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Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados

A lista do ano de Dead End

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados

Poucos tratam as suas batidas de forma tão cuidadosa e atenta ao detalhe como Dead End. Apesar de todo o rigor que impõe nas suas produções, há sempre tempo para editar nova música. E 2018 foi um ano de loucos para o beatmaker lisboeta: Cobweb, o segundo lançamento da Moriko Masumi, saiu em Fevereiro, um mês depois de “Odin” ter chegado ao radar da Noisia Radio, e estreou-se ao lado de M.A.F. numa compilação para a The Dumb Factory — a parceria “evoluiu” para o EP Left Hand Path.

Lançado em Setembro, Gods & Kings foi o último projecto que Dead End assinou antes da entrada na mais recente compilação da Sound Museum — uma sub-label da SATURATE Records pela qual também se estreou este ano.

Todos estes feitos valeram-lhe a chamada para a estreia do festival ID, onde vai dividir o cartaz com nomes sonantes do panorama internacional como Madlib ou Kamaal Williams.


[MELHOR ARTISTA NACIONAL] Allen Halloween

“É um artista que não precisa de lançar um álbum para ser considerado um dos melhores todos os anos, pela sonoridade, relevância e longevidade que representa no panorama musical. Lançou algumas faixas soltas incríveis e deu bastantes concertos este ano, o que o tem tornado ao longo dos tempos um dos maiores artistas nacionais da actualidade, com características únicas e que o demarcam dos demais. É incrível a forma como consegue passar a mensagem através das suas letras e dos seus beats de uma maneira pouco óbvia mas bem vincada, o que faz com que o ouvinte sinta uma aproximação à realidade nua e crua que ele transmite em forma de arte.”


[MELHOR ARTISTA INTERNACIONAL] Aphex Twin

“É um dos pioneiros da música electrónica e uma referência para muitos artistas. Apesar de ser um clássico, o que o tornou relevante este ano foi o muito aguardado regresso aos lançamentos, com um EP fascinante chamado Collapse. É um produtor com uma assinatura muito marcada que rompe com todas as barreiras apresentando música experimental de qualidade, visionária e fracturante ao mesmo tempo. Tive a sorte de o ver ao vivo o ano passado e posso dizer que foi uma experiência única, tornando-se num dos melhores espectáculos a que tive o prazer de assistir. É fascinante ver um artista underground como Richard D. James manter-se relevante e inovador durante tantos anos sem nunca perder a essência que o caracteriza.”


[MELHOR PRODUTOR NACIONAL] Razat

“Foi com muita tristeza que vimos partir um dos melhores produtores de música do país e foi sem dúvida para mim o produtor do ano, pelo que lançou, pelo apoio que deu e pelas portas que abriu a outros artistas como é o meu caso. Este ano lançou um EP genial pela SATURATE Records e fez vários releases tanto a nível nacional como a nível internacional, em labels de renome e em vários géneros musicais. É um génio da electrónica do nosso tempo e conseguiu transmitir através da sua música toda a sua essência deixando-nos um legado que perdurará no tempo.”


[MELHORES PRODUTORES INTERNACIONAIS] Eprom e Chee

“Este tenho que dividir entre o Eprom e o Chee. O Eprom é um artista que tem deixado a sua marca na música electrónica de há vários anos para cá e penso que este ano conseguiu afirmar-se definitivamente como o artista único que é. É um produtor de referência na beat scene da West Coast. Tem uma sonoridade muito vincada e de fácil reconhecimento para o ouvinte e será sem dúvida um dos grandes nomes da música electrónica mundial, se já não o é.

O Chee é um artista sul-africano que tem vindo a ganhar o seu espaço no panorama internacional e que atingiu o reconhecimento dos seus pares a uma velocidade estonteante, devido ao seu meticuloso trabalho original de sound design e às suas batidas headbanger, muito marcadas e que fazem qualquer um abanar a cabeça. Teve um ano cheio de releases surpreendentes nas mais variadas labels internacionais e é um nome a ter em conta para os próximos anos.”


[MELHOR FAIXA NACIONAL] “Flor de Maracujá” de Stereossauro com Camané

“Para mim foi de longe a melhor faixa lançada este ano a nível nacional. Faz lembrar o passado com uma abordagem futurista e que consegue juntar o hip hop, ao fado e à música electrónica de forma exímia e inigualável na nossa cultura, com a participação do grande Camané e com samples da enorme Amália. O Stereossauro demonstra grande sensibilidade no tratamento que faz à música portuguesa e na visão que transmite ao dar-lhe uma nova roupagem, cheia de diversidade e de um bom gosto tal que encanta qualquer um. É um excelente produtor sem comparação no nosso panorama e que fez uma faixa que tem que ser considerada uma autêntica obra de arte. Aguardo ansiosamente pelo seu novo álbum.”


[MELHOR FAIXA INTERNACIONAL] “Emerald Rush” de Jon Hopkins

“Palavras não chegam para descrever esta faixa. É uma autêntica experiência que tanto pode ser ouvida num club como em casa com os headphones postos e de olhos fechados. Jon Hopkins é um mestre na sua arte e apresentou um trabalho de sound design minucioso, conseguindo transmitir sensações variadas, com a acumulação e com o respectivo alívio de uma tensão emocional que constrói sem grande dificuldade aparente. Esta faixa é o reflexo do seu trabalho cuidado, sensível e que atinge os ouvidos do público com força mas ao mesmo tempo com delicadeza. Uma música que é pesada e ritmada mas que consegue ser melodiosa e de uma beleza incrível. É sem dúvida uma peça de arte única!”


[MELHOR DISCO NACIONAL] Madeira de PAUS

“Já ouço PAUS há bastante tempo e gosto de todos os álbuns. Acho este Madeira excepcional e provavelmente o melhor disco que já compuseram. Tem uma sonoridade agressiva, repleta de electrónica, guitarras e baterias, que ajudam a voz e as letras cativantes a sobressaírem numa atmosfera opulenta e que nos transporta para outros lugares. Acima de tudo é um álbum coerente, com uma dinâmica incrível e que surpreende a cada segundo. As baterias complementam-se e toda a composição sonora que gira em volta delas torna este álbum numa viagem sem rótulos e completamente distinto de todos os outros discos nacionais que ouvi este ano.”


[MELHOR DISCO INTERNACIONAL] Singularity de Jon Hopkins

“Esta é de longe a melhor composição que ouvi este ano. Jon Hopkins consegue transportar o ouvinte para outra dimensão, repleta de ambientes e atmosferas hipnóticas. As melodias suaves e harmoniosas contrastam com o sound design das texturas e das batidas agressivas pormenorizadamente trabalhadas. A progressão dos vários elementos sonoros ao longo de cada faixa é feita com uma mestria surpreendente, de quem consegue fazer música carregada de uma profunda emoção e repleta de uma beleza estupenda que transcende qualquer género. Este álbum é uma viagem espiritual e pode ser facilmente considerado um dos melhores álbuns de música electrónica desta década.”

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