Os Mandamentos do Moisés #10: Não esquecerás o hip hop tuga

[TEXTO] Moisés Regalado [ILUSTRAÇÃO] Riça

Este mandamento não significa exactamente o mesmo que o primeiro (“Não subestimarás o rap português“). Rap e hip hop não significam necessariamente o mesmo — o que até nem será o caso — mas a diferença não estará aí. O termo “rap português”, mais abrangente, carece da carga emocional do “hip hop tuga”, mais exclusivo. Não necessariamente na sonoridade ou nas temáticas, ainda que esse ponto não esteja livre de discussão, só que o essencial reside sobretudo na identidade, que ultrapassa os limites estéticos ou comerciais.

O que distingue, então, o rap português do hip hop tuga? Bem, não interessará discuti-lo, ou não será, pelo menos, interesse destas palavras dissecá-lo, mas é relevante destacar uma das qualidades mais nobre do hip hop tuga: a militância. Não que não a haja noutras esferas, ou na abrangência do rap português, só que o amor à camisola, nem sempre sentido quando o assunto é “só” música, nunca abandona quem milita. Ao contrário das views, do público ou das oportunidades, que passam ao lado da maioria dos intervenientes, mesmo numa altura em que o rap bate recordes.

Pode dizer-se, então, que quem faz rap português em função da satisfação e não dos resultados está a fazer hip hop tuga. Este, não sendo parâmetro único, será um dos mais relevantes pontos da questão. Daí que, de forma a encerrar os dez “mandamentos”, me interesse antes destacar alguns que melhor evocam e representam isto a que se chama hip hop tuga — mais do que reforçar os conceitos que fui desenvolvendo ao longo dos textos anteriores, e que o tempo tratará de confirmar ou desmentir.

 


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