“Siri” marca a estreia de L-ALI pela Superbad: “Trabalhar com o Here’s Johnny era algo que queria fazer há algum tempo”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

L-ALI acaba de se estrear pela Superbad com “Siri”. A canção solta tem a produção de Here’s Johnny, artwork de Holly Hood e videoclipe de Cru-ew.

É este ano que se assinala o quinto aniversário de SURREALISMO XPTO. O EP de estreia de VULTO. e L-ALI figura entre os mais importantes lançamentos desta década para o hip hop português independente e serviu como carta de apresentação para a dupla, até então dois nomes desconhecidos da maior parte do público. À data, Hélder Sousa estava “verdinho no microfone”, apenas com algumas experiências registadas numa conta de SoundCloud já esquecida pela Internet em que assinava com o pseudónimo HRA.

As rimas endiabradas e as primeiras prestações ao vivo de máscara na cara rapidamente elevaram o nome de L-ALI a rapper de culto, auxiliado também pela sonoridade dos produtores que escolheu para o ajudarem a trilhar um trajecto o mais singular possível — além das inúmeras parcerias com VULTO., o MC de Alfama tem também Pesca e Razat associados aos seus primeiros passos no hip hop. O Conto, CAFÉ, BAÇO, DILÚVIO e LISTA DE REPRODUÇÃO foram os projectos que se seguiram, amealhando também entradas em compilações para a 1980 ou a Língua Nativa.

Após uma estadia de dois anos na Crate Records, L-ALI passou a conviver na colmeia criativa de COLÓNIA CALÚNIA desde 2016, tendo no ano seguinte integrado a turma de novos talentos de ProfJam com “UAIA”, canção que figura no sétimo lugar dos temas mais populares de sempre no canal de YouTube da Think Music — também lançou “BABA” pela editora.

No Verão de 2018, L-ALI protagonizou uma das transferências mais quentes do hip hop nacional, trocando a Think Music pela Superbad e subindo ao palco por várias vezes com o novo emblema ao peito.



Protagonizaste uma das transferências mais quentes do Verão passado dentro do universo do hip hop nacional, passando da Think Music para a Superbad. Como é que tudo aconteceu?

A cena foi natural. Nunca houve propriamente um período de adaptação. Respeito o trabalho deles e já conhecia o Holly Hood há algum tempo, mas isso não fez com que pusesse a hipótese de ir para a Superbad. Numa conversa, essa opção surgiu e achei que fazia sentido. Não que estivesse mal na Think Music, só achei que este era o move certo.

Agora que já tens uns meses de “casa”, como está a ser a experiência, tanto do ponto-de-vista pessoal como artístico?

Sinto que enriqueci a nível pessoal e artístico em todos os sítios por onde passei e vi que aqui poderia continuar a fazê-lo. Já aprendi muito neste curto espaço de tempo, por isso acho que o saldo é bem positivo. Trabalhar com o Johnny era algo que queria fazer há algum tempo, assim como poder aprender com quem já tem anos disto. Desde a estrada ao estúdio, é uma sorte e estou grato por isso.

“Siri” é o teu primeiro lançamento pela Superbad. É inspirado na assistente virtual da Apple? O que nos podes adiantar sobre o conceito da faixa?

Não gosto de spoilar e cada vez mais quero que a música fale por si, deixando a interpretação para quem a ouve. Não quero limitar isso nem “induzir” a nada, sem dar tempo às pessoas para absorverem a malha por si. Mas sim, a “Siri” a que me refiro é a da Apple.

Tens trabalhado com alguns dos produtores mais irreverentes da cena nacional, com o VULTO., benji price, Pesca ou Razat à cabeça, lista à qual agora juntas o Here’s Johnny. Mudou alguma coisa quando iniciaram as primeiras trocas de ideias musicais?

Não. Talvez tenha em atenção a pormenor “x” ou “y” que não tinha anteriormente, mas isso é normal, acho que também é para isso que serve a bagagem. Mas o mindset é o mesmo e a fome mantém-se. Sinto-me um sortudo por ter trabalhado com todos esses produtores.

Focando apenas na “Siri”, descreve-me como foi o processo de criação para chegar a esta faixa.

Por acaso, grande parte do beat já estava feito e ouvi-o pela primeira vez no soundcheck do Holly Hood no aniversário do DJ Kwan no Estúdio Time Out. O Johnny pôs aquilo a tocar, numa de testar o PA, e fiquei logo com aquela cara de “cheira a m****”. Perguntei-lhe o que era aquilo e ele disse que era o último beat que tinha feito e que o tinha feito já a pensar que era para mim. Clutch, fiz-me logo à pista. A partir daí foi ir para estúdio e abordar o beat.

Que planos reservas para o que resta de 2019? Tens mais alguma coisa no forno?

Há sempre coisas no forno… A seu tempo estarão cá fora.


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$.$$$.$$$UPERBAD. 📷 @queragura #superbadallday

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Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
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