Yuran Salvatore, membro dos Instinto 26 e um dos nomes emergentes do hip hop da Linha de Sintra, lançou na passada sexta-feira, 22 de maio, o seu primeiro álbum a solo. Nakupenda reúne oito faixas onde o afrobeat e o rap melódico servem de base a uma exploração alargada do amor — não só o romântico, mas também o da família, da amizade e da pertença ao lugar de origem.
O título do disco tem raiz no suaíli e significa “eu te amo”, palavra escolhida depois de um processo deliberado de aproximação às heranças moçambicanas do artista. O termo surgiu de conversas com a mãe e de pesquisas sobre as suas origens, num processo em que Yuran afirmou ter procurado o significado de amar e reconhecido nessa palavra tudo o que queria mostrar: a identidade africana e a sua própria maneira de ser na vida. Embora o suaíli não seja língua oficial em Moçambique, a sua presença no norte do país — na zona fronteiriça com a Tanzânia — cria uma ligação familiar concreta que o LP transforma em matéria musical.
Depois do percurso com os Instinto 26 — grupo que divide com Julinho KSD, Trista e Kibow, cuja caminhada gerou vários singles de sucesso e culminou com o álbum Priceless —, Nakupenda consolida uma nova fase artística do músico, sem que isso represente um corte com o coletivo. Para Yuran, o disco não é um novo capítulo, mas a continuação de uma história que tem Mem Martins como ponto de partida e Moçambique no horizonte.