No dia 26 de Setembro, a Casa Capitão (Lisboa) e a Casa da Música (Porto) recebem uma das mais duradouras e influentes instituições da música brasileira: os Azymuth.
Sob a liderança do único membro original sobrevivente, o baixista Alex Malheiros, a banda mantém a sua chama com Kiko Continentino (que tocou quase 25 anos com Milton Nascimento) nos teclados e o virtuoso Renato Massa (que já trabalhou com Marcos Valle e Ed Motta) na bateria. Os concertos de regresso ao nosso país prometem a revisitação de clássicos intemporais do conjunto que ousou fundir o jazz e o funk com o samba, criando o seu próprio universo sonoro apelidado de “samba doido”, mas também celebrar a nova fase criativa em que estes músicos se encontram.
Em 2025, Marca Passo assinalou um regresso aos discos do trio carioca, cinco anos depois de uma marcante colaboração Adrian Younge e Ali Shaheed Muhammad para o selo Jazz Is Dead, e apresenta faixas que remetem a um futurismo nostálgico, recheadas de percussão tropical. Nesse mesmo ano, os Azymuth apresentaram o novo LP ao vivo no Musicbox, atuação que gerou ecos no Rimas e Batidas. Na reportagem do concerto, Rui Miguel Abreu (que também assinou a crítica a Marca Passo) descreveu a energia que ligava em palco os três instrumentistas:
“Kiko estava especialmente endiabrado, mostrando-se capaz de fazer dos Azymuth um Hammond trio encharcado em ácidos num momento para, logo depois, o transformar num piano trio (Rhodes piano, bem entendido) vindo para aí de Andrómeda. Tanto groove num par de mãos apenas. E Renato é uma cascata de ritmos humana, com samba nos pés e Clyde Stubblefield nas mãos. Em cima disso, Alex diverte-se como se tivesse 20 anos, com luva na mão direita para melhor trabalhar as cordas que, sinceramente, destilam classe naquele baixo, capaz de só por si obrigar ao movimento colectivo.”