André Fernandes está habituado a ser convocado para ocupar o centro do palco. Ao longo de mais de duas décadas afirmou-se como um dos guitarristas mais requisitados do jazz português, deixando a sua marca em dezenas de gravações e colaborando com figuras tão distintas como Lee Konitz, Jim Black, Mário Laginha ou Bernardo Sassetti. Mas nos Centauri, projecto que lançou em 2017 com Draco, a lógica sempre foi outra: menos protagonismo solístico, mais atenção à arquitectura da música, às texturas, às tensões subtis entre os instrumentos e à construção de um som colectivo. É precisamente dessa procura que nasce Chroma, quarto capítulo de uma aventura que já passou pelas constelações de Draco, pelo imaginário do folclore português em Dianho e pela mitologia grega de Hades, encontrando agora na cor o seu novo território conceptual. Como o próprio André explica nesta conversa, é talvez o primeiro disco em que sente que os Centauri chegaram finalmente a um som plenamente reconhecível, uma identidade que pertence apenas a esta banda.
A entrevista acontece numa altura particularmente intensa para o guitarrista. Além da edição de Chroma através da editora holandesa Dox Records, André Fernandes continua a assumir o papel de principal dinamizador da Timbuktu, colectivo, estúdio, editora e plataforma criativa que tem procurado afirmar uma visão aberta e transversal da música portuguesa contemporânea. Essa missão ganha expressão este fim-de-semana com a segunda edição do Festival Timbuktu, que ocupa o BOTA Anjos, em Lisboa, nos dias 19 e 20 de Junho. O cartaz volta a reflectir a filosofia sem fronteiras da estrutura, reunindo propostas tão distintas como Mossy Slippy, Fushi, bbb hairdryer, Jery Bidan & Mbye Ebrima, Mazam e Rodrigo Correia, num programa que cruza jazz, rock, pop experimental e música africana.
Foi precisamente a propósito de Chroma que nos sentámos à conversa. Falámos da construção de uma identidade de banda num universo musical frequentemente marcado pela fluidez dos projectos, do processo de composição, da forma como escreve para personalidades concretas e não apenas para instrumentos, da química muito particular que une João Mortágua, José Pedro Coelho, Francisco Brito e João Pereira, e da convicção de que algumas das melhores decisões musicais acontecem quando ninguém está propriamente a tentar tomá-las.
Depois de quatro discos, o que representa Chroma dentro do percurso dos Centauri? Sentes que este álbum cristaliza a identidade da banda?
Acho que sim. A ideia inicial dos Centauri nasceu muito da vontade de ter um papel diferente daquele que normalmente tenho. Na maioria dos meus discos enquanto líder, e também na esmagadora maioria dos discos em que participo como sideman, o meu papel é muito solístico. As pessoas chamam-me para isso. E nos Centauri apetecia-me precisamente o contrário: ser mais um criador de texturas, alguém integrado na secção rítmica e na estrutura da música, contribuindo para o som global da coisa e menos para o papel de solista. Ao mesmo tempo, por causa da guitarra ocupar um lugar central, abriu-se a possibilidade de explorar mais uma parte de mim que sempre existiu, mas que raramente tinha trazido para os meus discos: o lado do rock, e do grunge em particular. Era uma estética que me apetecia muito adaptar a um contexto instrumental. Foi isso que aconteceu logo no primeiro disco. Há ali um cover do Ty Segall, há riffs, há uma série de elementos que vêm claramente desse universo. Esse tornou-se um dos lados dos Centauri e foi aparecendo em todos os discos. O outro lado é quase o oposto. Tem mais a ver com arranjo, com uma música mais flutuante, mais dissonante. Interessa-me muito escrever para os dois sopros e para a guitarra, construir melodias bonitas mas colocá-las em contextos onde existe alguma fricção. Gosto de intervalos que chocam uns com os outros, de vozes que parecem estar em tensão permanente. Esse equilíbrio entre uma componente mais física, mais ligada ao riff e à energia do rock, e outra mais ligada ao arranjo e à cor harmónica, apareceu logo no primeiro disco e foi-se mantendo ao longo do percurso. Neste quarto álbum sinto que isso se sintetizou. O lado mais experimental e de estúdio que existia no Hades desapareceu. O lado mais jazzístico que ainda estava muito presente no primeiro disco também não está aqui de forma tão evidente. Ficaram apenas esses dois mundos. Não foi uma decisão consciente. Não pensei: “Vou fazer um disco assim”. Simplesmente, quando comecei a escrever para este álbum, foi isso que saiu. E quando o ouvi terminado tive uma sensação curiosa. Pela primeira vez pareceu-me que já podia dizer que existe um verdadeiro som Centauri. Os discos anteriores tinham o som da banda e outras coisas à volta. Este disco parece-me ser apenas o som desta banda. É aquilo que este grupo faz.
