Yuri NR5: o momento mais emotivo da carreira, a conversa com Papillon e Slow J e os prazeres culinários

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Sara Falcão

Sem qualquer tipo de aviso prévio, Yuri NR5 fez o upload de seis faixas no SoundCloud, usando uma conta nova, Yozi NR6. “Foi só o primeiro nome mais estúpido a gozar comigo próprio que me lembrei”, conta-nos numa troca de mensagens pelo Twitter.

Em 2018, a carreira do newcomer foi impulsionada pela remistura de Mishlawi de “Eu Tou Fixe”, tema com uma toada dreamy e inocente que servia de apresentação de um talento que parecia estar talhado para voos mais altos.

No meio do burburinho, a Bridgetown e a Think Music têm aparecido no seu radar, dois colectivos que certamente teriam armas para exponenciar as suas qualidades. No entanto, a ideia ainda não passa por aí: “Neste momento, quero manter-me independente, mas, num futuro próximo, posso querer dar o salto para o próximo patamar e crescer mais como artista e pessoa. Acho que em ambas consigo aprender e ser guiado para ser um artista e pessoa melhor. Gosto muito de toda a gente que tenho conhecido ao longo desta caminhada e tem sido incrível ter oportunidade de conhecer pessoas tão incríveis.”

E não ficam por aí as “aproximações”. Num tweet publicado na sua conta pessoal, Yuri revelava outra conversa com dois nomes incontornáveis do actual panorama nacional: “Conheci o Holly através da Internet e ele apresentou-me ao Papi[llon] e ao [Slow] J, fomos ao estúdio com eles e ficámos lá horas a falar sobre as nossas perspectivas em relação ao mundo e vivências. Acho que descobri mais sobre mim próprio e consegui responder a várias questões que tinha na minha cabeça que me impediam de avançar para outro nível em termos de compreensão das coisas que me rodeiam e como me afectam.”

Este Verão, canções como “Notas de 100”, “Eu Tou Fixe” ou “Ganda Moca” já lhe permitiram fazer algumas actuações, mas o ponto alto foi a passagem a convite do autor de Solitaire pelo festival O Sol da Caparica: “Correu como o melhor concerto da minha vida. O Mish abriu-me várias portas e acreditou em mim desde o início. Foi provavelmente o momento mais emotivo da minha carreira porque nunca pensei chegar a este patamar, devo isto tudo ao Mishlawi e agradeço-lhe imenso por me ter dado esta oportunidade e acreditado em mim.”

Sobre a possibilidade de tocar com banda num futuro próximo, deixa a hipótese em aberto: “Quero seguir e crescer como artista, portanto é uma possibilidade.”

Sem mistura e masterização, os últimos uploads são esboços que desvendam alguns dos caminhos que o “Speed Racer” poderá seguir nos próximos tempos — e “Prazer Culinário” é o mais promissor de todos. Se Lil Nas X conquistou os Estados Unidos da América (e o resto do mundo), não é demais imaginar que Yuri NR5 faça o mesmo em Portugal: se não acontecer, pelo menos divertiu-se no processo.