pub

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 14/04/2026

Uma figura central na redefinição do jazz para os dias de hoje.

Jason Moran traz o presente e o futuro do jazz a Portugal em dois concertos imperdíveis

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 14/04/2026

O pianista e compositor norte-americano Jason Moran regressa a Portugal este Verão para duas atuações que prometem ir muito além do formato tradicional de concerto. O músico sobe ao palco da Casa da Música, no Porto, a 13 de Julho, seguindo depois para o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no dia 14.

Figura central na redefinição do jazz contemporâneo, Moran construiu uma obra que se move entre a performance, a composição, a instalação e a curadoria. Nascido em Houston, Texas, iniciou o seu percurso musical ainda em criança, mas foi já em Nova Iorque, na Manhattan School of Music, que consolidou uma linguagem própria, profundamente informada pela tradição mas orientada para a ruptura.

Essa tensão entre passado e futuro é um dos motores do seu trabalho. Ao longo de mais de duas décadas, Moran tem explorado o jazz como um campo expandido, onde a história da música afro-americana é constantemente reactivada e desafiada. Projetos dedicados a figuras como Thelonious Monk, Fats Waller ou James Reese Europe são exemplo disso mesmo: exercícios de memória que funcionam também como comentários sobre o presente.

A sua discografia, em grande parte editada pela Blue Note Records, reflete essa abordagem inquieta, cruza linguagens e recusa categorizações fáceis. Paralelamente, Moran tem desenvolvido um percurso relevante no cinema e no teatro, colaborando com Ava DuVernay em obras como Selma e 13th, ou levando ao palco textos de Ta-Nehisi Coates.

Mas talvez seja no pensamento que acompanha a sua prática artística que melhor se percebe a sua relevância. Numa entrevista ao Rimas e Batidas, Moran deixava uma reflexão que continua a ecoar no seu trabalho: “Aqui estamos nós em 2023, ainda a pensar no que é a liberdade”. A frase sugere um ponto de partida e apresenta-se como um convite a repensar o papel da música enquanto espaço de questionamento e possibilidade. Esse compromisso estende-se também ao plano institucional. Moran ocupou o cargo de Diretor Artístico de Jazz no Kennedy Center, o que lhe possibilitou abrir o género a novas abordagens e públicos, ao mesmo tempo que manteve uma forte ligação à educação, nomeadamente através do New England Conservatory. Como se sabe, sob a administração Trump, essa importante instituição foi entretanto encerrada, sendo neste momento incerto o seu futuro.

Talvez também por isso, esta vinda de Jason Moran a Portugal neste particular momento histórico se revista de ainda maior importância, já que o músico é conhecido por assinar concertos que desafiam expectativas. Entre improvisação, estrutura e elementos visuais, Moran constrói performances que recusam a ideia de jazz como linguagem fixa, propondo antes um território em constante mutação. Os concertos em Portugal deverão reflectir essa mesma energia com momentos de exploração e intensidade, onde a tradição serve de ponto de partida para novas direções. Em Julho, no Porto e em Lisboa, haverá assim oportunidade de assistir a um dos artistas mais relevantes da actualidade, alguém que não só interpreta a história do jazz, como ajuda a escrevê-la em tempo real.


pub

Últimos da categoria: Curtas

RBTV

Últimos artigos