo, mas depois a sala tem uma capacidade bastante menor, entre as 400 e as 700 pessoas, dependendo de ser sentado ou de pé. Isto permite dar oportunidade a projectos mais emergentes sem que se sintam perdidos numa sala tão ampla, com menos público do que a capacidade normal do Coliseu. A ideia era trazer projectos emergentes do Porto, mas não necessariamente projectos de pessoas que nasceram na cidade. Interessava-me que fossem pessoas que vivem a cidade, que ensaiam aqui, que editam os seus discos aqui, que fazem parte desta comunidade. São três noites, três bandas ou artistas por noite, e tinha de haver diversidade, alguma harmonia no cartaz, oportunidades para projectos um bocadinho mais conhecidos e outros ainda mesmo a começar. Claro que vai ficar sempre muita gente de fora, porque são só nove artistas ou nove bandas, mas houve várias coisas em que pensei quando fiz o cartaz.

Comecemos então pela primeira noite, a 6 de Julho, com Calcutá, EVAYA e Astra Vaga. Que lógica presidiu a essa escolha?

Para mim era importante ter bandas que estão mesmo no activo, não bandas que editaram há três ou quatro anos e estão paradas. Na primeira data temos Calcutá, EVAYA e Astra Vaga. Dois desses projectos editaram este ano, em 2026, e a EVAYA editou no ano passado. São artistas ligados também a pequenas editoras, e isso era uma coisa importante para mim: integrar editoras do Porto neste ciclo. Temos aqui a Lovers & Lollypops, a Saliva Diva, a Monster Jinx, umas mais ligadas ao rock alternativo, outras mais viradas para o hip hop ou para o jazz, como é o caso da Monster Jinx. A Astra Vaga e a Calcutá têm edições este ano, e a EVAYA teve uma participação no Festival da Canção no ano passado. É uma artista que vive no Porto, não sendo do Porto, e isso também é interessante, porque há cada vez mais gente que opta por viver aqui. O caso da Calcutá, por exemplo, que penso que é de Lisboa, mostra isso. Durante muito tempo pensávamos mais em bandas do Porto que iam para Lisboa — eu próprio tenho esse caso do Rui Maia, que está em Lisboa há mais de dez anos, ou o caso do Legendary Tigerman, que saiu de Coimbra para Lisboa —, mas agora também se começa a ver o contrário, artistas que não são do Porto mas que estão a vir para cá. A ideia foi ter essas três propostas na primeira noite da Primeira Box. São projectos que estão a começar: o primeiro álbum da Astra Vaga, o primeiro álbum da Calcutá, e a EVAYA também só tem um álbum. Por coincidência, dois desses artistas gravaram os álbuns de estreia nos estúdios Arda, onde eu também já gravei e onde já tive o meu estúdio, em Campanhã. Tentei que houvesse essa sintonia e essa sinergia entre editoras, estúdios, artistas e a cidade.

Ou seja, para ti era fundamental que este ciclo não mostrasse apenas bandas, mas também um ecossistema?

Exactamente. Quando me falaram para fazer a curadoria, os elementos-chave eram projectos emergentes e projectos da cidade. E quando digo bandas estou sempre a falar de bandas ou artistas, claro. Pensei sempre nisso tudo: nas salas, nos estúdios, nas editoras, nas salas de espectáculos, nas salas de ensaio. Há uma comunidade muito grande no Porto, de muita gente que se conhece, que partilha coisas, e também muitas salas de espectáculos com excelentes condições, embora às vezes as pessoas pensem que não. Eu próprio já toquei muito no Porto, já toquei em quase todas as salas da cidade. E esta é também uma oportunidade para chegar a novos públicos. O preço do bilhete é simbólico: cinco euros para ver três bandas. As bandas vão tocar entre 30 e 35 minutos, por isso também não há aqui uma hierarquia. Claro que têm de tocar por uma determinada ordem, mas isso foi pensado em função da dinâmica de cada noite: bandas mais calmas ou mais ambientais a abrir, bandas mais festivas a fechar. Na primeira noite, a Calcutá abre com uma coisa mais densa, mais ambiental, com aquele fôlego; depois passamos para a EVAYA, mais na onda da electrónica; e fechamos com a Astra Vaga, que tem um lado mais festivo.

