Throes + The Shine: “A premissa desta banda sempre foi, a cada disco, fazer algo diferente do que tinha feito antes”

[TEXTO] Pedro João Santos [FOTO] Nash Does Work

Já foi em 2012 que os Throes + The Shine nasceram na indústria nacional com um recorte de transgressão. O beligerante Rockuduro com que fizeram estrada tornou-se assinatura de uma banda devotada a um estado de polvorosa, de contágio permanente com o público, em actuações que se inscrevem na memória do Portugal em festival. Cedo começaram a fluir para novos territórios e patamares, com o orgânico Mambos de Outros Tipos e o elegante Wanga a alimentarem digressões por toda a Europa (entre quedas de palcos e práticas topless).

Hoje —  depois da saída de Diron Animal —, Mob Dedaldino, Marco Castro e Igor Domingues seguem um caminho de nutrição criativa, despreocupadamente alheados de uma categorização que os poderia assombrar. Os Throes + The Shine continuam a canalizar essa energia para texturas mais vitaminadas, compassos mais pacientes. Enza, lançado nesta sexta-feira e apresentado no próximo dia 16 no B.Leza, é o grupo no seu estado mais salutar e hipnotizante, ao lado de convidados como Selma Uamusse ou Mike El Nite. Deixa que a energia abrasadora dos seus primórdios se dissipe em caminhos novos, oxigenados.

Na semana de edição do seu quarto disco, o Rimas e Batidas conversou com o grupo que teve génese no Porto — e se a designação de “banda rock” é pouco generosa, há histórias para justificar esse estatuto. Nenhuma delas tem a ver com o Tony Carreira.



Os discos dos Throes parecem existir num contínuo de evolução, mais do que serem rupturas forçosas de uma era vossa para outra (talvez com a excepção do ponto de partida, o mais beligerante Rockuduro), com motivos que desaparecem e renascem. Conseguem contar a vossa história pelo vosso percurso discográfico?

[Marco] A nível sonoro é algo que é bastante fácil para nós explicar: prende-se muito com a forma como evoluímos como músicos. Quando começámos a banda, tanto eu como o Igor éramos muito focados em rock, nenhum de nós produzia em computador; sempre tivemos o hábito em bandas anteriores de produzir em estúdio, em sala, a tocarmos juntos. Ao iniciarmos este projecto, começámos a entrar noutro tipo de festivais, a conviver com bandas que tinham outra abordagem, o que acabou por influenciar a forma como olhávamos para a produção e composição de músicas. Acho que isso é muito perceptível do primeiro [Rockuduro] — muito agarrado às guitarras, uma coisa muito crua — para o segundo álbum [Mambos de Outros Tipos] — que já começa a ter essa vertente [electrónica].

Depois, com o [Wanga], entrámos nesse campo com uma força maior e [daí] na altura termos combinado produzir o disco com o Moullinex; neste último, acabamos por continuar nesse sentido, até pela própria formação da banda em concerto e mesmo na nossa forma de trabalhar, os discos têm muitos instrumentos, mas somos só duas pessoas a tocá-los. Torna-se muito mais difícil estar a compor um álbum com o nosso sistema antigo de fazer jams e ensaiar todos juntos a tocar, porque pura e simplesmente não dá para fazer isso neste momento. Agora, tanto eu como o Igor temos o hábito de criar demos; posso eu ou ele começar uma de raiz e a partir daí juntamos e vamos trabalhando sobre isso. Creio que esse será sempre o nosso processo a partir de agora.

[Igor] Aliás, os nossos dois primeiros discos foram gravados ao vivo — nós fizemos as bases live, mesmo a bateria e tudo, e depois é que fizemos alguns overdubs e nos dois últimos [álbuns] isso já não aconteceu, já tínhamos uma base feita.

Como evoluiu esse processo neste Enza?

A grande diferença de produção para este disco foi o tempo que lhe dedicámos — muito maior que nos outros tempos. Houve uma paragem maior entre lançamentos (o último foi em 2016, nunca tínhamos estado tanto tempo sem lançar nada); e depois mesmo no processo de composição, começámos a compor este álbum no Verão de 2017, um bocadinho entre as tours que estávamos a fazer nessa altura. Quando chegámos ao final do Verão e os concertos acabaram ali por Outubro, decidimos experimentar um estúdio novo e um produtor novo, e foi aí que falamos com o Jori Collignon — amigo nosso que conhecemos dos Skip&Die, abrimos vários concertos deles; é uma pessoa impecável.

[Igor] E nós somos fãs!

[Marco] Aquilo que nos atraiu em trabalhar com ele foi o facto de ser alguém que trabalha no mesmo mundo que nós [e] também o facto de ele ter montado um estúdio em Palmela sem distracções — ele tem a casa dele, ao lado tem um estúdio e por cima tem uma guesthouse onde os músicos podem ficar a dormir enquanto gravam o disco. Ao todo, estivemos quase dois meses, intercalados (às vezes quinze dias e depois fazíamos um concerto), mas foi uma experiência completamente diferente. Estamos num sítio, acordamos de manhã, tomamos o pequeno-almoço, vamos ao estúdio, paramos para almoçar, regressamos ao estúdio, acaba o dia, jantamos, vamos descansar, acordamos de manhã e outra vez o mesmo.

