sleep在patterns: “GROWTH simboliza o crescimento enquanto colectivo”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos reservados

“Crescimento” é a palavra destacada pela Slow Habits para assinalar mais um projecto. A editora fundada por sleep在patterns, Rafxlp e Sien está de boa saúde e recomenda-se, arrancando 2019 com uma nova compilação, a segunda desde que abriu actividade em 2017.

GROWTH é explicada por Cláudio Martins como uma espécie de grito de guerra, um importante alimento para o ego de cada um destes produtores envolvidos, que ajudará a trazer confiança para a temporada musical que começou há três dias. A escolha do título vai de encontro ao tal “crescimento” frisado pelo produtor, que tem visto o seu talento ser reconhecido dentro e fora de portas e aponta o mesmo caminho aos seus colegas de editora. Além das caras conhecidas de episódios anteriores — como Oseias., L I Q U I D, E.A.R.L. ou RichardBeats — sleep在patterns deu ainda a possibilidade para que outros produtores outsiders pudessem submeter a sua música para a compilação — Dirty Bungalow, Shiruba e Tsubasa foram os vencedores do casting.

O Rimas e Batidas falou com Cláudio Martins, que destacou o bom momento que atravessam os associados à sua label e falou também do percurso que atravessou a solo em 2018, que ficou marcado por feitos importantes como a edição de um novo álbum ou a banda sonora desenvolvida para o documentário Hip To Da Hop.

 



No dia 1 de Janeiro destacaram o “crescimento”. O que simboliza esta compilação dentro das aspirações que atribuis à Slow Habits para 2019?

GROWTH simboliza o crescimento enquanto colectivo e o progresso que se tem vindo a assistir dos artistas pertencentes à label. A diversidade presente nesta tape está bastante visível e é nisso que temos vindo a focar mais, na individualidade de cada um, que mais tarde se traduz num todo. A tape estava praticamente pronta, levou algum tempo a sair mas penso que saiu na altura certa. O facto de ter saído no dia 1 de Janeiro foi como dar início a uma nova etapa, visto que temos ainda muito trabalho pela frente e ideias que pretendemos desenvolver. Esta compilação saiu com o propósito de motivar o pessoal, dar uma percepção diferente de como este ano pode vir a ser extremamente positivo para todos nós, uma espécie de kick off para dar início a uma nova season com novos caminhos a percorrer.

Houve algum cuidado na escolha dos temas, alguma sonoridade que tenhas procurado explorar mais especificamente?

Nesta compilação, a escolha dos temas ficou ao critério de cada artista e acabou por ser dessa mesma liberdade individual que, naturalmente, o conceito se formou. O crescimento vem daí mesmo. No final, a experiência é cada um ouvir o seu trabalho em contexto com todos os outros e isso torna o conceito de sonoridade relativo, porque ninguém sabe o que o outro fez. Cada um está na sua jornada musical, na procura do seu próprio som e isso reflecte-se sempre a cada tape.

Mas neste release abrimos as portas para submissões e demos a possibilidade de três producers entrarem com trabalhos seus, entre eles foram escolhidos o Dirty Bungalow, Shiruba e Tsubasa, que tornaram o projecto ainda mais dope, sem dúvida.

Que balanço fazes dos 12 meses que se passaram — tanto em nome individual como em nome da Slow Habits — e que planos reservas para 2019?

2018 foi um ano de muita experimentação, que de alguma forma fez com que estivesse mais concentrado nessa busca, nessa procura pelo “som certo” e no desenvolvimento dos conhecimentos adquiridos já dos anos anteriores também. Preferi acumular mais trabalho do que divulgá-lo logo à partida, foi uma opção criativa para manter um outro tipo de coerência. Ainda assim, tive a oportunidade de finalizar um álbum — wake up sleep — que saiu por volta Julho, e durante esse mesmo processo estive juntamente com o LostSoul a trabalhar na banda sonora para o Hip To Da Hop, que mais tarde saiu em áudio no SoundCloud e Bandcamp da Strolinflows.

A Slow Habits está sempre presente. No fundo, parte dela é um principio, uma filosofia que se pode aplicar em tudo basicamente. E durante todos estes processos, as ideias para o colectivo foram-se desenvolvendo ainda mais. O facto de trabalhar em equipa com o rafxlp e o Sien contribuiu ainda mais para a solidez dos nosso próximos projectos, e entre todas essas ideias saiu agora a compilação GROWTH. Planeamos ter muitos mais releases e muito mais conteúdo no decorrer deste ano. Sei que vamos ter muitas surpresas, como acontece todos os anos. A intenção é tornar cada uma delas mais especial que a anterior e evoluir com isso. Enquanto colectivo, pretendemos também estar mais presentes no “mundo físico”, visto que a base que nos sustenta ainda está bastante ligada ao digital, ao networking, às redes sociais, que sem eles também não seria possível estarmos a ter esta entrevista. Um dos objectivos para este ano é realmente podermos ter a possibilidade de sair um pouco para fora dos nossos quartos/estúdios e apresentar parte do que fazemos num contexto mais concreto.

Tendo em conta que 2018 foi um dos anos com maior registo de experiências musicais que já tive, tenho também alguns projectos individuais, como outros direccionados para a Slow, ainda sem datas marcadas. Podemos apenas adiantar que, enquanto label, estamos a trabalhar e a desenvolver ideias sem muita ansiedade ou pressa para que estejam cá fora. É importante chegar perto dos objectivos idealizados e é isso que procuramos, mas tenho a certeza e sei que o pessoal vai surpreender sempre, e que nós vamos aqui estar para dar ênfase a esses marcos que, no final, farão parte da história e do percurso da Slow Habits.

 


[Estreia] Slow Habits: À procura de um lugar ao sol no hip hop português

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira