Arte, MCs e DJs pelos direitos das mulheres na Nasty Women Art Exhibition de Lisboa

“Continuam a surgir personagens no espectro social que insistem no preaching de barbaridades relativamente às mulheres”, diz Inês Mourão, curadora da variante portuguesa da exposição Nasty Women Art Exhibition. “Apresentam-se como gurus que sabem qual é o papel da mulher, para que serve, e o que podem fazer ou dizer. E assusta-me que consigam fazer com que algumas mulheres acreditem que isso é verdade.”

Criado pouco depois da estirada misógina de Donald Trump contra Hillary Clinton no último debate presidencial norte-americano, o movimento de arte global Nasty Women é um corpo de resistência e solidariedade em torno dos artistas que se identificam com a luta pela dignidade e direitos das mulheres. Fundado em Nova-Iorque por uma curadora de arte e uma escultora, Nasty Women tornou-se numa expressão de larga escala, representada em acções colectivas em diferentes cidades.

A primeira iniciativa do movimento aconteceu em Janeiro com a exposição Nasty Women Exhibition. Inaugurada no bairro de Queens, a mostra apresentou mais de 700 trabalhos provenientes de 42 países e angariou cerca de 42 mil dólares para a organização não-governamental Planned Parenthood. Entretanto, há uma série de exposições independentes agendadas para diversos estados norte-americanos, mas também para a Alemanha, Austrália, Reino Unido e Portugal.

“Quando li por onde ia passar a exposição, interroguei-me por que razão Portugal não figurava na lista”, conta a designer gráfica que assina como BLK. e que rappa sobre o alter-ego BLINK. “Aqui também há mulheres, activistas e desigualdades. Para mim, habituada à desigualdade de géneros no meio do hip hop, só faria sentido tomar a iniciativa e fazer acontecer.”

A mensagem do movimento não se limita aos mais recentes ataques aos direitos das mulheres perpertrados pela administração de Trump. O carácter global da insígnia Nasty Women confere-lhe a devida plasticidade para se adaptar aos diferentes contextos em que a exposição é montada, inclusive em Portugal. “Na sociedade e cultura portuguesas deveria estar subentendida a importância dos direitos da mulher, tal como de outras comunidades. Por isso, apesar de o tema se dirigir às mulheres, a abertura da exposição a trabalhos de homens e mulheres sublinha um problema que toca a todos. Todos temos responsabilidade em matérias de liberdade e direitos das pessoas. E mais do que nunca, é necessária a intervenção do homem no homem. Somos um ser inacabado e imperfeito, mas só nós podemos completar-nos e aperfeiçoar-nos.”

A exposição que terá lugar no EKA Palace conta com a participação de pintores, escultores, dançarinos, MCs e DJs, adianta Inês Mourão. Os DJ set serão de Catxibi e EMAUZ e as barras de Hael, artistas que se juntam a duas dezenas de inscritos entre portugueses, britânicos e norte-americanos. E traduzindo os objectivos e espírito do movimento, as receitas reunidas na mostra de Lisboa também deverão ser doadas a uma associação portuguesa de defesa dos direitos das mulheres. “A escolha será feita por todos os artistas através de uma votação tendo em conta uma lista de associações possíveis.”

“Acima de tudo queremos provar que através da arte é possível criar mudanças políticas e na nossa comunidade”, acrescenta Inês Mourão. “O que o movimento Nasty Women propõe é que, independentemente do género, o importante é percebermos a necessidade deste grito e de nos juntarmos a esta luta com as ferramentas que temos.”

A Nasty Women Art Exhibition acontece no EKA Palace, na Calçada Dom Gastão, em Lisboa, entre 16 de Fevereiro e 1 de Março. Mais informações e actualizações estão disponíveis no evento no Facebook.

 


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