O facto de termos podido estar ali completamente focados só naquilo, sem estarmos na cidade, acabou por permitir que desenvolvêssemos mais ideias, deitássemos coisas fora, experimentássemos outras coisas novas. Foi por aí que este disco talvez tenha ganho mais riqueza que os anteriores.

E tu, Mob, como estavas no meio deste processo de gravação? Situa-me.

[Mob] Foi a minha primeira vez a participar de pés e cabeça dentro do álbum. No último álbum foi o Diron quem compôs as letras; eu apenas cheguei e meti voz em algumas delas, não tive aquela [cena] de compor e dar o meu input nessa parte. Neste álbum, como o Marco explicou, [sobre] o processo de produção e criação das músicas: assim como ele e o Igor tratam da parte dos instrumentais e depois nós [juntamo-nos] para tentar limar as coisas, eu trato da parte das letras, e depois também chego e apresento e digo “olha, para esta música, eu escrevi assim, a letra fala sobre isso, o que é que vocês acham, onde podemos mudar” — o Marco dá input, o Igor dá input, chegamos todos a um consenso, e a música ‘tá pronta.

[Marco] O processo criativo é muito democrático, cada um de nós pode ter as suas ideias…

[Mob] Experimentamos.

[Marco] Se todos gostarem, experimentamos para ver o que conseguimos fazer, e se houver alguém que não goste, não se faz. É um processo muito natural.

[Igor] E o que é fixe é isso que ele estava a dizer, desde o terceiro disco que abordamos as coisas de forma diferente: por exemplo, ele pode trazer beats, eu posso trazer guitarras, eu posso trazer cenas em sintetizador, samples… Há coisas de voz já no Wanga que também fui eu que comecei a fazer, neste disco também tenho algumas, só que na altura [nesse] disco não era cantado por mim, foi pensado para ser um coro; se tu ouvires o disco, consegues perceber mais ou menos as ideias. Neste, já foi algo pensado para a minha voz, e agora acho que vamos seguir este caminho e só o futuro dirá.

[Marco] Sim, que isso também é uma grande diferença deste disco, por acaso não tinha referido anteriormente: temos várias canções que são cantadas pelo Igor, onde se ouvir uma voz que não é do Mob e não tem um convidado, é o Igor. [Risos]

Já tive várias pessoas a perguntar “qual é o convidado nestas músicas?”, inclusive aqui o Gonçalo [Lopes].

[Gonçalo] Quem é este David Carreira que ‘tá aqui?

[Igor] Justin Bieber?! (risos)

[Mob] Mas esse processo também está presente na construção do nosso live set. Quando o Marco vê alguma cena que eu possa fazer em público para motivar e chamar o público para curtir, ele vem e diz “olha, era fixe fazeres isto, vai ficar fixe, dar mais power no concerto”. Posso chegar no Marco e dizer “essa guitarra ‘tá fraquinha, faz uma cena mais pesada, para dar mais power na cena” e construímos tudo assim.

[Igor] E tem funcionado bastante, principalmente porque… não no último ano, mas nos dois antes deste, estávamos a tocar bastante; facilitou um bocado porque não precisávamos de estar juntos para compor músicas. Cada um compunha na sua casa, íamos fazendo as coisas, depois jantávamos e depois é que a magia acontecia. Poupávamos um bocado de tempo em vez de estar a ir para o estúdio, começávamos as coisas em casa.

Imagino que tenhas sentido uma responsabilidade acrescida, Mob.

[Mob] Ya. Por acaso nós, em termos de trabalho e tudo, estamos bué abertos — quando alguém, principalmente eu, está a ter dificuldades com alguma coisa, eu falo mesmo “olha, epá, isso não ‘tá a dar; não sei se vou conseguir, é muita música para escrever nesse tempo”. Tentamos explorar também algumas línguas tradicionais de Angola, tipo o kimbundu/kikongo, tentamos meter um pouco disso; para compor e tal, eu como não sou [versado] na língua, o meu irmão fala e ajudou-me nisso, [mas] foi um pouco complicado, ‘tás a ver? Eu me senti um pouco “fogo, ganda responsabilidade!” [Risos] Mas também correu bem porque [o Marco e o Igor] tiveram lá a dar suporte, muitas vezes no processo de composição eles preparam um beat e mandam, eu não pego só nele e escrevo uma letra por cima. Antes de eu pegar no beat, eu digo o seguinte: “já têm o beat feito, quais as vossas ideias, o que vocês sentem, o que acham que eu devo escrever para essa música?” Juntando a opinião, a do Marco e a do Igor, eu acrescento aquilo que estou a sentir e que sinto que devo colocar naquela música para compor aquela música.

Por exemplo, a “ADN”, a “Minha Gente” — a “Musseque”, a mais difícil de escrever, eu estava em casa, tipo duas da manhã, mandei mensagem ao Igor no Messenger, a dizer “epá, tou aqui a tentar escrever, mas não ‘tá a dar” e ele me disse “opá, fala de uma cena que você passou em Angola, saudades…” e eu fiquei a pensar “Foda-se” [risos]. Ele disse, mas eu não senti que devia fazer aquilo, entretanto desliguei, fui ver TV e passou uma publicidade onde dizia “minha gente” e eu disse “ai, caramba” e aí a música surgiu. Comecei a compô-la, fiz a letra, o Marco fez o refrão — por incrível que pareça, o Marco é que fez o refrão.

