5K7s #8

[TEXTO/FOTOS] Rui Miguel Abreu

 

Normalmente, a escolha de cassetes para esta coluna é simples: basta reunir os cinco títulos mais recentes que aterraram aqui em casa e pronto. A última coluna desta série data de 9 de Dezembro e já se passou quase um mês sobre essa publicação e nesse período os títulos neste formato acumularam-se aqui em casa, pelo que se impõe uma selecção. Por outro lado, há neste momento várias cassetes a voarem aqui para casa, provavelmente presas no intenso tráfico dos correios ainda a braços com o aumento de fluxo de encomendas próprio da época, por isso não será de estranhar que não seja necessário esperar outro mês pela próxima 5K7s. Por isso mesmo, e antes que se faça tarde, eis o conjunto presente, com forte incidência no output caseiro de Andy Votel, o cérebro por trás da fundamental Finders Keepers.

 


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[ANDY VOTEL] The Curse of the Tinfoil Tempura
(Sameheads, 2015)

Andy Votel usa uma série de chapéus: é um dos donos da Finders Keepers e do seu incrível labirinto de sub-etiquetas, é produtor, mas é, sobretudo, um ávido coleccionador que gosta de usar o tradicional meio da mixtape para expressar a sua paixão, um eco do seu período formativo no domínio do hip hop. Esta cassete saiu em Abril passado através da Sameheads, uma activa loja de Berlim. Apesar de ter falhado na altura esta edição e do Discogs se recusar a valer-me (quem tem uma das 100 cassetes lançadas não se quer desfazer dela), um email para a própria Sameheads conseguiu resolver a situação e há um par de semanas o envelope com esta cassete lá resolveu aparecer aqui em casa. E em boa hora: trata-se de mais uma habitual salada de objectos estranhos curados por Votel – new wave exótica, rock esquálido, electrónica avulsa e exploratória, disco continental, bandas sonoras, excertos de diálogos de filmes obscuros, breaks estranhos e tanto mais misturado com a destreza aprendida certamente a ver vezes sem conta a cena da cozinha de Wildstyle com Grandmaster Flash!.

A cassete vem numa caixa vermelha, com insert a cores com o habitual design de Andy Votel e em concha transparente sarapintada pelo que parece ser purpurina vermelha! Sem qualquer inscrição na concha.

 

 


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[ANDY VOTEL] Raising Helelyos
(Hypocrite ?, 2015)

Muito recentemente, Andy Votel apresentou uma exposição baseada na sua peculiar arte, muito usada para as capas das suas mixtapes privadas. A esse propósito, falou com a Quietus explicando o seu amor pelo formato das cassetes e também o seu trabalho enquanto designer, obviamente devedor da estética clássica dos posters de filmes de série B de proveniências exóticas (é conhecido o seu amor pelas cinematografias indiana ou de países de leste). E até aí é possível ver uma ligação ao universo do hip hop: Votel sampla imagens como um produtor sampla sons, rearranjando-as em novos e impactantes conjuntos gráficos. Nesta cassete, que adquiri (tal como a próxima) junto do próprio Andy Votel (que tem a amabilidade de me enviar um mail a avisar sempre que tem uma nova edição em carteira), o DJ e coleccionador explora o seu vasto acervo de psicadelismo do Irão pré-revolucionário: funk, psicadelismo intenso, muitos breaks, sitars e moogs, tudo misturado como se o Bronx fosse um histórico bairro de Teerão. Cena poderosa!

Cassete com inlay desdobrável impresso em papel de qualidade e concha prateada sem qualquer inscrição.

 

 


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[ANDY VOTEL] Hindi Horrorcore
(Hypocrite ?, 2015)

Este é o lançamento mais recente da Hypocrite ?, a etiqueta caseira que Andy Votel usa para editar as suas mixtapes privadas em cassete. Já conta com sete títulos na série e algumas, como a caixa tripla Keys to the Music Grave a atingirem já valores muito significativos no Discogs. Sobre esta, o título revela tudo o que importa saber: disco servido por muitas tablas e vocalizações típicas de Bollyhood, com música subtraída a estranhas produções indianas que se focam sobretudo nos domínios do terror. A mistura rende um incrível manancial de grooves perfeitos para qualquer sampler digno desse nome, pois claro.

Edição em caixa colorida, com insert a cores impresso em papel de qualidade e concha vermelha sem impressão.

 

 


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[PHLEKZ] Off E.P.
(Mordant Music, 2015)

Phlekz é, quase de certeza, Nick Edwards, artista que grava principalmente como Ekoplekz e que com essa identidade tem editado nos últimos tempos para a sempre interessante Planet Mu, caso de Reflekzionz, o seu mais recente álbum. Esta cassete de 60 minutos (com música incluída apenas num dos lados) é lançada através da Mordant Music, outra etiqueta com que Edwards tem colaborado com frequência. Este Off E.P. apresenta mais uma das suas viagens lo-fi a um terreno onde a electrónica cumpre a sua veia experimental, cruzando ecos de dub, de breaks e de toadas industriais num complexo e pessoal labirinto de referências, com a teia de uma memória hauntológica sempre por perto.

Esta cassete é editada numa caixa transparente sem qualquer insert e com uma concha lilás sem qualquer informação impressa. O que importa saber está aqui.

 

 


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[MMMOOONNNOOO] The Act In Between
(Speaker Footage, 2015)

Esta edição do português MMMOOONNNOOO mereceu atenção aqui no Rimas e Batidas, mas chegou-me finalmente às mãos em formato físico.

O que por aqui se escreveu: “O compositor explica que The Act in Between é uma criação informada pela sua experiência em Tóquio enquanto participante na última edição da Red Bull Music Academy: “O álbum foi iniciado de forma não planeada alguns meses antes da viagem, a recolher sons e ideias que reflectiam o que eu imaginava sobre Tóquio e o Japão e a reflectir o fascínio que eu sentia pela cultura, tanto pela história real como pela fantasia que também se construiu à sua volta”.

Daniel adianta mais algumas ideias acerca do novo trabalho quando explica o seu título: “O próprio título só surgiu no final, quando o álbum já estava terminado e eu percebi o que representava e como o nome revela tratar-se de um momento de transição, o que aconteceu entre o meu trabalho anterior e aquilo que eu vou fazer a seguir, um momento de maravilhamento despoletado por um período de transição na minha vida”.

Drones de progressão lenta e hipnótica que mereceram a distinção da Quietus no que a edições neste formato em 2015 diz respeito. Compreensivelmente. Daniel Neves, aka MMMOOONNNOOO, é mesmo um dos mais intrigantes produtores do nosso presente.

Edição em caixa transparente e branca, com insert em papel de qualidade impresso a preto e branco, com cartão com código de download e cassete em concha branca com etiqueta colada de um dos lados, mas sem qualquer informação adicional.

 

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