Sexta-feira farta: novos trabalhos de Homeboy Sandman, Floating Points, DJ Spinn, clipping. ou Rastronaut

[TEXTO] Pedro João Santos [FOTO] Johnny Navarro

Chegados a meio de Outubro, a chuva já nos começa a molhar — mas o que interessa é o dilúvio de sexta-feira. Há um arsenal de música acabada de chegar, que se orienta para batidas mais pesadas, colaborações mais intensas e histórias mais densas.  

À la carte, o regresso de Floating PointsHomeboy Sandman e DJ Spinn; a união artística de Smoke DzaBenny the Butcher e Pete Rock; a continuação da exploração histórica de Matana Roberts, que vem ao lado de um violento novo disco dos clipping. e as batidas de Rastronaut. No mínimo, é petiscar. 


[Homeboy Sandman] Dusty  

À HipHopDX, o rapper de Queens, no activo desde 2007, fala de ter de escrever rimas “para não enlouquecer”. Mas, ao gravar este novo álbum, Homeboy Sandman viu-se dominado antes pelo júbilo e pela tranquilidade. Dusty é a sua primeira edição na independente Mello Music Group; uma das faixas conta com o convidado especial Quelle Chris (que, em 2018, editou Everything’s Fine em colaboração com Jean Grae). 


[Floating Points] Crush 

Alguém pediu um neurocientista? Crush é o primeiro lançamento de Sam Shepherd desde que foi curador de um volume das Late Night Tales; um disco mais intenso, concebido durante cinco meses de digressão com os The xx, em que a sua música se tornou “obtusa e agressiva”. Se a capa parecer um “cosmos de cor”, é apenas “uma pequena bolha numa lente macro”, deslocada pelas “frequências do meu [sintetizador] Buchla”, diz o artista. Se há pouco tempo era fácil imaginar a música de Floating Points a nascer desta forma, Crush aponta para algo diferente e mais intenso. 


[DJ Spinn] Da Life 

Ao fim de quatro anos, DJ Spinn sai das sombras: o seu novo EP é descrito como uma miscelânea de G-funk, juke de Chicago e slowies de hip hop. Mais um capítulo para o legado footwork que supervisiona enquanto capitão da Teklife, casa fundada por DJ Rashad e da qual recruta DJ Manny como colaborador. Da Life sai com a chancela da Hyperdub. 


[Smoke DZA, Benny the Butcher e Pete Rock] Statue of Limitations  

Um trio de ataque diretamente de Nova Iorque para esta sexta-feira. Smoke DZA e Benny The Butcher unem forças com o produtor Pete Rock em Statue of Limitations. Uma Estátua da Liberdade convertida em pistola-metralhadora serve de capa, e é a energia que podem esperar de um EP que convida Styles P, Conway the Machine e Westside Gunn.  


[Matana Roberts] COIN COIN Chapter Four: Memphis  

A saxofonista Matana Roberts entrega Memphis, o quarto capítulo de COIN COIN, uma saga que é um “exercício reflexivo, etnográfico e historiográfico” (escreveu André Forte no ReB) sobre a identidade afro-americana, que já corre há mais de uma década. Rasgos da spoken word em que é perita, jazz permeado de afrofuturismo, e novelos que atravessam anos de história pessoal e universal.   


[clipping.] There Existed an Addiction to Blood  

No seu novo álbum, os clipping. desenham as suas letras à luz da sua assinatura sonora: as batidas abrasivas e industriais. O hip hop contundente torna-se horrorcore, num disco graficamente violento que recua até à época de ouro dos Geto Boys. 


[Rastronaut] Portas EP 

Numa pausa das suas lides na Enchufada, João Silva junta três faixas que cruzam o UK funky com o som sincopado da Afro-Lisboa. O resultado é o EP Portas, editado pela Roska Kicks & Snares. 

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