[Igor] Eu fiz a linha vocal, ele fez a letra.

[Mob] Já tínhamos a letra, pensámos que [faltava] um refrão fixe. E, nessa música, o incrível é que eu não falei só de coisas que vivi e passei em Angola, eu juntei as minhas experiências de Angola com as de cá, juntei um pouco daqui e um pouco dali.

Do mundo todo.

[Mob] Exactamente. [Risos]

[Igor] Se tu leres a letra, vês o que é a vida, o início de alguém que mora num país, que troca de país, e o que é viveres num país que o teu, tem as suas complicações.

É bom ouvir-vos falar da vossa dinâmica como trio. Desconstrói a ideia de que o Mob poderia só estar a actuar à frente dos masterminds do grupo, quando na verdade está completamente integrado no processo criativo.

[Mob] Inicialmente, não estava assim tão integrado, dava alguns inputs, mas não como agora.

[Igor] Sim, mas acho que foi aos poucos — o Mob também já está connosco desde 2014.

[Marco] Mas este foi o primeiro álbum que gravamos desta forma, nos anteriores sentimos um bocado mais esse tipo de forma de trabalhar que tu dizes. Este foi o primeiro que tivemos os três nos estúdios sempre juntos, 24/7, antigamente trabalhávamos primeiro os instrumentais eu e ele, depois havia um tempo mais limitado para as vozes.

[Mob] Uma cena importante é que desta vez nós estivemos mesmo a investir na cena das vozes, uma coisa que não foi feita nos álbuns anteriores.

[Marco] Recordo-me perfeitamente que, para o Wanga, levámos um dia e meio ou dois a gravar as vozes; neste, tivemos uma semana. É uma diferença brutal e houve muita coisa das próprias letras e linhas vocais que surgiu e in loco foram modificadas, e isso acaba por tornar as coisas melhores, não é? Desta vez, tivemos tempo.

[Igor] Lixado é quando ouves passado um mês e “epá, isto não devia estar aqui” [risos]. Na “Silver & Gold”, por exemplo, havia uma parte na métrica que não estava a encaixar bem — foi mesmo a última coisa que fizemos, fomos jantar, deitei-me, durante a noite recordo-me de que eles já estavam a dormir, pensei “e se fosse isto?” Fui à casa de banho, gravei para o telemóvel e no dia a seguir já tinha isto, e eles [acharam] mesmo fixe.

[Mob] No processo de composição, é incrível que todas as letras que eu compus foram sempre escritas na cama. Deitava e começava a compor na cabeça só depois no dia seguinte é que eu acordava…

Esse vai ser o título da entrevista.

[Igor] Não somos preguiçosos, estamos mesmo focados [risos].

Quanto tempo demoraram as gravações?

[Marco] Dois mesitos, não tudo seguido. Na altura, eu e o Igor estávamos a fazer a banda sonora de uma peça de teatro, também tivemos algumas interrupções, alguns concertos, e acabámos de o gravar em Março, talvez. Depois estivemos a misturar com o Beat Laden, no Meco — ele tem lá o estúdio dele, estivemos lá uma semana.

Disso resulta o Enza, que reforça a matiz electrónica do Wanga, mas separa-se pela inventividade sónica, num cenário mais morno, mais escancarado — tem uma coesão mais espacial, que torna impossível dizê-lo uma colecção indiscriminada de inéditos. Foram decisões conscientes?

[Marco] Ao fazermos este álbum, já tínhamos um bocado dessa noção, com as demos que já tínhamos feito — nós gravámos 10 mas levámos para o estúdio 26 ao todo — e sabíamos que as músicas que tínhamos estavam a ir para campos muito diferentes. Temos músicas que são mais ligadas ao que fizemos no passado, umas mais disco, umas mais r&b, outras mais hip hop. E nós, a nível estético, tentámos mesmo ter cuidado, para conseguirmos ter as texturas e tudo mais que tornassem a coisa mais homogénea, mas que fosse heterogéneo nos grooves, nos ritmos, nos moods das próprias músicas. No entanto, o facto consciente de termos produzido só com uma pessoa, sempre no mesmo espaço, com aquele material — os cinco sintetizadores, aquela bateria, aquelas drum machines — fez com que também conseguíssemos criar uma identidade sónica apesar das músicas serem bastante diferentes umas das outras.

Isso fica muito evidente no disco.

[Igor] Ficámos bastante contentes, porque tem uma pitada de tudo aquilo de que gostamos, e era já um bocado isso que queríamos fazer em algumas coisas anteriores, mas não tínhamos conseguido. De qualquer das formas, cada vez que uma pessoa acaba um disco, pensa sempre “ya, este foi aquele que tivemos mais cuidados”, mas foi [verdadeiramente] este o mais cuidado.

Os press releases surgem frequentemente atulhados daquelas palavras…

[Marco] “O melhor de sempre!”

