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Texto: ReB Team
Fotografia: Joana Linda

Editado no primeiro trimestre de 2020, o longa-duração marcou a primeira aventura em nome próprio do vocalista e guitarrista lisboeta.

André Henriques apresenta Cajarana em seis datas pelo território nacional

Texto: ReB Team
Fotografia: Joana Linda

André Henriques vai fazer-se à estrada nos próximos meses: os seis concertos de apresentação de Cajarana, o seu álbum de estreia a solo, decorrem entre Outubro e Dezembro, tirando ainda tempo para uma residência artística em Ponte de Lima, antes do seu concerto por lá, no Teatro Diogo Bernardes, a 14 de Novembro.

Para além da passagem pela vila minhota, há actuações agendadas no Teatro Cinema de Fafe, a 9 de Outubro, Teatro de Vila Real, a 10 de Outubro, Fábrica das Ideias, em Gafanha da Nazaré, a 6 de Novembro, Centro Cultural de Alcains, a 5 de Dezembro, e Capitólio, em Lisboa, a 10 de Dezembro. Ricardo Dias Gomes, Pedro Ferreira e Ivo Costa acompanham o músico lisboeta em palco.

Em Março, Pedro João Santos abordava a prestação digital do membro dos Linda Martini no primeiro do Festival Eu Fico em Casa:

“Quando a indústria telenovelística de Portugal se gaba nacional, não esconde a costela brasileira. Aliás, o maior êxito da década passada foi um remake de Dancin’ Days, novela que incendiou a Globo em 1978. No ano seguinte, não menor foi o sucesso da novela Pai Herói: importada na altura, mas, até ver, nunca recriada. Coube a André Henriques revisitar a história do patriarca André Cajarana, de quem herdou uma alcunha na escola primária. Essa é a mais breve história em Cajarana, disco abarrotado de tramas, traumas e personagens. E só tem tempo de viver no título, porque cada outro milímetro quadrado se reporta a uma narrativa orgânica e vívida. 

Só um exemplo: da fantasia romântica numa bomba de gasolina, nasce uma tragédia:‌ ‘E de Repente’ é o primeiro tema invocado pelas mãos na guitarra acústica, a voz expandida e contraída em voo. Garganta clareada, os olhos para baixo, a face serena absorta no bege da casa. ‘Estou há seis dias em isolamento social’, antecipa Henriques a partir da sala de estar, salvaguardando a família pelo caminho:‌ ‘[Esposa e filhos] estão no quarto ao lado, para não invadirem de forma selvagem o nosso momento.’

Um isolamento do isolamento. Esse primeiro, produto de crise certa, faz com que os egos caiam perante a necessidade primal de segurança. E o que é a família senão a mais delicada batalha de egos, precisamente porque se têm de negar a si mesmos? ‘Uma Casa na Praia’ é esse toca-e-foge com a persona do novo pai que já não pode voltar ao estado original de ser. ‘Tecido Não Tecido’ é jogar às escondidas e perder tantas vezes quanto se ganha.

Henriques bebe duma chávena e sorri. É febril ver este álbum ser tocado do conforto do lar, um cenário que monta e (mais vezes) desmonta em fúria criativa. Como tal, o veredicto é previsível: sem os floreados percussivos (talhe de Ricardo Dias Gomes) que fazem de Cajarana um delírio, o disco descarna-se com o poder visual esperado. Antes de pousar o instrumento, ainda há-de desfilar por ‘Platão Pede um Gin’, ‘As Melhores Canções de Amor’ e ‘De Tudo o que Fugi’. E, claro, envia ‘um abraço aos pais que estão juntos com os seus filhos durante este período de quarentena’.”


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