Falas frequentemente dos Centauri como uma banda, quase num sentido mais próximo do rock do que do jazz. O que é que distingue este projecto de tantas outras formações pelas quais vais passando ao longo da tua carreira?
Há uma coisa que acontece nos Centauri que não acontece em mais nenhum projecto em que toquei. É óbvio que quando juntas músicos com personalidades fortes vai sempre surgir uma identidade qualquer. Há sempre uma química específica. Mas normalmente essa identidade muda consoante o repertório, consoante as pessoas presentes ou até o contexto. Nos Centauri não. Qualquer música que eu leve para esta banda acaba por soar a Centauri quase imediatamente. O pessoal senta-se, olha para a música, ouve uma demo, faz um primeiro take, um segundo take, e de repente aquilo podia encaixar em qualquer um dos discos da banda. As músicas podiam circular livremente entre os vários álbuns porque o som continua a ser o mesmo. Acho que isso acontece por causa desta combinação muito particular de músicos. Há, por exemplo, uma tensão muito interessante entre o João Mortágua e o José Pedro Coelho. O Mortágua é explosivo, caótico, imprevisível. O José Pedro é muito mais lírico, mais controlado, mais subtil. Parece até que nem está ali. E estão constantemente a tentar encontrar-se no meio-termo. O Mortágua puxa numa direcção, o Zé Pedro noutra, e dessa tensão nasce uma parte importante do som da banda. Mas há outra coisa que é ainda mais rara. Todos eles partilham uma característica que eu valorizo imenso e que não encontro muitas vezes: são músicos que não reciclam música. Não pensam a música de forma matemática, racional ou pré-programada. Claro que todos nós passámos por essas fases de aprendizagem, todos estudámos dessa forma em algum momento da vida. Mas quando estamos a tocar juntos ninguém está a pensar em fórmulas. As pessoas pegam na música e vão pelo som. Vão pelo que está a acontecer à sua volta naquele momento. Isto pode soar um bocadinho idealista, mas é mesmo assim. E é assim comigo também.
Há algum episódio concreto que ilustre essa filosofia de funcionamento da banda?
Há um momento muito engraçado durante as gravações deste disco que resume perfeitamente isso. Estávamos a ouvir um take de “Dragon’s Blood Red”. No final da música eu mantenho um riff repetitivo, quase hipnótico, e o João Pereira começa a tocar coisas completamente inesperadas. Sai do tempo, entra noutro sítio qualquer, começa a reagir àquilo de uma forma totalmente livre. Terminámos a gravação, passámos para outras músicas e mais tarde voltámos a ouvir àquele take. Estávamos todos sentados no sofá a escutar e o João ficou completamente intrigado com aquilo que estava a ouvir. Olhou para mim e perguntou: “Mas o que é que eu estava ali a fazer?” Nem ele próprio sabia explicar. E isso é muito revelador. Nenhum de nós está a pré-planear as coisas. Ninguém está a pensar “agora vou fazer isto neste solo” ou “nesta secção vou experimentar aquela ideia”. As decisões acontecem no momento. São respostas ao que está a acontecer à volta. E curiosamente foi precisamente esse take que acabou por ficar no disco. É isso que torna esta banda tão especial para mim. Há uma entrega total ao momento e, por alguma razão, quando estas pessoas se juntam, o resultado soa sempre aos Centauri.
Como funciona o teu processo de composição? Como decides que uma ideia pertence aos Centauri e não a outro projecto, como o Motor, por exemplo?