…de que arriscaram, mas mantiveram-se fiéis à sua obra. O Enza parece merecedor dessa descrição.

[Igor] Acho que a premissa desta banda sempre foi, a cada disco, fazer algo diferente do que tinha feito antes; é este o nosso caminho, penso eu. Espero que o próximo seja ainda mais diferente daquilo que fazíamos.

[Marco] Penso que seja um processo natural de evolução. Mesmo que cada um de nós vá sempre ouvindo coisas diferentes, os gostos vão evoluindo, as coisas que ouvíamos quando a banda começou já não têm nada a ver com o que ouvimos agora e isso também vai acabando por influenciar o que fazemos — mesmo às vezes inconscientemente uma pessoa começa a tentar tocar alguma coisa e a compor e acaba por ir para algo que é um bocado diferente do que fazias antes, porque o que tu ouves também é um bocado diferente.

[Igor] Sim, mas lá está, mas tomas a decisão de ir por aí — se quiséssemos, também fazíamos igual, conseguíamos fazer 10 malhas na onda daquilo que fazíamos antes, se fosse preciso.

O que vos influenciava antigamente e o que é que o faz hoje?

[Igor] No início, lembra-me que o garage estava forte na minha vida — Thee Oh Sees, Ty Segall, por aí. Hoje em dia, muito mais pop, muito mais house.

[Marco] Quando começámos a banda, o tipo de coisas que andava a ouvir era exactamente o mesmo do Igor. Tínhamos, na altura, uma banda de garage rock e era o que ouvíamos mais, às vezes coisas mais pesadas, post-hardcore, mas também já começava a haver um bocado de electrónica; não tanto como o que ouvimos hoje em dia. O que mais oiço agora é ligado ao hip hop, à electrónica associada à world [music], Dengue Dengue Dengue! e Nicola Cruz. A verdade é que o rock hoje em dia não oiço, não por não gostar, mas é algo que já não… dou por mim a ver a minha biblioteca do Apple Music e reparo que não tenho lá nada guardado de rock, e dou por mim a dizer “oiço amanhã” e depois nunca oiço. A vir para Lisboa, dei por mim a ouvir o [álbum do] Matt Martians, um dos compositores de The Internet, o novo de Cornell Covacks, também gostei muito, e o novo de ScHoolboy Q, que também ‘tá fixe. Só estes três mostram que não há nada propriamente ligado ao que ouvia antes.

Quis saber mais sobre as vossas inspirações aqui, porque acho que têm uma obra que se poderia arrumar na prateleira ao lado do Fitxadu [da Sara Tavares], do Mundu Nôbu [do Dino D’Santiago] ou do Manga [da Mayra Andrade] — está certo para o momento.

[Marco] Concordo!

[Igor] Sim, é importante ver a altura em que o disco em que é lançado.

Cachupa Psicadélica, Mike El Nite, Selma Uamusse, os irmãos mexicanos Sotomayor [uma colaboração com KillASon não foi terminada]:  gostava de destacar só um ou dois, mas a verdade é que todos os nomes me intrigam. Como surgiram estes convidados de luxo?

[Marco] O Mike El Nite foi [uma opção] muito natural, porque ele trabalhava com a nossa agência actual e já nos tínhamos cruzado várias vezes com ele. Mal fizemos a “Musseque” com aqueles breaks mais ligados ao trap, pensámos “temos de pôr alguém aqui de peso, que gostemos mesmo dentro deste género”. Falámos com ele, ele alinhou logo, foi uma experiência super natural — ele escreveu a letra no comboio, a caminho de Palmela, super relaxado. Chegou com o bloco de notas e, “pessoal, já está; vamos lá”.

[Igor] Ainda me lembro que falamos de qualquer cena e ele “ei, esperem aí, vou trocar isto”.

[Mob] Falámos do Tony Carreira! “Epá, vou trocar isso tudo”, [daí resultou] a parte em que falamos do Tony Carreira.

[Marco] O Cachupa, gostamos muito do trabalho dele e quando fizemos a “Solar”, o refrão lembrou-nos uma colaboração que ele fez com os Octa Push, a “Cósmica”, uma música que todos nós adoramos, e pensámos que a voz dele [iria] assentar que nem uma luva. Ele, para além da voz, trouxe guitarra, o que também tornou as coisas ainda mais bonitas. Foi uma pessoa super acessível, nunca tínhamos estado com ele antes, mas mal o contactámos, ele alinhou logo e foi uma experiência muito fixe.

A Selma também nunca a tínhamos conhecido, mas gostamos muito do trabalho dela e também temos uma relação de proximidade a nível de agências, ela trabalha com a Ao Sul do Mundo, com quem também trabalhamos a marcar concertos fora da Europa. Mal o Igor trouxe essa música, pensámos logo que poderia ter uma voz feminina, mais ligada a estas raízes africanas; lembrámo-nos logo dela, falamos com o nosso agente, ele fez a ponte e ela foi super acessível, nós gravámos a música sem nunca termos estado com ela, porque ela foi a Palmela gravar e nós já não estávamos, andávamos em concertos, e foi tudo feito num back and forth de e-mails, mas correu tudo bem.



