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Sete chagas para a eternidade.

Sexta-feira farta: novos trabalhos de Little Simz, João Maia Ferreira, Loraine James ou Sensible Soccers

Há discos que se consomem em meros minutos sem nos impedir de virar a página e mergulhar no próximo. Depois há outros, como os sete aqui reunidos em mais uma Sexta-feira farta do Rimas e Batidas, que são autênticas chagas capazes de nos acompanhar para o resto da vida. Durem eles 15 minutos ou uma hora e meia, cada um é uma viagem que vale a pena repetir vezes sem conta, seja pela pujança das batidas, pelo lado mais etéreo e contemplativo emanado pelas frequências, pelas rimas certeiras ou pelo carácter inventivo e audaz que é criar música sem forma concreta. Há pano para mangas nos registos sobre os quais nos debruçamos nos parágrafos seguintes.

Entre os restantes lançamentos a ter em conta, destacam-se ainda as mais recentes obras de Cabrita (Afterlife), Kristóman (MONO CASTA), Isaura (Primavera), Bejaflor (Bejaflor 3), Bonança (), Seu Jorge (The Other Side), Lelo (Mastiff), Deante’ Hitchcock (Junkie In The Sun), Anastasia Kristensen (Bestiarium Sombre), Alabaster DePlume (Dear Children of Our Children, I Knew: Epilogue), Colombian Drone Mafia (Sueno en Flor), AZ (Do or Die III), J Balvin & Ryan Castro (OMERTA), BIGBABYGUCCI (Asleep at the Wheel), Olof Dreijer (Loud Bloom), Thaiboy Digital & swedm® (Paradise), Submotion Orchestra (Passed Me By), SWAVAY (THE PRELUDE), JWords (Sound Therapy), Max Cooper (Feeling Is Structure), Khôra & Mas Aya (Primordial Mind), Jonny Greenwood, Shye Ben Tzur and The Rajasthan (Ranjha), Guttersnipe (Extinction Burst!), TYGAPAW (Together You Gather All Power Applied Worldwide), Chinese American Bear (Dim Sum & The Some) e Fire-Toolz (Lavender Networks).


[Little Simz] Sugar Girl

4 faixas, 13 minutos. É como um pacotinho de gomas para nos dar aquele boost de açúcar a meio do dia. Tal como tinha feito em Drop 7, Little Simz volta com um novo projeto de curta-duração a apontar para os clubes, afastando-se das sonoridades mais orquestrais que costumam pautar nos seus álbuns. Do rap abrasivo às batidas afro-tech ou ao inde-trap mais textural, Sugar Girl mostra-nos uma artista completamente livre para abraçar a experimentação sem descurar no impacto que cada malha deve causar, auxiliada pelo produtor Jakwob e pelas convidadas 070 Shake, DEELA e JT.


[João Maia Ferreira] Consumir Preferencialmente Antes do Apocalipse

Se é para Consumir Preferencialmente Antes do Apocalipse, é para ser agora. Num momento em que nos aproximamos cada vez mais do abismo, João Maia Ferreira não deixa de assinalar os seus 10 anos de carreira com uma fornada de música nova. São sete temas que lançam um olhar sobre as origens e ajudam a traçar a evolução de um dos rappers e produtores mais influentes hip hop nacional nos últimos anos, tendo sido um dos principais rostos por detrás da Think Music. Do boom bap ao jazz-hop, ficam aqui traçadas as coordenadas que fazem o mapa musical do artista anteriormente conhecido por benji price e é dado o mote para o concerto de celebração marcado o dia 25 de Outubro na Casa Capitão, em Lisboa.


[Loraine James] Detached From The Rest Of You

Loraine James. Hyperdub. Dois nomes que facilmente levam qualquer amante de música eletrónica a bater continência e que juntos formam um cocktail explosivo. A artesã das batidas mais inquietantas da cena IDM volta à editora fundada por Kode9 para fazer vir ao mundo o sexto LP, Detached From The Rest Of You, erguido por muros de minimalismo digital cru e uma honestidade emocional desarmante pela complexidade das temáticas abordadas ao longo das suas 11 faixas. Alan Sparhawk, Tirzah ou Anysia Kym são alguns dos nomes que mais saltam à vista na lista de featurings que ajudaram a aumentar o alcance do espectro sonoro deste disco, feito de referências tão díspares que vão de Ryuichi Sakamoto ao footwork.


[Sensible Soccers & Mad Professor] EP#1 Dub Versions

Sempre em contra-corrente, os Sensible Soccers decidiram lançar primeiro as remisturas e só depois os originais daquele que será o seu próximo capítulo discográfico. O regresso da banda aos álbuns até podia ser a maior das notícias, mas o facto de ser o lendário Mad Professor, uma das maiores autoridades da cena dub, a rubricar os três remixes é um grande evento por si só. A sensibilidade cósmica do engenheiro e produtor de 71 anos faz chegar ao ponto rebuçado “Dub de Saia Travada”, “Berlaitada Dub” e “Dub Discreto” através de métodos de confecção a lume brando, fintando a imediatez do presente digital. Cinco anos depois de Manoel, os Sensible Soccers regressam quer aos lançamentos, quer aos palcos, já que têm encontro marcado com o público esta noite na Casa Capitão, em Lisboa.


[Black Milk] CERIMONIAL

CERIMONIAL espelha a evolução criativa alcançada por Black Milk no seu estúdio caseiro Stank Babies, em Detroit, e extravasa por completo a ideia de um disco de rap tradicional. A composição inicial, “THE FAZES”, podia muito bem ter sido extraída de um álbum dos Pink Floyd; “In The Sky” faz lembrar o lado mais psicadélico de um Kendrick Lamar caído no caldeirão do jazz de vanguarda em To Pimp a Butterfly; já “The Lift Off” facilmente podia ser um instrumental excedentário da fase Black Messiah de D’Angelo. No fundo, CERIMONIAL é um disco de hip hop para amantes de música sem fronteiras e mais uma prova de que Black Milk continua a ser um dos nomes mais interessantes de acompanhar nas camadas mais subterrâneas da cultura.


[Action Bronson] PLANET FROG

Action Bronson fez da sua mais recente obra musical um drop gigante, envolvendo peças de roupa da sua autoria e em colaboração com marcas como a Oakley ou a New Balance. Se as carteiras não vos permitirem ir às compras, a música será sempre mais acessível. Nesse capítulo, PLANET FROG reúne 13 faixas que deslizam facilmente graças ao inconfundível estilo do rapper de Nova Iorque, que nos presenteia com algumas das suas barras mais insanas, uma estética vintage a fazer lembrar as cassetes de fita e um leque de convidados invejável, entre os quais encontramos gente como Paul Wall, Lil Yachty, Meyhem Lauren ou Roc Marciano.


[Laurie Anderson & Sexmob] Let X=X (Live)

A dias de se apresentar em Portugal num par de datas — primeiro no CCB (Lisboa) a 31 de Maio, depois no Theatro Circo (Braga) a 2 de Junho —, Laurie Anderson vê a Nonesuch Records editar um registo ao vivo da colaboração de palco que tem levado a cabo com a banda Sexmob. Intitulado Let X=X (Live), este extenso disco, com mais hora e meia de duração, é composto por 23 canções, entre as quais se encontram clássicos incontornáveis da artista, em performances captadas durante uma digressão mundial que aconteceu em 2023 e 2024.

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