Eu nunca escrevo música sem necessidade. Só escrevo música quando tenho de escrever música. Posso ser eu próprio a criar essa necessidade. Se decidir que quero gravar um disco novo dos Centauri, então a partir desse momento tenho de escrever música para os Centauri. Mas há um processo mental que acontece antes de me sentar a escrever. E é completamente diferente escrever para os Centauri ou para o Motor. Não tem absolutamente nada a ver. Quando me sento para pensar numa coisa nova é quase como ter as ferramentas todas em cima de uma mesa. Para os Centauri, as minhas ferramentas são dois saxofones, um contrabaixo, uma bateria e uma guitarra. Para o Motor são outras. Mas não penso apenas nos instrumentos. Penso nas pessoas. Penso no João Mortágua, no José Pedro, no Francisco Brito, no João Pereira. Essas são as minhas ferramentas. Sei aquilo que posso fazer com elas. Normalmente, se não tiver uma ideia concreta, é muito improvável que me sente simplesmente a escrever. O que acontece é que há uma espécie de botão qualquer que dispara quando sei que mais cedo ou mais tarde vou ter de compor para determinado projecto. A partir daí começam a surgir ideias espontaneamente. Nem sequer tem de ser quando estou com a guitarra na mão. Posso lembrar-me de um som, de um riff, de uma textura. Posso estar a praticar para outra coisa qualquer e aparecer uma ideia. E isso fica-me na cabeça. Depois, aos poucos, as peças começam a encaixar-se. Muitas vezes ainda não tenho todos os detalhes, mas já sei mais ou menos qual vai ser a essência da música, qual vai ser o seu som geral. Essas ideias vão germinando durante bastante tempo. E depois há um dia em que me sento, tenho algum tempo livre e tudo sai de uma vez. Nunca volto atrás para corrigir músicas. Nunca fui alguém que reescrevesse ou emendasse composições. Muitas destas peças levam uma ou duas horas a escrever. Mas isso não acontece por iluminação divina. Acontece porque o trabalho que outras pessoas fazem com papel e lápis eu vou fazendo mentalmente durante semanas ou meses. Quando finalmente me sento para escrever, muita coisa já está resolvida.
Como nasceu concretamente Chroma? Qual foi o papel da Dox Records neste processo?
O disco nasceu directamente de uma conversa com o Marko, da Dox Records. Eu não tinha nada gravado nem nenhum projecto pronto para apresentar. Foi mesmo ele quem me desafiou a pensar em alguma coisa para a editora. Nessa altura apresentei-lhe várias possibilidades. Disse-lhe que podia fazer um disco dos Centauri, que podia avançar com outro projecto mais ligado ao rock que andava a desenvolver, ou até com um disco a solo que tenho vindo a adiar há bastante tempo. E ele respondeu-me de uma forma muito clara. Disse que teria curiosidade em ouvir qualquer uma dessas hipóteses, mas que tinha um carinho especial pelos Centauri. Conhecia os discos, gostava muito da banda e tinha interesse em ouvir mais música deste projecto. A partir daí a decisão foi muito simples. Pensei: “Então vamos fazer um disco dos Centauri para a Dox”. E esse foi verdadeiramente o impulso que deu origem ao Chroma.
As gravações decorreram de forma muito rápida, não foi?
Sim. Aliás, isso faz parte da história dos Centauri. Com excepção talvez do Hades, que envolveu mais trabalho de estúdio, mais pós-produção e mais experimentação, os discos desta banda tendem a ser feitos muito rapidamente. O Chroma foi gravado no meu estúdio, o Timbuktu. Tivemos apenas dois dias de gravação. E o mais curioso é que praticamente não houve trabalho prévio. A música chegou aos músicos muito perto da sessão. Eu tinha marcado as datas com cerca de três meses de antecedência para me obrigar a cumprir um prazo. Mas a verdade é que continuei naquele processo mental de deixar as ideias amadurecerem. Acabei por escrever efectivamente o material apenas nas duas semanas anteriores à gravação. Escrevi todas as partes à mão para cada músico e preparei algumas demos muito simples. Gravei as guitarras, simulei os sopros e enviei tudo para o grupo através do WhatsApp. Eram gravações muito cruas, quase esqueletos das músicas. Mas aí volta a acontecer aquilo que acontece sempre com esta banda. As demos não tinham grande vida própria. Serviam apenas para indicar uma direcção. Depois o grupo junta-se pela primeira vez, toca aquelas peças e aquilo transforma-se imediatamente noutra coisa. O mais impressionante é que o que se ouve no disco é praticamente isso. O primeiro ou o segundo take. Eu explicava o que procurava, ouvíamos novamente as demos, discutíamos um ou outro detalhe e depois gravávamos. E de repente aquilo soava imediatamente aos Centauri. Soava exactamente àquela banda.