Acho que ninguém daria conta ouvindo a canção.

[Marco] Os Sotomayor: já tínhamos trabalhado com eles nos remixes do Wanga, quando eles remisturaram a “Ndele” e adoramos a voz da Paulina. Quando terminámos aquela música, sentimos que faltava ali qualquer coisa e lembramo-nos logo de tentar uma voz mais ligada às raízes latinas e como o Raul já tinha falado connosco de fazer algo no futuro, eles alinharam nisso, e até agora nós próprios estamos a trabalhar numa música para o próximo disco deles, porque apesar de serem pessoas que nunca conhecemos, só falamos por e-mails. Acabam por ter um sentido crítico muito próximo do nosso, uma disponibilidade muito grande para experimentar coisas novas, e às vezes mesmo havendo estas limitações geográficas, se houver essa vontade — com tudo o que temos disponível hoje em dia — conseguimos fazer as coisas. 

[Igor] Pode demorar um bocadinho mais, mas faz-se.

Ensinou-vos algumas coisas esse disco de remisturas do Wanga.

[Marco] O nosso objectivo é que cada single que for saindo seja acompanhado de um videoclipe e de um remix e, daqui a um ano e tal, saia um álbum de remixes do Enza, cada tema com uma remistura. Nós vamos tentar fazer isso nos próximos álbuns todos, ter sempre um conjunto de artistas a pegar em cada um dos temas e a dar uma interpretação nova, o que para nós é engraçado ver o que é que fazem, também é interessante ter novo material para passar quando fazemos DJ sets, é uma experiência que queremos manter.

[Igor] E é brutal ver a interpretação de outras pessoas, a pegar naquilo que passaste o teu tempo a construir, a “Ndela” é um exemplo disso — uma música que é mesmo rápida e eles fizeram uma cumbia daquilo.

[Marco] Aquilo ‘tá a um BPM de 170, cortaram a metade e…

[Igor] ‘Tá mesmo chillado.

Tinham anunciado também uma colaboração com o KillASon.

[Igor] Acabou por não funcionar. A colaboração que tínhamos com ele era na “Balança”, só que depois o resultado não estava bem aquilo que nós queríamos; as agendas não se estavam a cruzar. Estávamos a precisar de ter as coisas prontas para mandar masterizar e decidimos que não tínhamos mais tempo para esperar e avançámos, não quer dizer que não façamos um dia algo com ele. Não é uma ponte que se tenha queimado.

No início pedi-vos que resumissem o vosso trajecto através dos álbuns, mas era uma questão com rasteira. Os Throes têm um vínculo inegável, permanente com a concretização ao vivo. A vossa actuação no Bons Sons de 2017 é hoje recordada como um diamante na história do festival.

[Igor] Para nós, também foi muito fixe esse concerto. Já não sei de onde estávamos a vir, mas sei que estávamos cansados.

[Marco] Tínhamos tido um concerto no dia anterior, não sei onde.

[Igor] E estava grande calor, Jesus. Não dava.

[Marco] Esse Verão foi bastante recompensador para nós, porque foi aquele em que provavelmente mais tocámos e a mais países fomos, apesar de sentir que agora realmente temos o concerto num estado em que está bastante superior, mais coeso.

[Mob] Naquela altura, foi quase na época da saída do Diron…

[Igor] Foi nesse mês o último concerto que demos com ele.

[Mob] E eu não estava muito confiante ou confortável em assumir as rédeas da frontline, ‘tás a ver? Eu comecei com o Diron, sentia-me mais confortável com ele, porque ele dava aquele suporte, depois quando ele saiu, senti ‘foda-se…

[Igor] Aliás, um dos primeiros que tu fizeste sozinho foi logo Paredes de Coura e essa é uma cena que principalmente para mim e para ele [aponta para o Marco] — claro que para a banda é brutal, porque tinha muita gente, estava cheio — mas principalmente para nós era o festival onde nós íamos quando éramos miúdos. É daqueles palcos que pensas “era mesmo fixe alguma vez tocar aqui” e passado para aí seis ou sete anos…

[Mob] Tinha altas bandas, estava a tocar Benjamin [Clementine].

[Marco] Foals também.

[Mob] E disse “fogo, vamos tocar nesse palco, pá, temos que fazer sentir o nome, tem que rebentar!” E correu bem.

[Marco] E também estávamos cansados, tínhamos vindo de…

[Igor] Castelo Branco, estava um calor infernal.

[Mob] Ah, e antes do concerto em Paredes, eu cortei o pé, porque eu dei um mortal no dia anterior e bati com a canela num dos palcos que estava de lado de metal, no estrado, e perdi completamente os sentidos, mas, pá, o concerto continuou. E, no dia seguinte, já estava lá a dar tudo.

[Igor] Pá, já tinham passado mais de 24 horas. [Risos]

Essa história já é digna de uma banda que se preze.

[Mob] E eles todos preocupados, e a menina que ‘tava a tratar de nós, a cuidar do nosso palco e das cenas do backstage, e ela disse “mano, vamos para o hospital, tem de fazer um curativo” e eu [tom relaxado] “Fica calma…”

[Marco] Ele também ‘tá a exagerar. Parece que te saiu a tripa pela canela!

