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Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 05/06/2026

Antecipando as notas azuis do Parque de Santa Catarina.

Funchal Jazz’26 traz Ledisi, Joel Ross, Immanuel Wilkins, Joe Lovano & Antonio Faraò

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 05/06/2026

“O esperado encontro em palco entre Wilkins e Ross nunca chegou a acontecer no Parque de Santa Catarina, mas nesta primeira vez em que dividiram o cartaz de um evento cada um com a sua banda — anteriormente, o saxofonista fazia parte do então quinteto do vibrafonista e gravou The Parable Of The Poet — não foi preciso esse cruzamento para que se percebesse que o novo som da Blue Note está em muito boas mãos”, escrevia Alexandre Ribeiro em Rimas e Batidas sobre o festival em 2022, dando conta da ideia que podia não ter sido a primeira vez, mas que dificilmente se haveria de repetir.

Para a edição de 2026, que agora se anuncia, voltam a cruzar-se no cartaz nomes sonantes e de proa da lendária etiqueta das notas azuis. E eis que o vibrafone de Joel Ross e o saxofone de Immanuel Wilkins se voltam a alinhar no programa das noites do jazz no Funchal. Juntá-los em palco talvez seja de novo uma expectativa difícil, mas volta a estar perto a possibilidade. Joel Ross Good Vibes fechará o palco na primeira noite (9 Jul, 23h), em quarteto, com Tyler Bullock no piano, Luca Alemanno no contrabaixo e Jeremy Dutton na bateria. Immanuel Wilkins trará também ele um quarteto, onde iremos encontrar Micah Thomas no piano, Ryoma Takenaga no contrabaixo e Kavyon Gordon na bateria (10 Jul, 21h30). Menos de um dia a separar a presença destes músicos na pérola do Atlântico — vamos ver o que acontece. 

Serão para muitos, como nós, os nomes que mais empolgam, de um cartaz que se imprime na primeira das três noites, na toada das lâminas ondulantes do vibrafone. Ao jovem vibrafonista português Duarte Ventura caberá as honras de abertura do evento no palco principal (9 Jul, 21h30). Um quinteto feito de novos talentos do jazz nacional onde iremos escutar Miguel Valente no saxofone alto, Miguel Meirinhos no piano, Zé Almeida no contrabaixo e Luís Possollo de Carvalho na bateria. Para o músico João Barradas — figura marcante do Funchal Jazz do ano passado — fica a menção a Ventura como músico de uma “linguagem actual e uma capacidade de composição fora do comum” — palavras ditas antes de Ventura estrear “Reperio” no pequeno auditório do CCB. E desse momento espera-se voltar ao encontro dos sonhos pelas partes concretas musicadas, num lugar em partilha, explícito na lírica, e outras mais difusas formas da catarse dos sons cintilantes. Ventura na sua composição traz uma construção subtilmente preenchida pela vozes que se propagam dos timbres, do piano ao vibrafone. 

O veterano saxofonista Joe Lovano estará de volta ao Funchal Jazz, depois da passagem em 2015 com o seu quarteto de então. Desta vez será Joe Lovano & António Faraò num programa concreto de “Explorations” (10 Jul, 23h), contando com outros dois nomes de enorme relevância, Ira Coleman no contrabaixo e Gerald Cleaver na bateria, que habitualmente é de Johnathan Blake nesta formação. Coleman tocou ao lado de Herbie Hancock, Tony Williams e de Dee Dee Bridgewater, e de Cleaver recordamos as últimas passagens por perto no Jazz em Agosto quando nas últimas duas edições se mostrou junto aos manifestos de Darius Jones. Mas para este quarteto, pejado de veterania, Lovano vai ao encontro do piano de Faraò. Um diálogo de uma certa América e de uma sabida Europa em perspectiva. Lovano que nos tempos em que assinava pela Blue Note deixou um testemunho marcante em noneto no emblemático clube Village Vanguard em On This Day At The Vanguard. Precisamente o mesmo local de onde Wilkins, com a mesma formação que traz ao Funchal Jazz, gravou Live At The Village Vanguard (Blue Note), editado em três partes — o último volume acaba de ser editado agora. 

Há pontes várias de ligação para esta edição, que contará na última noite com a voz poderosa de Ledisi, que significa em Yoruba “trazer” ou “vir até cá”. Nascida Ledisi Anibade Young, é no campo das artes LEDISI, indo do cinema — onde esteve nos filmes Selma e Remember Me: The Mahalia Jackson Story —, ao que a traz a palco, nos campos do R&B contemporâneo e da música soul. Com ela estarão em palco (11 Jul, 21h30) Brandon Waddles no piano, Brandon Rose no contrabaixo e Joshua Watkins na bateria. Na bagagem mais recente contam-se The Crown e For Dinah como registos de entrada para esta música e voz, sem esquecer quando em 2021 deixava esse Ledisi Sings Nina, disco com dedicatória ao nome de Simone.

O desfecho do festival caberá, como vem acontecendo, ao resultado colaborativo da Orquestra de Jazz do Funchal (OJF) com um convidado. Este ano o maestro para a OJF é Jason Moran e irão apresentar um programa todo ele dedicado à musica e legado de Duke Ellington. Uma orquestra que tem vindo a demonstrar grandes músicos madeirenses de jazz, entre convidados especiais, a cada ano. Na edição transacta Maria Schneider (convidada a dirigir a OJF) mostrou-se realmente surpreendida com a qualidade e o talento dos músicos que veio a encontrar e a trabalhar na ilha. Destacando que “há músicos muito jovens na banda que são mesmo muito bons. Fiquei… maravilhada.” Todo um potencial e contando como a mestria desta feita de Moran, que em Fevereiro último lançava Jason Moran plays Duke Ellington, um libelo de piano solo para trazer Ellignton para mais perto. Será a vez de no palco das notas azuis do Parque de Santa Catarina se potenciar essa mesma música em muitas vozes, das madeiras aos metais contando com à secção rítmica, evocando o piano inesquecível de Ellington (11 Jul, 23h).


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