Virtus sobre o convite do SBSR: “Senti orgulho a dobrar pelo facto de nem estar à procura de actuar neste momento”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

O ano de 2018 fica marcado pelo regresso de um dos mais adorados artistas do circuito undergroud português. Em Fevereiro, Virtus lançou um novo tema, criou uma nova editora e até abordou a intenção de editar um novo álbum. Um passo de cada vez, amanhã vamos assistimos ao seu regresso aos palcos — João Rodrigues é um dos nomes em destaque na edição deste ano do Super Bock Super Rock e é no palco LG que se apresenta ao vivo a partir das 19h20.

Sono Profundo” é o título da primeira canção do rapper e produtor em cinco anos e serviu para estrear o catálogo da Fosco, uma nova label que está umbilicalmente ligada à Sexto Sentido.

A SBSR.fm, responsável pela curadoria do palco LG, encontrou motivos suficientemente fortes para endereçar um convite ao artista nortenho que, na altura do anúncio, confessou ao ReB “nem estar à procura de actuar neste momento”. Podem ler a curta conversa de seguida, um momento especial em que abre o jogo para nos falar sobre este concerto em ano de “regresso”.

 



Este é provavelmente um dos maiores votos de confiança que a tua música poderia merecer. Estás ainda a trabalhar no teu disco de regresso e foste agora confirmado para um dos maiores festivais de música em Portugal. O que sentiste quando recebeste este convite?

Francamente, não estava a contar com esta proposta. Há dois anos pisei um dos palcos grandes do SBSR com a Capicua, enquanto músico de banda, e tocámos antes do Kendrick. Foi uma noite muito especial. Mas a solo, embora num palco mais pequeno, não esperava. Senti orgulho a dobrar pelo facto de nem estar à procura de actuar neste momento, bem menos neste contexto. É engraçado e até irónico sermos eu e o Slow J no mesmo dia. Quando ele cá veio ao Hardclub em Janeiro, convidou-me para tocar na festa dele. Muito infelizmente, não pude aceitar. Eu não tinha nada para mostrar ali nessa altura, nem sequer andava em ensaios. Ia curtir mais ver o show dele do que fazer o meu. E fui lá curtir. Mega respeito pela atitude, ele sabe, foi inspirador receber esse convite de alguém que admiro como artista e como pessoa — ficou combinado futuramente partilharmos o mesmo palco. De repente, cá estamos os dois no mesmo festival, na mesma data. Eu ia comprar bilhete para esse dia e juntar o gang para nos embebedarmos até passarmos vergonha. Manter aquela tradição. Mas alteraram-me os planos: vou ter de fazer boa figura.

Podemos assumir que o teu novo álbum sai a tempo de decorarmos as letras para te ver ao vivo no SBSR?

Este convite não vai acelerar o meu ritmo de fazer o álbum mas injectou mais motivação para o continuar. Não vai acontecer a malta cantar o disco novo. No entanto, estou interessado em apresentar uma ou outra novidade.

O que é que estás a planear para o concerto?

Este show pode ser um cartão de visita à minha futura performance live. Pelo menos ficará clara a intenção. Por motivos financeiros que me condicionam, não posso reproduzir o que pretendo ao nível que exijo. Mas eu tenho um gato, é com ele que eu caço. Lembro-me sempre da dica do Bruce Lee sobre a fluidez dos movimentos do corpo em relação à água: dentro de um copo, a água ganha a forma do mesmo. E eu sou assim, levo esta base em tudo o que faço até hoje. Torno-me no que eu quiser, moldando-me ao que tenho, e lá desenrasco a minha felicidade. Mas ya, isso tem mais piada no dia e não em prognósticos. É tudo o que posso adiantar.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

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