[Igor] Vais a ver e era do tamanho de uma borbulha [risos].

[Mob] Ele não sentiu o impacto da cena! Ele me viu! Quando eu caí, eu me levantei e fiquei basicamente assim, meio parado, à toa.

[Marco] Já aconteceu pior. Aquilo parecia teatral, foi mesmo bem feito, [o Mob] caiu fora do palco no ano passado no Indie Music Fest, mas a naturalidade com que a coisa aconteceu…

[Mob] De uma altura de quase dois metros e meio.

[Marco] No último compasso da “Balança”, ainda me lembro, ele mal diz a última palavra — o “ewe!” — e boom!

[Igor] Há um vídeo em que ele só faz isso e eu [boquiaberto], “Não me acredito nesta merda.”                             

[Marco] Mas ele subiu ao palco e disse “Quem nunca caiu que atire a primeira pedra”.

Desculpem, disseram uma altura de dois metros e meio?

[Igor] Sim, era o palco principal do Indie [Music Fest].

Sim, senhor. Ora aí está um mito digno de banda rock.

[Igor] E eu a dizer para fazerem barulho para este gajo, que ele é rijo como o caralho, assim cheio de asneiras.

[Marco] Somos do Porto. Quando os nervos vêm à pele…

A caminho desta entrevista, um amigo pediu-me que vos recordasse do concerto que deram no NOS Alive do último ano, que encheu até às costuras depois de começar vazio.

[Marco] Sim, em simultâneo estava Jack White no palco principal. Depois, aquilo compôs-se.

[Igor] Também, é compreensível… [risos] Eu também acho que ia a Jack White…

[Marco] “Não podes perder aquelas primeiras duas músicas de Throes + the Shine!” [Risos]

[Igor] Olha, por acaso vimos no outro dia uma miúda que conhecemos no Super Bock, que me diz assim: “olha, estava a ver Florence and the Machine e o meu colega vira-se para mim e diz ‘olha, vamos mas é ver Throes, que isto é uma seca do caraças’”. E foram ver desde o início, é incrível!

[Marco] Ao falares do Super Bock, [lembrei-me] da última vez que tocámos lá, que vi uma coisa que nunca tinha visto em lado nenhum: uma pessoa em cadeira de rodas a fazer crowdsurf, a cadeira de rodas no ar, no meio do pessoal. Foi das cenas mais épicas que eu vi a acontecer.

Já pensaram em escrever um livro?

[Igor] Eu continuo a curtir mais as miúdas em topless nos nossos sons. Uma vez estávamos também num concerto e estava uma miúda a fazer crowdsurf em topless e eu estava a tocar, olho assim e penso “que estranho, pá”.

[Mob] O esquisito foi que na Suíça, nós a tocar no Paleo [Festival], houve uma invasão de palco. Metade do people que estava do meu lado direito estava nu.

[Marco] Foi uma cena mesmo aleatória, de repente chega um bando de pessoal todo nu.

[Igor] Foi incrível: eu estou a tocar, olho assim para frente e está lá uma miúda [nua], e eu “altamente!”, dei-lhe um high five; o namorado vem e diz “ah, eu também estou em tronco nu!” e eu “Ya… não é bem a mesma coisa, mas ‘tá-se bem!”

Sentem diferenças substanciais entre tocar lá fora e cá dentro?

[Igor] Lá fora, as pessoas não estão tão habituadas a esta sonoridade, acaba por ser um bocado mais exótico; aqui, este tipo de grooves mais quentes já é algo que se ouve bastante há cerca de dez anos e já é respeitável. Muita gente [que não conhece] é apanhada de surpresa. Estivemos há dois anos pela primeira vez na Croácia, na República Checa e aí notava-se mesmo que as pessoas não estavam à espera. Tivemos imensa gente a vir falar connosco e dizer “pá, o público aqui geralmente não dança, não sei o que lhes puseram nas bebidas” [risos].

[Marco] Foi no InMusic, na Croácia, em que tocamos no mesmo dia de Arcade Fire e depois encontrámos o Win Butler e estivemos a falar cinco minutos com ele e ele vira-se para nós, “estive a ver um bocado do vosso concerto, isto parece música do Haiti”, e nós: “Não tem nada a ver!” Acaba por mostrar que este género de música para nós é algo muito normal e nestes países, como o Ígor diz, mais do Benelux e França, até porque têm uma cultura muito ligada à África, não é tão estranho. Mas se calhar por exemplo o Canadá e países mais de Leste ainda é algo muito por explorar.

[Igor] Mas se calhar [o Butler] também disse isso porque não devia ter muitas referências, porque, na verdade, no Canadá tens uma comunidade do Haiti muito grande — o Kaytranada, por exemplo, é do Haiti. E aqueles gajos que tocavam congas com [os Arcade] eram do Haiti.

Dizem sentir-se estabelecidos no território nacional, mas a vossa agenda, com uma enorme quantidade de datas no estrangeiro, sugere que talvez estejam a ser mais reconhecidos lá fora. Sentem essa discrepância ou nem por isso?

