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Texto: ReB Team
Ilustração: Riça

De ProfJam a COLÓNIA CALÚNIA.

Os 5 melhores vídeos nacionais de 2019

Texto: ReB Team
Ilustração: Riça

Há uma pergunta simples que se deve fazer para começar a discussão sobre o que torna um videoclipe digno de nota: acrescenta algo à música que aborda? Nos últimos anos, e com o crescimento exponencial da popularidade do rap português, o nível de realização tem acompanhado a evolução que se reflecte em projectos mainstream (como são os casos de ProfJam e Wet Bed Gang) ou underground (com COLÓNIA CALÚNIA ou Classe Crua a erguer a bandeira).

Não há apenas uma maneira de fazer um bom vídeo e é importante que isso seja assinalado, desenvolvido e comemorado. Aqui fica o nosso contributo para essa celebração.


[PROFJAM] “À Vontade” (1º lugar) / Realização: André Costa Santos

Bem lançado para se aproximar dos 10 milhões de views quando completar um ano de exposição no próximo mês de Março, o vídeo que André Costa Santos assinou para “À Vontade” é um exercício de simbolismo que serve os propósitos de ProfJam, um MC que ascendeu à primeira divisão a brincar com as palavras mas que fez sempre questão de as mergulhar em profundos, ainda que codificados, significados. Com um longo plano que a que sucedem vários enigmáticos quadros, este clipe cumpre na missão de ser algo mais do que uma mera ilustração visual de um tema: é um livro aberto, cheio de recantos secretos onde nos perdemos uma e outra vez. Os hinos merecem registos visuais assim.

– Rui Miguel Abreu


[PEDRO MAFAMA] “Lacrau” (2º lugar) / Realização: André Caniços

O tom sombrio do vídeo que André Caniços criou para a infecciosa “Lacrau” de Pedro Mafama busca inspiração gráfica nos rituais mágicos em que as marcas do cristianismo se cruzam com mais ancestrais práticas “pagãs”. Há velas e penumbra, luz difusa que entra por janelas e iconografia de cariz religioso variada, mas noutros quadros é a Lisboa que ainda sobrevive nos azulejos, nos balcões e nos terraços que se insinua nos nossos olhos, com movimentos de câmara ajustados ao tom dolente do tema que conta com beat de PEDRO. Parte importante do carácter imersivo deste clip é o trabalho de iluminação concebido por Pedro Patrocínio, a traduzir na perfeição esta ideia de uma Lisboa secreta que ainda sobrevive, autêntica, aos ventos da gentrificação.

– Rui Miguel Abreu


[BRANKO, SANGO, COSIMA, PROFJAM] “Hear From You” (3º lugar) / Realização: Augusto Fraga

A direcção só pode ser a certa quando a imagem se alia da melhor forma à música. Em 2019, Branko assinou Nosso, um dos melhores álbuns nacionais para o ReB, que subiu ainda mais um degrau quando, em Novembro, teve “Hear From You” como ponto de partida para novas rimas de ProfJam, também ele um dos nomes em maior destaque relativamente à colheita musical do ano passado.

A Nosso poderíamos apenas apontar a falta de um rapper nacional para que o quadro da música urbana em Portugal ficasse retratado da forma mais fiel possível, algo “corrigido” pela remistura de “Hear From You”, canção reapresentada com aquele que será certamente um dos videoclipes mais ambiciosos de que temos memória a nível da produção. Uma empreitada da Krypton Films em que Augusto Fraga dirige uma cena de guerra pelos estaleiros abandonados da Lisnave. Explosivo.

– Gonçalo Oliveira 


[CLASSE CRUA] “Treinar Para Ser Um Milionário” (4º lugar) / Realização: Diana Antunes

Em “Treinar Para Ser Um Milionário”, a realizadora Diana Antunes fez um retrato da vida urbana (e nocturna) com um conjunto de pequenos episódios possíveis de observar de uma qualquer janela. Sendo este videoclipe ao estilo one-take, os movimentos de câmara teriam que ser um dos pontos-fortes… e foram! Outro destaque é a utilização sublime da luz: o realce dado a certos elementos (que são envoltos num manto negro) cria o ambiente sombrio que a música invoca. Um clipe simples mas impressionante, que cumpre muito bem tudo a que se propõe, principalmente ao colocar-nos, ao mesmo tempo, como espectadores e elementos integrantes das histórias que conta.

– Luis Almeida 


[WET BED GANG] “Head na Glock” (5º lugar em ex aqueo com “Forever Young” e “Pedaço”) / Realização: André Caniços

Os Wet Bed Gang não podiam deixar o ano acabar sem mais uma das suas curtas-metragens, e André Caniços não podia terminar 2019 sem voltar a atacar os videoclipes portugueses com um trabalho memorável. Começando pela escolha do elenco, especialmente Sara Tavares, que representa uma mãe de coração destroçado depois de perder o seu filho e que entrega ao filme uma performance digna de grandes palcos ou salas de cinema. Mas todo o casting é irrepreensível. Não é comum vermos em Portugal tantos actores negros a ter a oportunidade de entregar dramatismo e profundidade a uma obra e isso — esperemos nós — irá certamente obrigar outros criadores a ter esse factor em conta para futuros trabalhos.

– Luis Almeida


[TNT] “Forever Young” (5º lugar em ex aqueo com “Head na Glock” e “Pedaço”) / Realização: Follow Creative Studios – Kier

Nos últimos três anos, António Freitas fez mais do que o suficiente para que o seu nome mereça estar cravado na história do hip hop português. O realizador da Follow Creative Studios começou por desvendar em 2017 as primeiras imagens da sua estreia no formato longa-metragem — o documentário Hip to da Hop, criado em parceria com Fábio Silva, procurou traçar a evolução da música esculpida a rimas e batidas no nosso país junto de alguns dos seus mais emblemáticos intervenientes. Tal homenagem à cultura hip hop só podia valer-lhe colaborações futuras com alguns dos nomes da nossa praça da música urbana.

O tom saudoso e nostálgico com que capta e trata as suas imagens funcionaram às mil maravilhas para ilustrar temas de Pedro Mafama, Branko ou Strolinflows & Silab n Jay Fella. Outro dos seus clientes foi TNT, que antecipou o seu último EP com “Forever Young”, cujo videoclipe recupera memórias de uma juventude vivida a sul do Tejo, uma espécie de west coast norte-americana plantada em território nacional.

– Gonçalo Oliveira 


[COLÓNIA CALÚNIA] “Pedaço” (5º lugar em ex aequo com “Head na Glock” e “Forever Young”) / Realização: Sebastião Santana

Não houve nenhum outro álbum que conseguisse fazer frente a [caixa] no que toca a rap alternativo ou underground em 2018. Secta até já nos tinha colocado em sentido na MARCHA, mas confirmou toda a mestria com a caneta quando se comprometeu a deambular na escuridão ruidosa e descompassada orquestrada por Metamorfiko. Um ano após a chegada à esfera digital, rapper e produtor voltaram a mergulhar no “melhor disco do ano que quase ninguém vai ouvir”, recuperando uma nova colaboração com Sebastião Santana, que já tinha explorado o lado visual da dupla em “CAIXÃO”.

Mais experimental que o seu antecessor, o vídeo de “PEDAÇO” explora a distorção de uma silhueta, que é obtida através de um vidro, num cenário inspirado na “cor do céu da boca d’um estrumfe”. E no final há brinde…

– Gonçalo Oliveira

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