A segunda noite será dedicada ao hip hop. Era impossível deixar essa linguagem fora de um retrato da música emergente do Porto?

Acho que sim. A segunda noite é virada para o hip hop porque o hip hop não podia ficar fora, realmente. As novas gerações são muito mais viradas para o hip hop. Eu lido com jovens de 20, 21, 22, 23 anos, e mesmo com miúdos mais novos, e percebe-se que o hip hop tinha de estar presente, sobretudo porque também se faz muito hip hop no Porto. Houve aqui um processo de investigação e de procura para que, mesmo dentro do hip hop, houvesse coisas diferentes, para não serem artistas todos muito semelhantes. Interessava-me que tivessem alguma ligação à cidade, mas também características que os diferenciassem uns dos outros. Temos o Rodrigo 13, que editou dois singles e vai editar um terceiro pouco antes do espectáculo. Está numa fase muito inicial, mas tem muito potencial. Temos o Ed, que tem uma vertente que achei interessante: é um hip hop com raízes na música portuguesa, uma coisa mais cantada, mais virada para a guitarra portuguesa. E depois temos o João Não, com Lil Noon, que já é um artista com outro público, já toca em queimas e tem uma coisa mais festiva, mais próxima do hip hop que se está a fazer agora. Acho que ele vai atrair muita gente, e isso também permite dar oportunidade a artistas que estão ainda a começar.

E a terceira noite fecha o ciclo com Conferência Inferno, Marquise e Summer of Hate. Aí já estamos perante projectos um pouco mais consolidados?

Sim, na terceira noite já estamos a falar de bandas um bocadinho mais consolidadas, mas isso também foi pensado e articulado com o Miguel Guedes. Temos Conferência Inferno e Marquise, que são bandas emergentes e novas, mas que já têm público. Para abrir, temos Summer of Hate, uma banda mais psicadélica, mais shoegaze, com um lado diferente. Mas são tudo bandas muito do Porto. A própria Marquise está ligada à Saliva Diva, a Lovers & Lollypops também está representada e é uma editora muito importante na cidade, não só como editora, mas também como programadora de festivais e agora com o seu próprio espaço, onde fazem concertos. Depois também era importante incluir outras dimensões da cidade, como o Stop, onde muitas bandas ensaiam. Houve uma data de elementos que foram considerados para construir o cartaz e que era importante estarem aqui agregados, uma vez que o elemento-chave era esse: projectos da cidade.

Quiseste então apresentar um retrato do Porto enquanto cidade culturalmente muito diversa e múltipla?

Sim, mas lá está: são nove artistas ou nove bandas. Vai ficar sempre muita gente de fora. Se houver outras edições, claro que haverá espaço para mais bandas. Não sei se, nesse caso, serei eu a fazer a curadoria ou se serão outras pessoas, mas há muitos projectos que poderiam ter entrado perfeitamente. A curadoria é isso: tanto eleger o que entra como eleger o que não entra.

Essa possibilidade de continuidade foi discutida?

Foi discutida e, aliás, no press release fala-se que haverá uma continuidade no próximo ano e no ano seguinte. Agora, não sei em que condições, não sei se com o mesmo número de bandas, não sei quem fará a curadoria. Neste momento, o que temos são estas três edições. O convite que me foi feito foi para estas três sessões. Acho que ficaram satisfeitos com o trabalho, e eu também estou satisfeito. Todas estas escolhas foram sempre faladas com o Miguel antes de serem fechadas, e chegámos a um cartaz que nos pareceu equilibrado, com vários géneros musicais e projectos realmente emergentes. Houve esse cuidado. Também havia muitas bandas que ficaram de fora porque já têm outro calibre, já estão noutro patamar.

E em termos de condições, houve também a preocupação de tratar todos os projectos da mesma forma?