[Marco] Para nós ainda bem, acho que vai ser sempre algo que vai ser diferente: vamos ter sempre mais concertos lá fora do que cá, porque o mercado é muito mais abrangente. Aqui, uma pessoa tem duas opções: tens uma carreira mesmo muito bem estabelecida e a garantia de que vais encher salas de espectáculos grandes ou tens os festivais. E acaba por ser algo que te limita se fizeres 15, 20 datas por ano em Portugal, para uma banda um bocado mais indie como nós, é uma cena fixe. Não tocamos nas festas populares, o que muita gente consegue fazer, por exemplo.

Enquanto lá fora, um país como a França tem uma área geográfica muito maior que a nossa, então tem muito mais festivais que nós. O que nós sentimos é que acaba por haver mais festivais de nicho lá fora do que cá, por exemplo, antes de ter esta banda não tinha noção da quantidade de festivais ligados a música étnica que há em França, na Bélgica e na Holanda — há montes de festivais dedicados a este tipo de sonoridades que fogem um bocadinho mais da norma ocidental, por assim dizer. Isso para nós acaba por ser uma vantagem porque a nossa sonoridade encaixa um bocado nos dois mundos: temos o som mais ligado a África e ser esse tipo de fusão cultural, mas a parte que eu e o Igor trazemos à mesa, as nossas influências também levam para este lado mais ocidental e que também encaixa em festivais como o NOS Alive ou o Super Bock [Super Rock], e lá fora acabamos por conseguir explorar esses dois lados, que é esse tipo de festivais mais típicos e estes mais de nicho, isso abre um leque de oportunidades muito grande, que não quer dizer que não as tenhas cá — tens o MED, tens o Sines, mas dado o tamanho de países, não dá para ter uns quinze festivais desses. É um bocado por aí que a nossa agenda acaba por ter mais concertos no estrangeiro do que em Portugal. Mas, no fundo, sentimos que as pessoas já reconhecem um bocadinho o que nós fazemos, não somos nenhuma banda gigante e temos perfeita noção disso, mas já sentimos um certo carinho das pessoas, já sentimos que em festivais há pessoas que vêm de propósito àquela hora para nos ver. Em Paredes de Coura tínhamos pessoal com cartazes específicos para nós e isso é muito recompensador.

[Igor] E mesmo saberem aquelas músicas, pedirem algumas. Claro que ainda temos muito para crescer.

[Mob] Falando de músicas nos concertos, uma coisa que intrigou bué foi — acho que foi na Suíça ou na Holanda — acho que foi a primeira ou segunda vez que estávamos a tocar material do Enza. Estávamos a tocar a “Musseque”; ninguém sabia a música, era impossível saberem. Mas o pessoal estava mesmo a esforçar-se para cantar — tem uma parte do trap com aqueles “Ya! Hmm! Okay!” e eu a droppar e [o público] a responder “Ya!… Okay!”.

[Igor] Foi uma maravilha. Um daqueles que deu bastante prazer, porque era um festival grande, estava a tocar o Liam Gallagher e os Portugal, the Man, estávamos no palco secundário e as bandas que estavam lá antes estavam a tocar para zero pessoas e nós… epá, isto vai ser daqueles dias que viemos aqui, vai ser fixe pela viagem, para não dizer pela guita [risos].

[Marco] Epá, vais ter de comer, né?

[Igor] E foi brutal que cinco minutos antes, aquela merda já estava cheia. E começas a perceber, apagam-se as luzes, o pessoal já a fazer grande barulho, era gente que vinha mesmo para aquilo. É incrível. Vais sentindo as coisas a mudar aos poucos.

[Mob] Acho que foi das primeiras vezes que sentimos isso, antes de começar já estava lá people mesmo a sério, a chamar.

[Marco] Isso acaba por ser uma consequência do nosso trabalho de França, porque eu acho que provavelmente nós desde que começamos a tocar lá demos mais concertos lá do que em Portugal. Salvo erro, nós em quatro anos demos 60 e tal concertos só em França, e eu acho que provavelmente não demos tantos em Portugal — mas não começámos logo lá. Isso mostra que a estrada ainda funciona, a pessoa calcando ali a estrada e pressionando as coisas acaba por ter alguns resultados.

Apesar de tudo o que lhe seguiu, o vosso som de assinatura continua a ser estritamente identificado com o Rockuduro.

[Igor] Se calhar é pessoal que já não nos vê há muito tempo.

[Mob] Throes + the Shine foi criado assim, começou-se com a marca desse Rockuduro, portanto independentemente da música que podemos fazer daqui para a frente, seja um fado ou qualquer coisa, o people vai ter sempre na mente que é Rockuduro.

[Igor] O pessoal precisa de um rótulo e esse foi aquele que tivemos no início, e se calhar manteve-se e ainda se vai manter durante uns anos. Também não é uma coisa que nos incomode, percebes?

Era isso que ia perguntar — se não acham isso limitativo.

[Marco] De certa forma, acaba por fazer ainda algum sentido, porque apesar dos instrumentais já não terem muita ligação ao rock, a energia acaba por estar lá na mesma associada a isso. E mesmo a nossa atitude em palco acaba por vir dessa escola ainda, o que algumas bandas que vieram do lado electrónico e assimilaram estas sonoridades se calhar não têm — e nós não teremos algumas coisas que eles têm. A nossa postura sempre foi mais rockeira, mas para a frente guitarra no ar, tocar bateria com força e tudo mais.

