Roger Plexico: “90% das nossas referências estão lá fora”

[ENTREVISTA E TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados

 

Roger Plexico – duo composto pela dupla de produtores Slimcutz e Taseh – tem vindo a criar ondas, mesmo que discretas, com os seus álbuns em nome próprio e o trabalho em colaboração com Ace (Mind da Gap). O design, a identidade envolvida em secretismo e a produção musical fresca foram três atractivos iniciais para a descoberta de uma figura especial ligada à Monster Jinx, um colectivo com espalhado por todo o país.

O Rimas e Batidas tem sido parceiro atento nesta caminhada: Rui Miguel Abreu entrevistou a dupla e escreveu crítica a No Man’s Land em Junho de 2015 e Ricardo Miguel Vieira falou com Ace a propósito do álbum em conjunto com Roger Plexico. A nova conversa com Roger Plexico – agora conduzida por Alexandre Ribeiro – deu-se a propósito do lançamento dos instrumentais de Roger Plexico & Ace.

 


Vocês começaram o projecto envoltos em algum mistério – sem mostrar nomes nem caras -, mas rapidamente caiu a “máscara”. É impossível manter um certo secretismo no universo musical português ou nunca foi vossa intenção manterem as vossas identidades ocultas?

Desde o início que o objectivo nunca foi sermos o “Roger Plexico” e daí termos deixado cair esse mistério tão cedo.  A finalidade sempre andou à volta do que é a história fictícia de uma personagem que viveu toda a sua vida em função da música que se fazia no mundo.
Who is Roger Plexico, No Man’s Land e o álbum com o Ace são dissonantes de quase tudo o que se tem feito em Portugal em termos de produção. Vocês sempre olharam mais lá para fora do que cá para dentro?

90% das nossas referências estão lá fora, mas penso que isso também acontece com os outros artistas. Há uma preocupação grande em tentar fazer algo diferente, por muito que isso seja difícil hoje em dia. Acima de tudo, procuramos perceber qual é que é o “som” de Roger Plexico e absorver o máximo de coisas diferentes para lá chegar.

A questão do instrumental viver sem o MC e o MC não viver sem instrumental é uma das partes mais importantes no hip hop. Os instrumentais deste álbum foram feitos sem pensar que alguém iria rimar em cima deles?

Ao contrário dos EPs Who is Roger Plexico e No Man’s Land, os instrumentais do álbum com o Ace foram feitos a pensar que alguém iria rimar em cima deles, apesar de muitas vezes,  mesmo depois de termos a ideia inicial feita, decidirmos levar a música para outro caminho e não passarmos o instrumental ao MC.

 



Existe algum MC em particular com quem gostariam de fazer um álbum em colaboração (nacional ou internacional)?

Neste momento, andamos completamente fascinados com o Anderson .Paak.

Anunciaram há algum tempo um remix de “BruceGrove”, do novo álbum do Keso. Roger Plexico tem apetência especial por MCs do Norte?

Nós somos do Porto, logo acabamos por conhecer muito mais músicos do Porto do que de qualquer outro lado do Pais. Se fossemos viver para Lisboa, provavelmente daqui a 1 ano estaríamos a trabalhar com outras pessoas porque outras oportunidades iriam surgir.  Damos muita importância ao lado pessoal e a empatia que criamos com os outros artistas e isso é que nos leva a fazer musica juntos. Nós, por exemplo, nunca combinamos nada com o Keso, mas como frequentamos os mesmos sítios acabamos por beber umas cervejas juntos. Quando juntas isto ao facto de ambos gostarmos da música um do outro, geralmente faz com que a colaboração surja naturalmente.

Como membros de um dos colectivos mais criativos da produção nacional, como é que olham para os produtores que vão aparecendo? Existe alguém que andem a ouvir com maior regularidade?

Estamos numa fase de desenvolvimento de novos lançamentos dentro da Monster Jinx, por isso andamos um bocado desligados do mundo exterior. Estamos mais focados nos nossos artistas, nos seus novos projetos e na melhor forma de aprimorar o som próprio de cada um.

O hip hop e a electrónica andam de mãos dadas na vossa música e ambos têm ganho particular destaque nos últimos anos. Concordam com Kanye West quando ele diz que o rap é o novo rock’n’roll?

Claro que sim!  Neste momento o rap, e tudo que está há volta dele, está num patamar elevadíssimo.

Quais são os vossos planos para o futuro? O que é que se segue?

Estamos a preparar muita coisa nova neste momento. Temos planeados 2 EPs para sair entre o fim de 2016 e o início de 2017, para além do nosso primeiro álbum que também queremos lançar durante o próximo ano.