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Texto: ReB Team
Fotografia: Karolina Wielocha
Publicado a: 21/02/2023

Arriscar pelo seguro.

Little Simz junta-se ao cartaz do Vodafone Paredes de Coura 2023

Texto: ReB Team
Fotografia: Karolina Wielocha
Publicado a: 21/02/2023

Há mais hip hop na edição deste ano do Vodafone Paredes de Coura: Little Simz é a mais recente artista a ser confirmada pela organização do festival que se realiza entre os dias 16 e 19 de Agosto.

Não há grandes dúvidas de que assinou um dos melhores concertos do Primavera Sound Porto em 2022 e, por cá, Alexandre Ribeiro ficou rendido ao formato com que a artista inglesa se apresentou, ao leme de uma talentosa banda:

“Neste caso em particular, a lógica começa imediatamente pela compreensão por partes dos músicos do groove específico e dos arranjos necessários para orgulhar essa linguagem e não ofuscar a MC, deixando-a ser a protagonista. Sentimos isso em diferentes momentos: na beatologia soulful (com Madlib no ADN) de ‘Two Worlds Apart’ ou na soul mais perto da origem de ‘Selfish’ (uma das vezes em que ouvimos a voz de Cleo Sol através do sistema de som e onde o coro da plateia se fez sentir), no balanço afro via Nigéria de Burna Boy em ‘Point and Kill’ ou nesse exercício de escrita, gestão e entrega que é ‘Venom’. E é nessa última faixa que a lógica da perfeição se encerra: o conteúdo e as letras encontram, na sua totalidade, um fundo de verdade ao vivo. Não se perde nada e também não há excesso. ‘I’m Jay-Z on a bad day, Shakespeare on my worst days’, relembrou-nos em ‘Offence’. Ficámos ainda mais tentados a acreditar nisso…”



Não sendo o nome imediatamente mais óbvio dentro daquilo que é a estética do Paredes de Coura, o certame “arrisca” num nome que tem tudo para cumprir os dois requisitos mais importantes para quem anda nestas andanças: Little Simz consegue não apenas assegurar o delírio dos seus fãs, como arrebatar as atenções dos que possam ainda não a conhecer. O concerto não será, porém, uma mera réplica daquilo que já assistimos aquando a sua estreia por Portugal, até porque se meteu pelo caminho a edição de um novo álbum — NO THANK YOU foi lançado já em Dezembro, mas abanou as coisas de tal modo que não falhou em assegurar um lugar no top 10 dos melhores discos internacionais de 2022 para o ReB.

Na crítica ao sucessor de Sometimes I Might Be Introvert, novamente pelas palavras de Alexandre Ribeiro, abordava-se o alinhamento escolhido para um projecto que fala sobre reconhecimento tardio ou das dificuldades em mover-se pelos corredores da indústria musical:

“Se as letras de Little Simz são perspicazes e profundas e a técnica na hora de entregá-las é praticamente imaculada, um dos grandes factores diferenciadores dos outros mestres da sua geração é ter Inflo na produção, alguém que através dos SAULT trouxe o foco central para a música e menos para o que a rodeia e que parece ter até reinventado em definitivo o papel do produtor na óptica da geração hip hop: a maneira como programa os drums, o sampling (informal e formal) e a visão nos arranjos (seja de coros, secções de cordas ou sopros – e ‘X’ e ‘Heart on Fire’ devem ser os melhores exemplos da sua competência neste disco) são as bases para definir essa sua sensibilidade para entender e misturar os elementos de rap, gospel, soul, afrobeat ou r&b, tudo parte de um continuum perpetuado por autores negros ao longo da história. Em ‘Angel’, a protagonista reconhece o valor deste seu companheiro (ou realizador) quando atira ‘Flo and I comin’ like DeNiro and Scorsese’. GREY Area, Sometimes I Might Be Introvert e NO THANK YOU serão os seus Taxi Driver, Raging Bull e Goodfellas? E não esqueçamos o +1 de Dean Josiah Cover nestas aventuras: a fantástica Cleo Sol, um anjo que nos abençoa cada vez que é chamada a agir.”

Com os passes gerais à venda por 130,80 euros, os quatro dias do festival incluem também actuações dos já confirmados Loyle Carner, Kokoroko, Yung Lean, DOMi & JD BECK, Sudan Archives, Calibro 35, Jessie Ware, Fever Ray ou Black Midi.


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