Falemos então dos músicos. O que admiras particularmente no João Mortágua?
O João Mortágua representa uma coisa que valorizo imenso: a capacidade de tocar de forma verdadeiramente instintiva. Há muita música, sobretudo no jazz, que quando a ouço parece vir acompanhada de legendas. Estou a ouvir e consigo identificar imediatamente as referências, as fórmulas, os padrões. Consigo perceber de onde vem cada ideia. É quase como se alguém estivesse permanentemente a explicar o raciocínio por detrás daquilo que está a acontecer. E isso cria-me uma certa distância. Introduz uma camada de racionalidade entre mim e a música. Com o Mortágua isso nunca acontece. O que eu ouço é uma massa sonora muito própria. Parece que ele está simplesmente a espremer para fora aquilo que está a ouvir dentro da cabeça naquele momento. Há ali qualquer coisa de profundamente intuitivo que me fascina. É um idioma muito pessoal. E é precisamente essa ausência de cálculo aparente que me permite ligar-me imediatamente àquilo que ele faz.
E o José Pedro Coelho?
O José Pedro é quase o oposto. Eu olho para ele e penso sempre na figura de um mestre zen. É como se estivesse permanentemente vinte centímetros acima da realidade. É um músico com uma inteligência extraordinária. Tem uma enorme capacidade de organização, arranja brilhantemente para grandes formações, possui uma visão musical impressionante. Mas depois, quando toca, tudo isso desaparece e fica apenas aquilo que a música realmente precisa. Não há excessos. Não há truques. Não há fogo-de-artifício. Não há vontade de impressionar ninguém. Tudo o que ele toca me parece inevitável. Parece exactamente aquilo que devia estar ali naquele momento. E isso é uma qualidade raríssima. Consegue encontrar caminhos que não são os mais óbvios sem nunca recorrer ao espectáculo. Se nos sentarmos a analisar realmente o que ele está a fazer percebemos a quantidade de informação e de inteligência que existe ali. Mas nada disso é exibido. Está simplesmente ao serviço da música.
Já falaste um pouco dele, mas o João Pereira parece ocupar um lugar muito especial nesta música. O que é que ele traz aos Centauri?
O João é um espírito livre. Se o mundo actual não fosse o mundo actual, ele andava por aí de túnica, a viajar pelo mundo, a tocar os instrumentos que fosse encontrando pelo caminho. Estava num ashram qualquer, completamente desligado destas convenções todas. E eu adoro isso nele. Musicalmente é muito difícil explicar exactamente o que ele faz. É uma daquelas coisas que está lá e que podia não estar. Pode ser uma nota, duas notas, uma pequena intervenção na bateria. Mas a forma como ele coloca essas coisas na música é muito especial. Costumo dizer que ele entende tão bem o tempo que conseguiu libertar-se dele. É uma frase que pode parecer contraditória, mas acho que descreve exactamente aquilo que ele faz. Tem uma compreensão tão profunda da pulsação que já não precisa de estar preso a ela. E depois há a imprevisibilidade. Nunca toca um padrão da mesma maneira. Se tocarmos hoje uma música e voltarmos a tocá-la amanhã, ele vai encontrar outro caminho. O que está no disco não será aquilo que vai tocar ao vivo. A bateria é um instrumento absolutamente fundamental em qualquer grupo, mas no jazz isso é ainda mais evidente. Podes ter músicos incríveis, mas se a bateria não funcionar, a banda não funciona. Pelo contrário, um grande baterista consegue elevar tudo à sua volta. O João faz isso. Cola as coisas todas, mas ao mesmo tempo toma decisões. Muda a direcção do que está a acontecer. Faz escolhas. Coloca cartas na mesa. E isso é uma coisa que adoro nele e que, na verdade, também encontro nos outros músicos desta banda. São pessoas que contribuem activamente para a música em vez de simplesmente a executarem.