Sim. Há um cachê igual para todos os artistas, sejam cinco em palco, sejam dois ou três, tenham dois álbuns editados ou apenas um, estejam a tocar muito ou pouco. O cachê é igual para todos. É um cachê chave na mão, que inclui as possibilidades técnicas e de equipamento na sala. Todos têm as mesmas condições. Se quiserem trazer os seus técnicos de som ou de vídeo, podem fazê-lo. Há essa possibilidade. Como são bandas e artistas da cidade, à partida não terão grandes despesas de deslocação ou alojamento. Podem ir jantar a casa e dormir em casa. Mas é um cachê simpático. Simbólico, mas simpático, e não está dependente da venda de bilhetes. O bilhete custa cinco euros para ver três bandas no Porto, e acho que é um preço bastante razoável. Também concordo que se deve cobrar qualquer coisa, nem que seja simbólica, em vez de ser gratuito. É um valor muito baixo, mas estabelece uma relação.

Que público esperas encontrar nestas três noites? Um público transversal ou públicos diferentes consoante cada sessão?

Acho que o público mais diferenciado será o da segunda noite, a noite de hip hop. Não sei se o público de hip hop vai ver as outras bandas. Pode ir por curiosidade, ou porque conhece alguém que vai tocar, mas acho que o público de hip hop é mais fechado em termos de ir ver bandas de guitarras ou coisas mais experimentais. É um público muito virado para o seu som. A primeira e a terceira noite são mais próximas. Aí há públicos em comum. Quem vai ver Calcutá pode também ir ver Conferência Inferno ou Marquise. São pessoas que se conhecem, que já colaboraram umas com as outras. É uma comunidade. O Porto é uma cidade relativamente pequena, as pessoas conhecem-se todas. Mas acho que também vai haver muitos curiosos, muita gente que quer perceber o que se está a fazer no Porto. O preço simbólico ajuda. Mesmo que as pessoas comprem com antecedência e depois decidam mais em cima se vão ou não, acho que haverá sempre um público transversal. Mas a noite de hip hop será diferente, provavelmente com uma camada muito mais jovem. O público de hip hop é sobretudo a miudagem, e é importante perceber onde é que essas pessoas ouvem música, como é que a música circula em termos de streaming e onde está o público desses artistas.

Há dez anos talvez esta pergunta não se colocasse da mesma forma, mas o Porto mudou muito, como Lisboa e outras cidades do litoral. O tecido populacional alterou-se, há muitos novos residentes estrangeiros. Achas que uma programação como esta também pode despertar a curiosidade dessas pessoas?

Acho que sim. Falando por mim, e tendo agora uma loja de discos no centro do Porto, que vai fazer um ano, passa por aqui muito estrangeiro. Muito estrangeiro que vive cá e muito estrangeiro que está cá de férias. Os que vivem cá estão sempre à procura e perguntam muito o que é que está a acontecer, que concertos podem ir ver, onde podem sair à noite, que bares há para ouvir este tipo de música. Há muito interesse. Estou perto de Cedofeita e há muitos estrangeiros a viver aqui, muitos a tentar encontrar o seu espaço cultural na cidade. Passam na loja, perguntam, fotografam os posters que tenho de eventos. Noto que há muito interesse em saber o que se passa. Eu próprio fui imigrante, vivi em Londres, e quando lá vivia estava sempre à procura de cartazes, de posters, da Time Out, de concertos, de novas cenas em Camden, de novas bandas. Quem vem de fora às vezes vem mais com essa vontade de cultura do que quem já está enraizado na cidade há muito tempo. Quando chegas a uma cidade nova, queres procurar cultura, queres fazer coisas novas. Acho isso importante. Mas também é muito importante a forma como se comunica. A informação tem de chegar às pessoas. O que noto hoje em dia é que, de forma um pouco irónica, a informação antigamente chegava a mais gente do que hoje. Hoje há muita dispersão. A cidade não é assim tão grande, mas há muitos eventos. O Porto tem uma loucura de coisas a acontecer: muitos DJs, muitos bares, concertos pequenos, workshops, coisas sempre a acontecer. E as pessoas dispersam. Às vezes também não valorizam tanto porque pensam: não vou agora, vou para a semana, porque para a semana há outra coisa. Há sempre coisas.

