5K7s #4

[FOTOS] Rui Miguel Abreu

 

Lote bastante diferenciado, o que vos trago hoje. As cassetes continuam a não parar de chegar cá a casa e há pelo menos mais duas a caminho neste preciso momento que hão-de merecer total atenção no próximo volume de 5K7s. Mas para já conta este grupo onde há field recordings e folk transmutada electronicamente, experiências com sintetizadores, hip hop e amostras de diggin’ no Japão. É que o mundo inteiro cabe senão numa cassete, pelo menos em cinco…

 


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[THE GREEN FUNZ & JODY SYDNEY SMITH]
(Oxfordshire Folklore Tapes Vol. 1 – Michael Pan and the Sandford Lasher, Folklore Tapes, 2015)

Uma vez mais, e à primeira vista, é difícil perceber como encaixar este título inaugural de uma nova série na Folklore Tapes numa coluna de um site dedicado ao hip hop e electrónicas variadas. Mas a verdade é que também não é preciso puxar demasiado pela imaginação para perceber a ligação: a Folklore Tapes foi sempre muito influenciada pela aura do Radiophonic Workshop e a ideia de manipulação de gravações em fita anima todo o seu catálogo. E este novo e fascinante título não é diferente. Uma vez mais, mistura-se alguma investigação detectivesca a uma lenda do passado com gravações lo-fi efectuadas em cassete, ecos de folk transmutados com efeitos electrónicos, como se nestas cassetes se escondessem sinais de fantasmas muito reais. Como se isto fosse um livro – ou um velho filme de super-8 – para ouvir e não para ler ou ver. Edição limitada em livro de capa dura, com código de download. A cassete propriamente dita está disponível em concha verde opaca com informação impressa na própria concha!

 


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[COUNT BASS D]
(Dwight Spitz, Trash Flow, 2015)

Reedição recente do clássico de 2002 de Count Bass D. E a palavra “clássico” não é para aqui atirada de ânimo leve: álbum com participação de gente como Edan ou MF Doom (dois dos maiores…), com beats que são pura classe boom bap. A reedição foi feita em vinil e cassete, acrescentando seis faixas às 25 originais. Maravilha, pois claro, nem que seja por trazer de volta ao presente uma amostra iluminada do underground de há década e (quase…) meia. Count Bass D manteve-se ferozmente underground, mas provavelmente não voltou a tocar nos níveis aqui alcançados, mistura feliz de timing e companhias certas. A cassete ainda por cima faz plena justiça a esta música, arredondando os kicks e dando brilho analógico às vozes. Mel para os ouvidos, sem dúvida. Cassete disponível em caixa normal de plástico, com insert simples a cores. A concha é transparente e contém impressão a preto. Como bónus, esta edição vem autografada pelo próprio Count Bass D.

 


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[KARL FOUSEK]
(Pattern Variation, Dionysian Tapes, 2015)

Esta cassete foi-me “recomendada” por Jon Brooks, o homem por trás do projecto Advisory Circle da Ghost Box. A recomendação foi indirecta, obviamente, e feita através do Bandcamp: a pontaria do senhor Brooks, cuja música é de uma qualidade elevadíssima, costuma ser certeira nas suas compras e por isso segui-lhe a dica no caso deste abstracto trabalho de Karl Fousek em sintetizadores. Fousek tem andado activo este ano e tem mais alguns lançamentos disponíveis neste formato. No caso da sua entrada no catálogo da Dionysian Tapes, a minha compra até acabou por render dividendos extra, como aliás se verá mais abaixo (atraso na entrega da cassete compensado com dois títulos extra do mesmo catálogo. O que é sempre bom). A música de Fousek vive basicamente do impulso de explorar as qualidades plásticas do instrumento eleito (soa a Buchla, mas nada é revelado nesse sentido) e é por isso mesmo muito despida, a fazer lembrar algumas experiências de artistas como Benge (sobretudo no grande Twenty Systems). Edição em caixa normal, com insert a cores simples e cassete em concha transparente com etiqueta em papel impresso e colado.

 


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[DBEAT]
(Electribe Patterns, Dionysian Tapes, 2014)

Um dos extras que serviu para compensar o atraso no envio do Karl Fousek foi esta cassete do misterioso projecto Dbeat sobre o qual esta editora americana não oferece grande informação. Trata-se, ao contrário do projecto de Karl Fousek, de um exercício mais funcional, com os padrões electrónicos dos synths a serem suportados por caixas de ritmos em overdrive, uma espécie de estudo de uma certa memória rave, o que até pode ajudar a explicar o nome do álbum – Electribe 101 era um grupo que lançou um álbum clássico em 1990. Contava com Billie Ray Martin no seu seio. Enfim, provavelmente nada a ver, mas foi para aí que este título me remeteu. Há algo de ligeiramente sombrio nesta música, provavelmente devedora de audições de material assinado por Legowelt, mas falta-lhe algum do humor mais subversivo que anima as produções do mago holandês. Uma vez mais, edição em caixa transparente, com insert a cores simples e cassete com concha transparente e etiqueta em papel impresso.

 


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[VÁRIOS]
(Futen Carmen meets Keizer Ketchup – Embalmed Japanese Concept Pop, Hypocrite (?), 2015)

De vez em quando, sobretudo através do Twitter, Andy Votel anuncia mais uma cassete de circulação limitada. A editora não tem propriamente nome, embora já tenha sido referenciada no Discogs como Hypocrite e através desse selo, digamos, informal, Votel, que dirige os destinos da Finders Keepers, já lançou cassetes com mixes variadas e completamente tresloucadas. esta cassete foi originalmente disponibilizada como uma mix feita a convite da Oi Polloi há um par de anos, mas entretanto já se afundou na memória do SoundCloud. Chega agora, e em boa hora, ao formato cassete com que Votel vai documentando as suas múltiplas viagens. Neste caso há breaks e pop absolutamente louca ou não fosse isto o resultado de uma “viagem” até à memória do Japão impressa em vinil. A capa é lindissima, claro: caixa em plástico vermelho transparente, insert a cores em cartão de qualidade elevada e com desdobrável de três cores onde se esconde um autocolante extra (são as pequenas coisas que contam…). A cassete vem em concha transparente, mas com mecanismo de transporte da fita em peças vermelhas que condizem com o tom da embalagem (lá está…).

Não encontro link para esta mix, por isso fica aqui o mais recente programa de rádio da Finders Keeeprs.

 

Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu