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Texto: ReB Team
Fotografia: Indi Nunez
Publicado a: 15/04/2026

Música que verte Lágrima.

Cremilda Medina revisita a alma cabo-verdiana num disco assente em instrumentos de cordas

Texto: ReB Team
Fotografia: Indi Nunez
Publicado a: 15/04/2026

Chegou na passada segunda-feira, 13 de Abril, o terceiro registo de estúdio de Cremilda Medina, Lágrima, selado pela MOVE Agency.

Dada a paisagem sonora contemporânea, onde a produção digital muitas vezes sufoca a nudez instrumental, Lágrima nada claramente em contra-corrente. A cantora cabo-verdiana da ilha de São Vicente faz do sucessor de Nova Aurora um trabalho desprovido de bateria ou sintetizadores, que se constrói unicamente sobre guitarras (umas clássicas, outras de 12 cordas), baixo e cavaquinho, opção estética que transforma estas 13 faixas em verdadeiras serenatas, como as que outrora ecoavam nas noites do arquipélago. É uma obra que escava fundo para ir ao encontro das raízes da morna, género género musical considerado Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, agora revisitado por uma das vozes mais talentosas do presente.

Num comunicado enviado ao ReB, é explicado que o projecto germinou de uma investigação iniciada em 2022 com o apoio do Ministério da Cultura cabo-verdiano, inicialmente pensada para dois singles, mas que acabou por florescer num conjunto de canções mais vasto. Sob a produção informada e sensível do instrumentista Palinh Vieira, Lágrima é maioritariamente um espólio de reinterpretações de clássicos assinados por nomes como Francisco Xavier da Cruz (mais conhecido como B. Leza) e Manuel d’Novas, mas reserva ainda espaço para duas composições originais de Miguel Silva e Constantino Cardoso. A teia colaborativa inclui ainda os instrumentistas Armando Tito e Kaku Alves, enquanto que os encontros vocais com Ana Firmino, Maria Alice e Nancy Vieira transformam a saudade num diálogo geracional de vozes que se abraçam nas memórias do arquipélago africano.


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