[Estreia] C̶o̶r̶a̶ X Jackie falam “devagar para entenderes” em “Podre”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados

“Podre” é o primeiro single do EP de estreia de C̶o̶r̶a̶ X Jackie, dupla que se juntou recentemente ao elenco da RAIA (que já deixa a sua marca neste tema através da masterização).

Em Janeiro deste ano, o ReB dava conta de um novo talento no panorama. Pouco depois, os contactos começaram a acontecer, mas quem “venceu” a corrida foi a editora dos ORTEUM. “Eles contactaram-nos via Instagram. Já tínhamos recebido algumas propostas, mas o que nos chamou a atenção foi o profissionalismo e a intenção da mensagem. Marcámos uma reunião e, desde o início, simpatizámos e gostámos da maneira como nos propuseram o projecto”, conta-nos a dupla.

A letra, a interpretação e o vídeo (“um filme em stop motion”) são da responsabilidade de Inês Trindade, que nos explica a caminhada do duo até terminar uma canção: “acho que eu e o Jackie estamos, finalmente, a chegar a um processo coeso que quase todas as vezes decorre da mesma maneira. Escolhemos o sample, ele compõe o instrumental, depois eu escrevo a letra e a pós-produção é feita pelos dois.”

O produtor explica a criação do beat de “Podre”: “basicamente peguei num sample de stoner rock e mexi um pouco com ele, depois disso fiz as drums e adicionei uns solos meus de improviso. Antes de termos qualquer estrutura, a base inicial foi a voz e o instrumental e, depois de ter toda a estrutura, adicionei a guitarra.”

A data de lançamento do primeiro projecto de C̶o̶r̶a̶ X Jackie ainda está no segredo dos deuses, mas a faixa que sucede a “Gota” e a jovem artista dão-nos pistas sobre o que vem aí: “podem esperar um EP repleto das nossas referências e músicas com influências do hard rock, metal e jazz com um mix de electrónica. Não tínhamos uma ideia pré-definida do conceito do EP, fomos criando sem limitações. Fomos beber um pouco à nossa vida como jovens adultos, no percurso de amadurecimento [pelo qual] todos passamos, às nossas emoções, opiniões e ideais como artistas e, para mim, como mulher. Tentámos afastar-nos um pouco do clássico boom bap e ir por uma vertente mais electrónica. Quanto ao instrumental e às letras das composições, fomos por caminhos mais livres sem estruturas pré-definidas.”

Em 2020, a RAIA já editou três projectos: o álbum homónimo dos In3gah e as beat tapes de John Miller e Il-Brutto.