Spliff: “Acho que se perdeu um pouco o verdadeiro significado de família”

[ENTREVISTA] Ricardo Farinha [FOTO] Made In Lx

Editado no final de Outubro, Risco é o primeiro álbum de Spliff com rimas da sua autoria, alargando o seu leque de argumentos para além da já conhecida mestria nos beats. Nog (Costa Gold), Zizzy (Wet Bed Gang) e KidSimz juntam-se aos membros da sua família, Vulto e Zeca, dupla que também acompanha Dillaz nos espectáculos ao vivo.

Depois de lançar Cria Actividade, EP com o autor de Reflexo989, disco instrumental, e Notas à Parte, curta-duração com HipnoD e Charlie Beats, o rapper e produtor da M75 mostra um conjunto de canções em que foge aos rótulos e abre uma nova rota no seu percurso musical.

 



Há um ano e um mês, quando lançaste o teu primeiro single como rapper, disseste-me que ainda não estava nos planos fazeres um álbum, porque acima de tudo eras o produtor da M75. Essa vontade de mostrares o teu trabalho de rapper cresceu bastante ao longo deste último ano?

É verdade. Honestamente, há um ano e um mês não fazia ideia que hoje ia ter um álbum lançado. Isto sempre esteve dentro de mim, mas há certas coisas na nossa vida que servem de gatilho para dares um passo no escuro. Por isso sim, posso dizer que cresceu imenso. Mas não foi a vontade de mostrar trabalho “como rapper” que cresceu, foi a vontade de mostrar quem eu sou na realidade, eu e a minha música.

Que temas quiseste abordar neste primeiro trabalho? Foi uma coisa que estruturaste ou foram faixas que foram acontecendo?

Não foi estruturado, foi acontecendo. Posso dizer que maior parte das faixas fiz o beat num dia, no dia seguinte escrevi a letra e nessa madrugada já estava a gravar. Outras demorei mais tempo a escrever a letra, porque fui esperando pelo feeling certo para escrever. Mas tinha sempre o beat antes. E foi mais ou menos assim que o meu álbum ganhou forma. Quando dei por mim, creio que desde o “Simplifica”, tinha cerca de cinco faixas que pareciam coesas, e pensei “porque raio não faço um álbum meu, que sempre foi o meu sonho?” E assim foi. Em relação aos temas, o que se pode ouvir são bocados de mim, de partes da minha vida e também algumas críticas aos tempos de hoje…

Ficaram muitas faixas de fora?

Ficaram algumas faixas de fora sim… É normal quando estás a elaborar este tipo de projecto. Tenho faixas que produzi numa madrugada e no dia seguinte fui ouvir e pensei “o que raio se passava comigo ontem à noite?!” E tenho outras que não se identificavam neste álbum…

Como é o teu processo de escrita? Por seres um produtor, escreves sempre para beats? Ou nem por isso?

Sim, escrevi sempre para os beats que ia fazendo. Tens, por exemplo, o “Sem motivo” que fiz uma linha de Rhodes, meti os drums, e de repente já estava na cabine a gravar o feeling que queria usar nesse instrumental. Depois escrevi a letra para aquele feeling. Depois vem o KidSimz e pôs a cereja em cima do bolo. Ou o “Vertigens” que tinha esse beat já a meio gás, e num belo dia aconteceram coisas que me deixaram chateado, para não dizer outra coisa, e escrevi a letra na mesma tarde.

O Risco era precisamente por ser a tua estreia como rapper?

Sim, esse foi o meu risco, sem dúvida. Mas o Risco é tu seres uma coisa aos olhos da sociedade, sociedade essa cheia de rótulos, e estares-te a cagar para isso tudo e fazeres o que sentes, seguires o que queres, mesmo que isso signifique perderes muitos “amigos” ou estatutos.

Neste disco tens participações das pessoas que te são mais próximas. Quiseste manter a coisa em família neste álbum?

Acho que se perdeu um pouco o verdadeiro significado de família, seja na música, seja nas nossas casas. Daí quis mesmo manter isto entre os verdadeiros “meus”, porque o álbum não é só meu, é nosso. Desde as participações, às pessoas que trabalharam em todos os aspectos do Risco. Sem cada um deles isto não tinha sido possível.

Para o futuro, o que podemos esperar do Spliff? Mais trabalho como rapper? Mais trabalho apenas como produtor? Estás mais virado para um dos caminhos?

O futuro é sempre uma incógnita. Mas o Spliff é um amante incondicional de música, é o que vou continuar a fazer, em todos os sentidos. Posso dizer que gostava de ouvir certos artistas nos meus beats sem a minha participação a cantar, e gostava de me ouvir a mim em beats de outros produtores, por exemplo… Mas uma coisa é certa, quando acordo, normalmente vou para o meu estúdio fazer um beat, depois logo se vê o que acontece. Isso nunca vai mudar.

Podemos esperar novos projectos em breve da M75?

Estaria a mentir se dissesse que não… Mas vocês já nos conhecem e sabem que somos reservados, mas adoramos surpresas… É uma questão de irem estando atentos.

 


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