E as redes sociais não resolvem esse problema?

Não resolvem sozinhas. Acho que a comunicação continua a funcionar quando há cartazes na cidade, mupis, posters, entrevistas, televisão, rádio. As redes sociais são mais uma forma de comunicar, mas não são a única. Passam ao lado de muita gente, e às vezes aquilo nem chega às pessoas por causa dos algoritmos. Eu falo por mim próprio, nos meus projectos todos: se uma pessoa está dependente só do Instagram, não vai dar. É derrotada pelo algoritmo. Dou-te um exemplo: outro dia, o Father John Misty tocou no Coliseu do Porto e eu nem soube. E eu sou uma pessoa atenta e activa, tenho várias contas de Instagram para os meus projectos todos, procuro coisas, chega-me muita informação. De repente há um concerto de um artista de que eu gosto no Porto e eu não sabia. Isso faz-nos pensar no que está a acontecer. Há 20 anos, era impossível eu não saber disso. Também já não se lêem tantos jornais como antigamente, e os jornais eram importantes. Por isso acho que é preciso continuar a fazer promoção tradicional, entrevistas, rádio, televisão, tudo. Não se pode depender apenas das redes sociais.

Falaste há pouco da tua experiência em Londres. Também conheces bem Lisboa, Braga e outras cidades. O que distingue hoje o Porto enquanto cena musical? Onde é que sentes uma identidade própria?

Falo muito nisso, até aqui na loja, quando as pessoas me perguntam sobre música portuguesa. Acho que Porto e Lisboa são quase dois países diferentes em termos musicais. A música que se faz em Lisboa tem muitas raízes africanas, claro. Há muitas bandas e editoras que saem de Lisboa, como a Príncipe, ou artistas como Buraka Som Sistema, Branko e outros, que têm raízes e influências muito diferentes daquilo que se faz aqui. Não estou a imaginar uns Buraka Som Sistema a sair do Porto, nem uma editora como a Príncipe aqui. Acho que no Porto temos quase uma coisa de país nórdico: coisas um bocadinho mais densas, menos pop, mais underground. Há aqui uma cultura de nicho muito grande. Vê-se também nas editoras que vieram de redor, por exemplo muito pessoal de Barcelos que agora está baseado no Porto e que é importante na cidade porque dá oportunidade a muitos projectos emergentes. Temos bandas como Sereias, ou bandas mais punk como as Cavala. Acho que isto é muito Porto. Em Lisboa também se vê isso, mas é diferente. Aqui as coisas têm um lado um pouco mais negro. Não sei se é por ser uma cidade mais fria — não nas pessoas, mas no clima. Acho que o clima é muito importante na forma como se faz música. Vês os países africanos e o tipo de música que fazem, e depois vês os países nórdicos. O clima pesa. Uma cidade mais cinzenta e mais chuvosa como o Porto talvez nos leve para outras coisas. E depois há também essa sensação de underdog em relação à capital. Nos últimos anos isso tem sido muito evidente: quando lanças coisas aqui no Porto, tens de ir à capital fazer entrevistas, rádios, televisões, imprensa. Cada vez menos isso se faz no Porto. Há essa coisa de nos sentirmos um bocadinho os underdogs, embora eu tenha uma óptima relação com muitos músicos que vivem em Lisboa e tenha muitos amigos lá na área da música. Mas há uma distinção clara entre aquilo que se faz cá e o que se faz em Lisboa. Parece que não, mas ainda é bastante longe. Durante muito tempo era mais difícil o pessoal de Lisboa vir ao Porto do que o pessoal do Porto ir a Lisboa. Agora menos, mas há uns anos notava muito isso. Muita gente dizia que já não vinha ao Porto há não sei quantos anos. E até com os X-Wife, curiosamente, acho que se calhar tínhamos mais público em Lisboa do que no Porto. Isso também diz qualquer coisa.


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