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Texto: ReB Team
Fotografia: Ana Dinis
Publicado a: 15/04/2026
Tags: Plaka

Afro-psicadelismo a caminho das DAMAS.

PLAKA: “Cremos que ‘afro-psicadélico’ sejam as melhores palavras para definir o nosso som”

Texto: ReB Team
Fotografia: Ana Dinis
Publicado a: 15/04/2026
Tags: Plaka

Como uma PLAKA tectónica que leva os ritmos africanos a embater com o psicadelismo, surge um novo trio formado por Márcio Góis (guitarra), Jorge “Cientista” Carvalho (bateria e percussão) e Luís Dixe Masquete (baixo). Nascidos em Barcelos, estrearam-se nos lançamentos com o single “Xiró”, que deixou água na boca em Dezembro passado, confirmando depois a promessa com “Ode Ye Owu”, onde prestam homenagem explícita ao lendário Ebo Taylor. Entre o afrobeat, o highlife, o desert blues do Mali e referências aos PALOP — de Os Tubarões a Bonga —, este conjunto de músicos soma ainda camadas de surf rock e escalas vindas do mundo árabe, da Etiópia ou do Japão. O resultado é um caleidoscópio de cores improváveis, tão dançável quanto alucinado.

No próximo dia 17 de Abril, os PLAKA sobem ao palco das DAMAS, em Lisboa, para um double bill a meias com os Gume recheado de groove. Depois de dezenas de atuações entre Portugal e a Galiza — primeiro numa fase de improviso solto, agora com um conjunto de malhas já fechadas —, a banda chega a este momento com uma energia mais apurada e uma identidade bem vincada.

Numa breve troca de impressões com o Rimas e Batidas, Márcio, Jorge “Cientista” e Luís Masquete contam como surgiu o projeto, explicam as coordenadas do seu som afro-psicadélico e antecipam o que se segue para lá dos dois primeiros temas. Falam das inspirações — que vão de Pat Thomas a Ali Farka Touré —, da passagem da jam à composição e da ambição de transformar esta química num álbum de maior fôlego. Fica a certeza: PLAKA tem força para fazer tremer a música mais ligada à terra.



Como é que surgiu este projecto?

[Márcio] Este projeto surge da já antiga vontade do Jorge “Cientista” formar um trio, começa a ganhar forma quando ele me conheceu no festival Clube de Rua em Esposende. O match foi perfeito e depois de algumas sessões de jams e conversas sobre música ficou claro que só faltava uma peça para completar o puzzle. O já conhecido por um, e admirado por ambos, Luís Masquete foi então convidado para se juntar à festa e, desde a primeira jam, ficou-nos claro que o trio estava formado e tinha pernas, não só para andar, mas também para dançar.

O som do trio é muito particular, uma espécie de take psicadélico de algumas coordenadas da música africana. O que é que vos inspira? Que músicos, bandas e cenas musicais vos guiaram até aqui?

[Márcio] Cremos que essas sejam as melhores palavras para definir o nosso som, “afro-psicadélico”. Contudo sabemos que qualquer tentativa de resumir tão facilmente qualquer projeto ambicioso seja sempre uma missão impossível, embora seja bom, por vezes, poupar a redundância. A influência africana é inegável, desde o primeiro momento que o afrobeat e o highlife estão presentes nas criações. Artistas lendários como Pat Thomas e Ebo Taylor (a quem prestamos homenagem no nosso segundo single “Ode Ye Owu”) têm lugar carimbado nas nossas inspirações. As influências viajam desde a Nigéria e Gana muito facilmente até ao Mali, onde a Vieux e Ali  Farka Toure, principalmente, deixam uma marca palpável na exploração do desert blues, mas também para os PALOP, onde a infinita entrega de grande música por parte de artistas como Os Tubarões, David Zé, África Negra ou Bonga servirá sempre de refúgio para qualquer amante de world music. Juntamos a isso uma vontade de explorar novos sons, seja com escalas exóticas que podem vir do mundo Árabe, da Etiópia ou do Japão, a ritmos raramente experimentados com estas sonoridades, e colocamos tudo numa tapeçaria pintada com cores de surf rock e rock psicadélico, criando algo novo e excitante. 

Já há dois temas no Bandcamp. São os primeiros sinais de algum trabalho de maior fôlego?

[Masquete] Como a coisa colou bem desde o primeiro ensaio – como disse o Márcio – é normal que a ideia de nos tornarmos uma banda “a sério”, dar concertos e imaginar-nos a fazer um álbum nos tenha surgido muito rápido. Quando lançámos a “Xiró” (o nosso primeiro single) em Dezembro, a ideia do disco era apenas uma fantasia. Realista, inevitável, mas ainda uma mera fantasia, visto não termos nada mais “palpável” para apresentar. Já com a “Ode ye Owu” foi diferente. Quando a lançámos já tínhamos um set mais ou menos formado. Cru, com muitas pontas soltas, mas claramente com um fio condutor que fomos aprimorando semana a semana. Portanto, no que toca à tua pergunta do disco, diria que o primeiro single não foi propriamente um sinal, mas o segundo sim.

Sobem ao palco das DAMAS na próxima sexta-feira. Como têm corrido os concertos anteriores e qual o repertório que têm usado nessas atuações?

[Cientista] Tem sido um show de bola. Os concertos começaram pouco depois dos primeiros ensaios, nomeadamente em Espinho (num evento com o selo da Salitre), investindo nos pergaminhos do improviso, os quais percorremos durante algum tempo, inspirando-nos não apenas na nossa perspectiva mas também na do público… porque o público também teve um papel importante na composição e na definição das nossas músicas. Basicamente tem sido uma jornada progressiva, sendo que neste momento já deixámos de parte o improviso e apresentamos um set com as malhas praticamente fechadas. Ou seja, em meio ano, dividimos a coisa em duas partes: uma primeira fase onde demos mais de uma dezena de concertos entre Portugal e a Galiza à base da jam, e outra em que demos mais de uma dezena de concertos entre Portugal e a Galiza onde já assumimos as nossas próprias composições. Portanto, resta-nos seguir em frente, mantendo a fasquia acima da dezena de concertos e, se possível, com o GPS bastante mais para lá do que a Galiza.


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