A 27.ª edição do AngraJazz já tem programa fechado. O festival regressa ao Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, entre 2 e 4 de Outubro, mantendo a ambição que tem vindo a afirmar o encontro açoriano como uma das paragens relevantes do calendário jazzístico nacional. Ao longo de três noites, o cartaz voltará a cruzar projectos internacionais, música portuguesa, repertórios históricos e encomendas especiais, com a Orquestra Angrajazz, Leïla Olivesi Octet, Pedro Neves Quarteto, Tyreek McDole Quartet, Aaron Parks & Walter Smith III Duo e SFJAZZ Collective.
A abertura, marcada para 2 de Outubro, sexta-feira, caberá à Orquestra Angrajazz, projecto que nasceu do trabalho de formação desenvolvido na Terceira e que tem sido uma das marcas identitárias do festival. Sob direcção de Pedro Moreira, a formação apresentará 100 Anos de Miles Davis — “Miles & Gil”, evocando o centenário do nascimento do trompetista norte-americano através da relação fundamental que este estabeleceu com o compositor e arranjador Gil Evans. O concerto propõe uma revisitação de excertos de Miles Ahead e Porgy and Bess, obras que ajudaram a redefinir a ideia de jazz orquestral no final dos anos 50, alargando timbres, texturas e possibilidades formais para além da big band tradicional.
A mesma noite prossegue com o octeto da pianista, compositora e directora franco-mauritana Leïla Olivesi, que levará a Angra do Heroísmo o projecto African Rhapsody. Vencedora do Prémio Django Reinhardt em 2022, distinguida pela Academia Francesa de Jazz, e eleita Músico Francês do Ano em 2025 pela revista Jazz Magazine, Olivesi tem construído uma obra marcada pela escrita para ensemble, pela atenção ao timbre e por uma visão ampla do jazz contemporâneo. A sua música cruza heranças africanas, tradição orquestral, pulsação moderna e uma linhagem de grandes compositoras e líderes de orquestra que a crítica tem associado a nomes como Mary Lou Williams, Carla Bley ou Maria Schneider.
No sábado, 3 de Outubro, o programa abre com o Pedro Neves Quarteto. O pianista e compositor português, autor de uma discografia que inclui títulos como Ausente, 05:21, Murmuration, Hindrances e, mais recentemente, Northern Train, apresenta-se em formato de quarteto com José Soares no saxofone, Miguel Ângelo no contrabaixo e José Marrucho na bateria. A presença de Neves sublinha a atenção do festival ao jazz português contemporâneo e a uma escrita que tem procurado equilibrar lirismo, construção colectiva e rigor composicional.
A segunda parte da noite será entregue ao cantor norte-americano Tyreek McDole, uma das novas vozes em ascensão no jazz vocal internacional. Haitiano-americano, nascido na Florida e radicado na cena nova-iorquina, McDole venceu em 2023 o Sarah Vaughan International Jazz Vocal Competition, distinção que anteriormente projectou artistas como Samara Joy e Jazzmeia Horn. Depois da estreia discográfica com Open Up Your Senses, editado em 2025 pela Artwork Records, apresenta-se no AngraJazz em quarteto, acompanhado por Wilfie Williams no piano, Dan Finn no contrabaixo e Mekhi Boone na bateria.
A noite de encerramento, a 4 de Outubro, domingo, abre com o duo formado por Aaron Parks e Walter Smith III, que apresentará “Playing the Ballads of and by John Coltrane”. Criado a convite do Bozar, em Bruxelas, no contexto das celebrações do centenário de John Coltrane, o projecto concentra-se no lado lírico do saxofonista, tantas vezes lembrado pela sua dimensão mística, pela energia exploratória e pela revolução técnica que operou no instrumento. Reduzidas a piano e saxofone tenor, as baladas compostas, transformadas ou inspiradas por Coltrane ganham aqui uma leitura de câmara, entregue a dois músicos centrais do jazz norte-americano das últimas décadas.
O festival termina com o SFJAZZ Collective, formação norte-americana que regressa a Portugal com “Native Dancer plus New Compositions”. Sob direcção musical de Chris Potter, o colectivo apresenta-se com David Sánchez, Mike Rodriguez, Warren Wolf, Edward Simon, Matt Brewer e Kendrick Scott, alinhamento que confirma a vocação do projecto para reunir intérpretes e compositores de primeiro plano. Concebido para criar novos arranjos de repertórios fundamentais e encomendar peças originais aos seus membros, o SFJAZZ Collective tem funcionado como uma plataforma viva de releitura da tradição e de afirmação do jazz enquanto linguagem em permanente movimento.
Para além dos concertos no Centro Cultural e de Congressos, o AngraJazz volta a incluir o programa Jazz na Rua, que decorrerá entre 25 de Setembro e 3 de Outubro, com concertos diários de entrada livre em vários espaços públicos de Angra do Heroísmo. A iniciativa incluirá grupos locais e um grupo do continente, bem como sessões de divulgação para alunos das escolas secundárias e uma acção de formação destinada sobretudo a músicos e estudantes de música residentes na ilha.
Os concertos principais terão entradas pagas, com lugares marcados à mesa e na bancada, bilhete série para a totalidade do festival e preços reduzidos para jovens. O programa completo do Jazz na Rua será anunciado oportunamente.
