xxoy. sobre BEAT Street XXI: “É educativo para o público em geral que normalmente pensa que o hip hop é só a música”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Hélder White

A segunda edição de BEAT Street XXI acontece este mês. O evento vai decorrer no Anjos.70 a 17 de Março e conta om as actuações de Scorp, The Chill Out Experiment e xxoy., o DJ residente.

Têm praticado os aquecimentos? O conceito do BEAT Street XXI é promover as várias vertentes do hip hop e, na próxima festa de 17 de Março, a música e a dança são as artes com maior representação. Oriente Brotherhood e Natural Skills Crew são os grupos de Bboys responsáveis por manter a roda de movimentos corporais viva, recuperando o espírito das festas primordiais do movimento hip hop retratadas em Beat Street, o filme de Stan Lathan.

xxoy. é o DJ residente do evento, o único que repete a dose após a primeira edição de BEAT Street XXI, que teve lugar no Musicbox. É através da XXIII que nos tem chegado a maior para do seu material editado, ele que é o responsável pelas compilações Hip Hop Tuga Edits e um dos músicos do grupo Pura Mob Keys. Apesar do seu último lançamento no SoundCloud datar de Novembro do ano passado, xxoy. arrancou discretamente com um canal próprio no YouTube — é lá que podemos ouvir as três batidas que assinou em 2018.

 



O Hip-Hop Tuga Edits Vol.2 foi o pico de um ano no qual também soltaste imensos singles. Estamos em 2018 e já sentimos saudades tuas — o que nos reservas para um futuro breve?

Desde que este ano começou lancei três beats, feitos de propósito para o BEAT Street XXI. Tenho já algumas músicas terminadas para um terceiro volume de Hip Hop Tuga Edits e mais algumas músicas soltas. Sinto que estou com um bom fluxo criativo, mas quero lançar as coisas de forma mais pensada e organizada.

Foste uma das apostas do Indian Man para a produção do projecto de estreia pela XXIII e tinhas trabalhado com vozes originais nos Pura Mob Keys. Estás neste momento a trabalhar com algum outro MC/cantor? Quem entraria facilmente no teu top 3 de colaborações ideais?

Além de estar a trabalhar no álbum de estreia de Pura Mob Keys, tenho também dois beats meus no próximo álbum de um artista da velha escola, que deverá sair em Abril. Quanto a “colaborações ideais”, gostava de trabalhar, por exemplo, com o Regula, o Slow J ou o NBC. São artistas super versáteis, que não se importam de explorar novos
caminho. Também me considero um pouco assim.

Além das actuações nas festas da XXIII és também o DJ residente do BEAT Street XXI, que vai em breve celebrar a sua segunda edição. O que significa para ti toda a história e cultura em torno do universo das batidas?

Para mim, um evento como este é super importante para a cultura. Há sempre festas em que, por exemplo, os MCs e os Bboys se encontram e mostram os seus atributos de forma espontânea, mas também faz falta isso acontecer de forma mais organizada. Além de ser bom para quem vive o hip hop, pois faz-nos sentir em casa, é também
educativo para o público em geral que normalmente pensa que o hip hop é só a música.

Vamos poder contar com MCing, breakdance, DJing… Na tarefa que te compete, que ingrediente não faltará de certeza no teu set? Há algum trunfo que tenhas preparado?

Tento sempre fazer alguma coisa nova para cada vez que vou tocar, seja um edit, um remix ou até mesmo um original. Desta vez vou tocar alguns dos edits que já tenho prontos para o terceiro volume [do Hip Hop Tuga Edits]. O trunfo é mesmo a música. Nas 6 horas de festa vão haver muitas oportunidades para se ouvir quase todo o tipo de hip hop: o que se faz cá, o que se faz lá fora, o mais recente e o mais oldschool. A festa tem tudo para dar certo. O objectivo é que o pessoal dance tanto como os Bboys e que não sejam só os Bboys a abrir a roda.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira