O Mucho Flow regressa a Guimarães de 29 a 31 de Outubro, numa edição organizada pela Revolve em co-produção com a Oficina, e acaba de revelar os primeiros oito nomes do cartaz.
Um dos destaques mais imediatos vai para My New Band Believe, o projecto de Cameron Picton — ex-baixista e vocalista dos black midi — fundado em 2025 após a dissolução da banda anterior e lançado pela Rough Trade Records. Este ensemble de Picton funciona como um colectivo de geometria variável e viu nascer o primeiro e homónimo álbum em Abril deste ano. Os franco-britânicos Mandy, Indiana surgem no cartaz com URGH debaixo do braço — o segundo LP editado em Fevereiro último pela Sacred Bones, produzido em parceria com Daniel Fox dos Gilla Band e com a participação de billy woods num dos temas.
A acompanhar este anúncio inicial estão outros nomes que cobrem um espectro sonoro generoso: a produtora gyrofield, nascida em Hong Kong e radicada no Reino Unido, traz um drum and bass que dobra o espaço-tempo entre os anos 90 e o presente; Kavari aposta num clubbing hostil e purgativo editado pela XL Recordings; Liim representa a nova vaga do hip hop melódico, com um primeiro álbum que coloca o género em tensão com o R&B e o trap; a norte-americana Jana Horn, cujas guitarras dedilhadas carregam a paz de quem tem coisas a resolver em privado; Dagmar Zuniga, dona de um cancioneiro initimamente lo-fo; e os nova-iorquinos bloodsports, cuja letargia sonora é consequência da herança do punk.
O mote escolhido pela organização para esta edição — “A Comuna” — serve bem como enquadramento para uma programação que, em vez de apontar a géneros, parece escolher pessoas com algo urgente a dizer. O Mucho Flow continua assim a funcionar como um dos poucos festivais portugueses cuja programação se lê como uma declaração de intenções. Os bilhetes para os três dias do evento custam 60€.