Casa das Máquinas II: LinnDrum – O Volkswagen de Roger Linn

[TEXTO] Manuel Rodrigues [FOTO] Direitos Reservados

 

Não era qualquer músico que se podia gabar de ter em casa uma Linn LM-1, a revolucionária máquina de Roger Linn que conseguia encapsular sons de baterias reais e usá-los a qualquer hora e lugar. Era uma máquina de elite, não acessível a todos os bolsos. Prova disso são as cerca de 500 unidades que vendeu (recordamos que o preço rondava os $4995). Por essa mesma razão, Linn procurou criar um aparelho que, para além de trazer algumas melhorias ao primeiro modelo, fosse também mais compatível com as carteiras. Assim nasceu a LinnDrum (colocada à venda por $2995).

Tornada pública em 1982, dois anos depois da sua antecessora ter criado um clima de instabilidade no seio dos bateristas, a LinnDrum veio fazer a delícias das bandas que não conseguiam encontrar um elemento à altura para a secção de ritmo, das que tinham e quiseram encontrar um pretexto para o despedir, e ainda daquelas que quiseram juntar o útil ao agradável misturando a orgânica humana com a vertente maquinada. Ao rol de peças de bateria que podíamos encontrar na sua antecessora (ver o primeiro episódio desta rubrica), foram adicionados os sons de crash e ride, totalizando, assim – contando já com o metrónomo –, 15 instrumentos com equalizações, panorâmicas e volumes completamente independentes, bem como saídas individuais para cada um deles.

 


 


Uma das grandes novidades da LinnDrum era possibilitar a troca dos chips internos, os de fábrica, que continham – digamos assim – o pacote por defeito (que também sofreu um incremento na taxa de samplagem de 28khz para 35khz), por outros com novos kits, gravados em estúdio por Roger Linn com bateristas de sessão – há vários artigos na internet que atiram alguns nomes dos seus cúmplices para o ar, mas nenhuma das fontes apresenta certezas sobre o assunto, por isso, para não partimos em suposições, deixamos a incógnita por resolver.

Seguem alguns exemplos de músicas criadas a partir da LinnDrum:


Push It To The Limit”, Giorgio Moroder, (Scarface OST, 1983)

Electric Cafe”, Kraftwerk, (Electric Café, 1986)

Dr. Beat”, Miami Sound Machine, (1984)

Diva”, Jean-Michel Jarre, (Zoolook, 1984)


Houve também um melhoramento na aparência, usabilidade e portabilidade da LinnDrum. O facto de não ser tão pesada e robusta em comparação com a LM-1, permitia que fosse mais fácil transportá-la na hora de partir para a estrada, em concertos e digressões. Para além disso, a máquina já apresentava um layout e interface próximo daquele que actualmente encontramos em qualquer aparelho do género, com os faders e potenciómetros localizados na parte superior e não no painel frontal, facilitando assim a arrumação e manuseamento.

Foram produzidas cerca de cinco mil unidades, entre 1982 e 1985, tendo sido utilizadas por músicos como John Foxx, Prince, Stevie Wonder ou Peter Brown e bandas como Yazoo e Ultravox. Sozinha, a LinnDrum conseguiu vender mais que sua antecessora (LM-1) e sucessora (Linn 9000) juntas, o que a transformou num verdadeiro sucesso de vendas.

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