Começou esta quinta-feira, 18 de Junho, a primeira edição do Festival Art Explora em Portugal. Tudo acontece em torno daquele que é apresentado como o primeiro barco-museu do mundo, que também é o maior catamarã a velas do planeta, e que está atracado até dia 28 na Marina de Cascais.
“Este foi um trabalho feito em colaboração entre a Art Explora e a Culturgest. Demorámos quase três anos em termos de organização”, explica ao Rimas e Batidas a responsável pelo festival, Amanda Rostello Monteiro. “Infelizmente, o nosso barco não pode ir para qualquer sítio, é super difícil achar um lugar para o barco-museu e para fazermos o festival. Fizemos diversas viagens em diferentes cidades portuguesas e, tecnicamente, Cascais foi aquela em que foi possível realizar o evento. Foi um projecto feito de forma colaborativa e conseguimos obter o melhor resultado, com um grande apoio da câmara que nos permitiu fazer um trabalho formidável com as escolas.”
Depois de Barcelona e Ibiza, em Espanha, Cascais torna-se a terceira paragem do Art Explora em 2026. Seguem-se duas escalas em França e outra na Tunísia, neste festival que se centra no Mediterrâneo — ainda que Portugal apenas seja banhado pelo Oceano Atlântico, foi sempre um território altamente moldado e influenciado pelas culturas mediterrânicas, com quem partilha grande parte do seu ADN, desde o Império Romano aos fenícios e cartagineses, passando pelos povos amazigh do Norte de África.
“Existe uma grande vontade [de aproximar o Mediterrâneo] e está a ser trabalhada por diversas instituições. Acho que existe um grande movimento, as pessoas estão-se a dar conta do impacto do Mediterrâneo — e dos mares e dos oceanos na história”, acrescenta Amanda Rostello Monteiro.
Desde 2024, quando tudo começou, já receberam mais de 400 mil pessoas nas 14 escalas que fizeram pela região, divididas entre oito países. “Esperamos aumentar bem estes números nos próximos anos.” Portugal mantém-se, naturalmente, na rota, ainda que seja necessário encontrar outros portos com as condições certas para acolher o barco-museu e se realizar um evento desta natureza. “É um projecto complexo em termos de organização porque, além do festival, temos toda a parte marítima… Por isso é que organizamos sempre com um, dois ou às vezes três anos de antecedência.”
A bordo do barco-museu, enquanto somos brindados pelos raios de sol que se fazem sentir, mergulhamos numa experiência auditiva que nos transporta para os mercados mediterrânicos (desde os vendedores ciganos na Feira do Relógio aos bazares turcos, passando pelos souks marroquinos), para os cantares tradicionais, os sons da agitação urbana ou as ondas do mar a embater nas rochas.
No interior, é possível embarcar numa experiência imersiva em realidade virtual. Depois de colocados os óculos e os auscultadores, somos teletransportados até à Alexandria antes de Cristo ou à Veneza renascentista. Além de termos acesso à contextualização histórica daqueles lugares e períodos, conseguimos vislumbrar, como se fosse palpável, bem à nossa frente, os edifícios, os elementos decorativos, o modo de funcionamento da sociedade e as gentes de outrora.
Até 28 de Junho, no campo da música, o Art Explora reúne nomes como A Garota Não, Lula Pena, Sopa de Pedra, Nídia, Kimi Djabaté, Violet, Tiago e um momento “Magical Karaoke”, conduzido por Mike El Nite.
A programação estende-se ainda a criações performativas e participativas como Mastro Sol, de Maja Escher, que cruza instalação, cozinha-atelier e criação colectiva; Caravanserá, de Gustavo Ciríaco, um cortejo interactivo inspirado em práticas relacionais; e Bruxas – ensaio para a esperança, da companhia Bestiário, uma caminhada performativa que explora questões associadas ao feminismo e memória histórica.
Para o público mais jovem e famílias, o festival inclui propostas como Antiprincesas, de Cláudia Gaiolas, dedicado à figura de Carolina Beatriz Ângelo; e Chão de Meninos, de Madalena Victorino, pensado para crianças a partir dos três anos e centrado na exploração sensorial e lúdica do espaço. Já o projecto Bal Moderne convida o público a aprender e dançar coreografias em colectivo.
O programa inclui também sessões de escuta da Radio Alhara e exibições de cinema em parceria com o festival IndieLisboa. Como forma de estabelecer pontes mais sólidas entre os diferentes territórios que partilham o Mediterrâneo, o Art Explora desenvolve ainda residências artísticas: uma artista turca e uma artista egípcia estão neste momento a trabalhar em Cascais, durante um mês, no âmbito deste programa que propõe uma reflexão alargada sobre hospitalidade, circulação e memória colectiva a partir da relação com o mar.