Este Enza é o contraponto disso, com um som menos denso. Como é que se incorpora isso no concerto tendo em mente a expectativa de públicos que vos tentam cristalizar no registo do Rockuduro?

[Marco] Já no ano passado, começámos a tocar cerca de sete músicas deste novo álbum, e aquilo que sentíamos era que ter a mistura de algumas músicas mais antigas com essa atitude e as novas é a dinâmica que acrescenta, aquilo já não é soco e pontapé do princípio até ao fim, tem ali uma dinâmica que, apesar de nunca ir realmente abaixo, acaba por dar mais impacto aos momentos que são de energia mais alta, e os que não são têm um groove que o torna divertido à mesma e mesmo para nós estamos ali a senti-lo de uma forma diferente. São dois mundos que acabam por casar bem se criares ali uma dinâmica fixe entre eles, dá para fazer uma flutuação que em concertos de maior duração como às vezes temos de dar — 70 ou 75 minutos como já nos pedem — acaba por funcionar muito melhor nesse aspecto.

No próximo dia 16 de Maio, tudo isto tem estreia oficial no B.Leza.

[Marco] Vamos tocar todas menos a da Selma [Uamusse, em “Keep This Fire Burning”], infelizmente ela não vai poder estar connosco, mas vamos continuar com o Cachupa a tocar a “Solar” connosco, o Mike El Nite a cantar a “Musseque”, a Da Chick vai também tocar a nossa colaboração no disco anterior [“Keep It In”], vamos ter uma participação especial do Jori, que produziu o nosso álbum, a tocar alguns temas… basicamente, vamos passar o disco a pente fino.

[Igor] A que fizemos com os Sotomayor já costumamos tocar, é uma das que mais gostamos de tocar.

Mob, qual é aquela música que não pode faltar no alinhamento?

[Mob] Isso é complicado, são todas boas.

[Igor] Modéstia à parte [risos].

[Mob] Eu gosto muito da “ADN”, foi a primeira música que eu compus e me deu confiança para o resto, porque foi aquela que trilhou o caminho para depois eu continuar, ‘tás a ver?

E é um bom ponto de partida para o álbum: ficas logo a saber o que vais encontrar no disco.

[Marco] Nós quisemos pôr logo uma diferente no início que partisse com as coisas que tivéssemos feito antes, já para dar essa ideia que não vai ser igual aos outros.

[Igor] Essa já é um rock diferente, é um bocadinho metaleira.

[Mob] A “ADN”, a “Musique” e a “Prayer” — eu gosto muito da “Prayer”, porque tem um groove mesmo, sei lá, faz-me lembrar muito o James Brown [risos]. E eu curto aquele funk.

É curioso que não vão tocar a da Selma, que está sempre presente na minha cabeça. Associo-a à “Praça” do Wanga, que também era a última faixa desse disco. Parece-me que têm a mesma energia de continuar a ignição, a festa.

[Marco] Sim, são músicas um bocadinho mais ligadas à parte tradicional, apesar da “Praça” ter aquele final mais eletrónico, mas as linhas da guitarra são um bocado mais presas àquilo que estás mais habituado a ouvir do semba e também tem, mesmo as letras são a puxar para esse lado. Nós por acaso gostávamos de a tocar, mas fazia mais sentido com a Selma, e ainda há-de acontecer num concerto qualquer, tenho a certeza disto.

Em vésperas do lançamento do disco, é terrível questionar-vos acerca do futuro, mas já prevêem algo no horizonte?

[Mob] É assim, é o que eu digo sempre: para o futuro, preparem-se para trazer sapatilhas, roupas confortáveis…

[Marco] Isso é para o presente, para o concerto.

[Mob] Pronto [risos]. Mas o [enfaticamente] futuro, daqui para o concerto ainda é futuro… é isso, roupas confortáveis.

[Marco] Vai ser para ficar quente, o B.Leza.

[Mob] Ya. Vamos fazer uma aeróbica, como estavam a dizer lá no NOS Alive.

[Marco] Encaramos o futuro da mesma forma. Estamos a lançar este álbum agora e queremos tocá-lo bastante; não queremos esperar tanto tempo como esperamos agora entre estes dois álbuns, acho que foi uma fase importante para o fazermos, para descobrir uma nova forma de trabalhar e por causa da mudança no alinhamento na banda, foi importante para dar um break e percebermos como esta nova dinâmica ia ser; estamos super contentes, acho que nunca estivemos tão bem a nível criativo.

E queremos capitalizar nisso, que é talvez se calhar daqui a dois anos ter outro álbum cá fora e queremos começar a trabalhar nele já no próximo ano, para dar continuidade a esta nova relação criativa que criámos. Se este é o primeiro álbum que fizemos desta forma e estamos bastante contentes com ele, acho que daqui para a frente só pode melhorar e para o fazermos temos de começar já a trabalhar em coisas novas, nos próximos tempos.

Daqui a dois anos, encontro marcado.

[Igor] Marcamos já!


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