O Salão Brazil chega aos 100 anos em 2026 e Coimbra começa a celebrar essa redonda história já no próximo dia 4 de Julho, Dia da Cidade. O Jazz ao Centro Clube preparou para essa data uma jornada de entrada livre que se espalhará pelo próprio edifício, pelo Largo do Poço e pela Praça do Comércio, juntando concertos, exposições, visitas, propostas de arte participativa e a recuperação do histórico Baile da Rosa.
O centenário toma como referência a primeira ocupação comercial conhecida do edifício, em 1926, quando ali funcionou a Panificação de Coimbra. Antes de se afirmar como uma das casas culturais mais reconhecíveis da Baixa, o espaço teve várias vidas: foi padaria, salão de jogos, pensão e restaurante. Essa sucessão de usos ajuda também a contar uma parte da história urbana de Coimbra, feita de permanências, mudanças de função e camadas de memória que se foram acumulando no mesmo lugar.
A festa de 4 de Julho abre um programa comemorativo que se prolongará ao longo do ano e que pretende olhar para o Salão Brazil não apenas como edifício histórico, mas também como espaço vivo, ligado ao presente e ao futuro da cidade. Nesse sentido, uma das dimensões mais relevantes da programação passa pela apresentação dos resultados da primeira oficina do LabCC – Laboratório de Cidadania e Cocriação do Salão Brazil.
Criado pelo Jazz ao Centro Clube na sequência do processo participativo Ca(u)sa Comum, iniciado em 2025, o LabCC juntou cidadãos, vizinhos, comerciantes, estudantes, artistas, investigadores, técnicos e instituições em torno de um objectivo concreto: imaginar soluções para tornar o Salão Brazil e o Largo do Poço espaços mais acessíveis, acolhedores e disponíveis para novas experiências culturais e comunitárias.
A oficina “Ensaiar a Cidade” trabalhou propostas de intervenção no rés-do-chão do edifício, na relação entre o Salão Brazil e o Largo do Poço e na reactivação deste espaço público da Baixa, incluindo a sua fonte histórica. As propostas serão mostradas ao público durante o dia 4, dando uma dimensão prática ao centenário: celebrar o passado, sim, mas também discutir o modo como este território poderá ser vivido nos próximos anos.
A programação artística inclui a exposição Flores de Coimbra, de Carlos Costa, a Casa Aberta “Há Mais Salão”, DJ sets e um concerto de Sara Serpa e Matt Mitchell, dupla que levará ao Salão Brazil uma das linguagens mais singulares da criação jazzística contemporânea. Também no Salão Brazil será apresentada a peça Corrupted Memories // Future Ruins, por Caucenus & Zhang Qinzhe.
O encerramento da noite ficará entregue ao regresso do Baile da Rosa, tradição da história social e cultural de Coimbra agora recuperada para assinalar o centenário. Com música do grupo Telefonia, o baile ocupará a Praça do Comércio e transformará o espaço público num salão ao ar livre, aberto à participação de diferentes gerações.
As comemorações de 4 de Julho são promovidas pelo Jazz ao Centro Clube, com o apoio da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, do Município de Coimbra e do projecto europeu EMCCINNO – Empowering CCIs to Boost Systemic Innovation for Sustainable Climate Transition, financiado pelo programa Horizonte Europa da União Europeia.
[Programa de 4 de Julho, entrada livre]
Manhã
Mostra dos resultados das intervenções do LabCC – Laboratório de Cidadania e Cocriação | Largo do Poço
Casa Aberta “Mais Salão” | Salão Brazil
Exposição Flores de Coimbra, de Carlos Costa | Salão Brazil
Tarde
Casa Aberta “Há Mais Salão” | Salão Brazil
Concerto Sara Serpa & Matt Mitchell | Salão Brazil
DJ sets
Noite
Baile da Rosa com Telefonia | Praça do Comércio
Caucenus & Zhang Qinzhe — Corrupted Memories // Future Ruins | Salão Brazil