Quatro anos de Rimas e Batidas: a mesma vontade de fazer mais (e melhor)

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Sickonce

Diz-se que cada aniversário significa o fim de um ciclo e o início de outro, mas, falando no caso específico do Rimas e Batidas, essas etapas são demarcadas por acontecimentos invisíveis para o público, porém, significantes para uma redacção digital que se vai moldando e adaptando aos tempos em que vivemos — e, até aqui, sem ceder à febre do clickbait e da notícia cor-de-rosa inofensiva que gera cliques fáceis. Pode parecer pouco, mas basta olharem à vossa volta (e apontando exclusivamente para Portugal) para perceberem que há uma aparente acomodação àquilo que a agência Lusa tem para dar e uma despreocupação preocupante em informar, dando primazia à coscuvilhice barata.

Como existe essa ralação com a transparência deste lado — se há mistério por desvendar, façam favor de utilizar a caixa de comentários para colocarem as vossas questões –, começo por pegar nos números do site no último ano recorrendo ao Google Analytics. Pouco mais de 1 milhão de pageviews e, entre as 10 páginas mais vistas, temos:

Dará para tirar ilações a partir deste top 10 (os 10 seguintes incluem um ensaio que enquadra o “hip hop como a força de expressão maior da música de intervenção em Portugal nos últimos 25 anos”, a crítica a Adoro Bolos de Conan Osiris, a reportagem sobre o evento que celebrou a história do Hip Hop Tuga na Altice Arena ou um par de curtas sobre Wet Bed Gang e Valete), e estas são três das que tiro:

  1. recusámo-nos a explorar o desaparecimento de artistas, algo que, como podem perceber, daria um interessante fluxo de entradas;
  2. não nos obrigámos a falar sobre a Força Suprema para além do que achámos necessário — a última peça com o nome do colectivo no título data de 2017;
  3. demos uma voz a artistas que não tinham expressão na imprensa nacional, como são os casos de IAMDDB, Apollo G e os de rap BR.

Tudo isto com uma equipa jovem (grande parte tem menos de 30 anos) com uma visão muito inclusiva e abrangente das matérias sobre as quais podemos (e devemos) escrever. Fiquem com algumas das pessoas que mereceram a nossa atenção: Pedro Mafama, Rosalía, Conan Osiris, Umbra, Xtinto, JPEGMAFIA, Jon Hopkins, Four Tet, Flying Lotus, Amber Mark, YOUNGSTUD, Children of Zeus, Stormzy, Travis Scott, Tom Misch, Saul Williams, Keso, Aretha Franklin, Lauryn Hill, Kool G Rap, Kamaal Williams, Mansur Brown, Noname, April + Vista, T-Rex, Arca, H.E.R., Capicua, Montanhas Azuis, Earl Sweatshirt, Young Thug, Bad Bunny, Pi, 6LACK, Stereossauro, Branko, Nel’Assassin, Madlib, Freddie Gibbs, Leikeli47, HHY & Macumbas, Billie Eilish, Mike El Nite, Gonçalo Penas, MGDRV, Mark Stewart, Batida, Pye Corner Audio, Studio Bros, C. Tangana, Angel Bat Dawid, Makalister, Chassol, Simon Reynolds, Black Bombaim, PRhyme, NERVE, Beautify Junkyards, Gson, Violet, PEDRO, Blockhead, Gaika, Conductor, DJ Marfox, Alcool Club, Vasco Martins, SP Deville, Kayla Painter, niLL, Nazar, Mz Boom Bap, X-Tense, Moullinex, Odete, 11Lit3s, LYFE, Hyzer, Conjunto Corona, Tilt, Flatbush Zombies, Saba, Janelle Monáe, Mr. Fingers, Pusha T, Kanye West, Jon Hassell, serpentwithfeet, Drake, SOPHIE, Jorja Smith, Armand Hammer, Blood Orange, Playboi Carti, Telectu, Mac Miller, COLÓNIA CALÚNIA, Hermit and the Recluse, Dino D’Santiago, Papillon, J.I.D, Benny The Butcher, Smino, Kai Whiston, Uno, Dawn Richard, Mishlawi, LUCKI, Black Taffy, Little Simz, The Comet Is Coming, Sensible Soccers, ProfJam, Dave ou IVVVO. Estes nomes tiveram o seu espaço em críticas, ensaios e entrevistas no período compreendido entre 20 de Abril de 2018 e 20 de Abril de 2019.

Quatro anos depois da fundação deste projecto, ainda existe muito para melhorar e aprender. Para já, encontra-se em construção um site novo que nos permitirá almejar outros patamares mais ambiciosos. A ideia, como sempre, será crescer sem dar um passo maior do que a perna. Quer dizer, às vezes não faz mal arriscarmos uma passada mais longa: no passado fim-de-semana, o Rimas e Batidas marcou presença em três festivais (Som Riscado, em Loulé, Westway Lab, em Guimarães, e Tremor, na ilha de São Miguel, Açores), um teste ao nosso empenho, organização e flexibilidade musical — para quem ainda se pergunta se o ReB é uma publicação exclusivamente de hip hop, o melhor é irem rever todos os artigos desde o primeiro dia…

Para rematar esta espécie de revisão festiva, não deixa de ser importante ressalvar que a trave-mestra da nossa visão editorial continua a ser a mesma: olharmos com curiosidade e fascínio para música (com poucas limitações de género) que se fez, que se faz e que ainda se vai fazer.