Clive Davis morreu na passada segunda-feira, 22 de Junho, em casa, em Manhattan, devido a problemas respiratórios. A sua morte aos 94 anos encerra um percurso sem paralelo na indústria discográfica norte-americana, durante o qual ajudou a definir o som de diferentes gerações.
Nascido em Brooklyn no ano de 1932, Davis perdeu ambos os pais ainda adolescente e licenciou-se na New York University antes de concluir a sua formação jurídica em Harvard. Entrou na indústria musical por uma “porta lateral”, ao ser recrutado para chefe jurídico da Columbia Records, editora que depois presidiu em 1967. Sem formação musical formal, foi desenvolvendo ao longo dos anos um instinto invulgar para detectar talentos.
Ao contrário de outros executivos cuja influência foi diminuindo com a idade, o poder de Davis só pareceu crescer ao longo de um trajeto que atravessou mais de cinco décadas, vários géneros e múltiplas editoras. Depois de sair da Columbia, fundou a Arista Records, onde lançou ou relançou as carreiras de Whitney Houston, Aretha Franklin, Carlos Santana, Barry Manilow e Rod Stewart, entre muitos outros. Em 2000, foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame pelo “olho certeiro para o talento” e a capacidade de fazer com que todos os artistas com que trabalhou alcançassem sucesso comercial.
Após ser afastado da Arista pelo grupo BMG, Davis fundou a J Records e por lá protagonizou aquele que foi muitas vezes descrito como o maior arranque de uma editora discográfica de sempre. Foi através dessa essa nova casa editorial que lançou Alicia Keys, uma das mais importantes vozes do R&B contemporâneo. Vencedor de vários Grammys, foi também presidente e CEO da RCA Music Group antes de se fixar como diretor criativo na Sony Music Entertainment em 2008, cargo que ocupou até à sua morte.