E depois há Francisco Brito, que parece desempenhar uma função muito diferente dentro do grupo.
Sim. O Francisco é provavelmente o músico da banda cujo papel mais se distingue dos restantes. Enquanto os outros têm uma tendência natural para introduzir tensão, instabilidade, para espremer a música e levá-la para sítios inesperados, o Francisco é o tapete que segura tudo isso. E faz esse trabalho de uma forma extraordinária porque tem um gosto musical absolutamente impecável. Não há nada que ele toque que pareça deslocado ou gratuito. Tudo pertence à música. Além disso, é alguém que entende profundamente a função do instrumento. Há músicos que, por estarem muito confortáveis com o baixo ou o contrabaixo, acabam por tocar constantemente em registos que quase competem com os outros instrumentos. O Francisco não. Ele está onde é preciso estar. É extremamente musical, extremamente flexível, mas ao mesmo tempo mantém sempre a base sólida. Entre aquilo que ele faz e aquilo que a guitarra faz cria-se uma espécie de plataforma onde os outros três músicos podem aventurar-se para onde quiserem sem que a música se desmorone. Para mim é uma peça absolutamente fundamental. E é curioso porque não é necessariamente um dos contrabaixistas mais falados da sua geração. Mas é um músico extraordinário. E, acima de tudo, é exactamente a pessoa certa para esta banda. Costumo pensar nisto como acontece com os actores. Nem todos os grandes actores servem para todos os papéis. Eu tenho outros contrabaixistas de quem gosto imenso. O Demian Cabaud, por exemplo, é um deles. Mas não seria necessariamente a pessoa certa para os Centauri. Nem ele se iria divertir particularmente a tocar esta música, nem aquilo que faz serviria este repertório da mesma maneira. O Francisco serve porque a sua personalidade encaixa perfeitamente neste contexto. E isso faz toda a diferença.
Depois da edição de Chroma, quais são as perspectivas para levar esta música para palco?
Essa é sempre a pergunta difícil. Estamos em Portugal e não é propriamente o país mais fácil do mundo para fazer circular uma banda como esta de forma consistente. Claro que vão existir concertos. Disso não tenho dúvidas. Mas, honestamente, não me parece que este ano vá acontecer uma actividade muito intensa. O que estou a tentar construir é algo mais consistente para o próximo ano, sobretudo em contexto de sala. Todos gostamos da ideia romântica de andar a tocar por todo o lado, de fazer todos os clubes possíveis, mas a realidade é que isso muitas vezes significa que toda a gente regressa a casa mais pobre do que saiu. É preciso encontrar um equilíbrio. Tenho alguma esperança de que esta ligação à Dox Records possa ajudar a abrir algumas portas fora de Portugal. Tenho falado sobre isso com o Marko. Sendo uma editora holandesa, existe a possibilidade de o disco chegar a meios de comunicação, programadores e circuitos que normalmente são mais difíceis de alcançar quando um disco é lançado exclusivamente a partir de Portugal. Gostava muito que isso acontecesse. Entretanto, a cronologia também não ajuda. Já estamos quase a meio do ano e neste momento ainda estou muito ocupado com datas ligadas ao Motor, porque esse disco saiu antes. Por isso imagino que o ciclo dos Centauri ganhe mais força mais para a frente. Mas quero muito tocar esta música. Quero mesmo muito tocar com esta banda. Porque sinto que chegámos a um ponto em que aquilo que acontece entre estas pessoas é muito especial e merece ganhar vida em palco.
Haverá edição física de Chroma?
Vai haver, sim. Desta vez não em vinil, mas em CD. Deve ficar pronta antes do Verão. É uma coisa que ainda faz sentido para mim. Gosto que haja um objecto físico que acompanhe a música, mesmo sabendo que hoje em dia a maior parte das pessoas descobre os discos de outras formas. Por isso, se tudo correr como previsto, os CDs deverão estar disponíveis muito em breve.