Era digital, informação à velocidade da luz. Vídeos e músicas a soçobrar pelas plataformas virtuais. Novidades emaranhadas entre si, confusão sónica, sentidos desorientados. Quem nos guia? Por onde vamos? Para onde vamos?
7 Dias, 7 Vídeos é o resgate audiovisual semanal nos terrenos do hip hop e electrónica. Filtragem de qualidade, barreira contra a poeira que nos cega com tanto de novo, com tanto para espreitar e escutar.
[Óssio & Catalão] “Causa Improvável”
“Causa Improvável” é o novo aperto de mão entre Óssio e Catalão para fechar o negócio de manter o rap são. Tá encontrado o terceiro (e imaculado) single no trajeto que levará a dupla a ao álbum ILUSÃO CRÓNICA, que vê a luz do dia já amanhã com carimbo da LUME. Se ainda não estava no vosso cartão de bingo, vale a pena acrescentar à lista de projetos com potencial para deixar marcas no hip hop nacional neste ano de 2026.
[Vince Staples] “White Flag”
É, provavelmente, a versão mais política e interventiva que alguma vez vimos de Vince Staples, esta que antecede o lançamento do seu sétimo disco, Cry Baby, com edição marcada para o dia 5 de Junho. Esta é, também, a sua faceta musical que mais se aproxima do rock, como testemunhou um fã que teve a sorte de assistir a um ensaio ao vivo do novo repertório do rapper. Depois de “Blackberry Marmalade”, a mira de Vince Staples surge apontada à bandeira do seu país, que cada vez mais parece feita para apenas servir as elites brancas.
[Arlo Parks] “Senses” feat. Sampha
“Senses” é um dos momentos de maior vulnerabilidade e introspeção poética por entre o alinhamento de Ambiguous Desire, o novo LP que Arlo Parks deu a conhecer ao mundo bem no início do passado mês de Abril. Sampha entra em cena para trocar versos com a colega e juntos criam uma peça descrita como sendo um quadro de melancolia pós-clube, uma sequela do desequilíbrio dos níveis de dopamina e serotonina.
[JPEGMAFIA] “$ (Money)”
JPEGMAFIA tem sido sinónimo de rap que quebra com todas as convenções desde que surgiu em cena com o álbum Black Ben Carson há precisamente 10 anos. Esse reconhecimento ninguém lhe tira, mas o próprio quer ir ainda mais longe e reclamar para si a coroa em definitivo nos campos do EXPERIMENTAL RAP, não fosse esse mesmo o título escolhido para a obra a que deu à luz no final da semana que passou. “$ (Money)” espelha bem essa ambição, esfregando-nos os ouvidos com uma performance vocal frenética e uma chuva de percussões distorcidas enquanto discursa sobre como o dinheiro funciona como gerador de ganância, paranóia e corrupção.
[Loreta KBA & Apollo G] “Mundo contra mi”
A aliança pode ser a base para a vitória quando se está sozinho contra o mundo inteiro. Loreta KBA e Apollo G, figuras de proa quer do rap crioulo, quer da cena hip hop tuga, juntam-se na batalha contra os vários obstáculos que surgem no caminho e lhes tentam barrar o caminho para o sucesso e a felicidade. Seja o contexto de pobreza em que cresceram ou a natureza apodrecida que brota dentro de alguns dos seres humanos que os rodeiam, nada os pára na missão de esculpir um novo hino que certamente ajudará a motivar aqueles que a sociedade teima em colocar mais à margem.
[Van Zee] “Cartas na Mesa”
As cartas estão lançadas na mesa e a mão vencedora parece estar para os lados de Van Zee. Com dois novos singles lançados no decorrer da semana transacta, o rapper madeirense apronta a mais um disco com “Cartas na Mesa” e “ENFEITIÇADO”, que chegam na ressaca da sua interessante performance na edição portuguesa da rubrica britânica Victory Lap. Se os termómetros têm demonstrado um aumento da temperatura, já sabem o que se passa: tá calor e a culpa é tua é o título do registo que chega, segundo o próprio Van Zee, “daqui a nada!”
[Blu Samu] “Adeus”
Não haveria, certamente, melhor forma de fechar um ciclo. “Adeus” é a faixa 11 de 11 de (K)NOT, o álbum em que Blu Samu melhor desfez o emaranhado de influências que habitam dentro de si para nos dar o seu mais sólido corpo musical até à data. “Adeus” é também a sexta canção desse projeto a ganhar destaque no formato de videoclipe e parece dar por encerrada a campanha de promoção do disco, que agora se manifestará mais na estrada do que na esfera digital — e por cá fazemos figas para que Portugal possa voltar a constar no roteiro da artista sediada na Bélgica.