YOUNGSTUD sobre “NUVENS/SCHIPOL”: “Esta faixa inicia o ciclo de preparação de um novo EP”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Tiago Gomes

YOUNGSTUD lançou ontem o videoclipe para o tema “NUVENS/SCHIPOL”, que tem realização da NOSS Films. Tayob J é creditado na gravação, mistura, masterização e co-produção da faixa.

A nova música chega depois do lançamento do EP Aversão, editado em Junho, o primeiro registo em parceria com Tayob J, no NOIZ Estúdio, ele que também tem um papel importante na fase de criação — Aversão contou com produções suas e este mais recente “NUVENS/SCHIPOL” também conta com o seu input. Mais recentemente, YOUNGSTUD foi testado nas “mãos” de Sensei D. em “Snatch”.

“NUVENS/SCHIPOL” descola-se do registo apresentado em Aversão, apontando para um caminho cada vez mais trap e menos rap — no sentido mais tradicional da palavra. Também na batida existem diferenças: YOUNGSTUD leva as suas produções para terrenos ainda não explorados por si. O auto-tune passa a uma ferramenta essencial neste novo processo criativo que, segundo o artista, marca o “ciclo de preparação de um novo EP”.

 



Apesar de teres editado um EP recentemente, este novo tema mostra-nos que não tens barreiras à tua frente quando o assunto é ganhar inspiração para reformular a tua música. De onde é que nascem as bases para esta faixa?

Esta faixa parte mesmo de eu querer quebrar convenções próprias. Eu rimo, eu gosto mesmo muito de rimar. Mas, se calhar, às vezes também me vai apetecer cantar, mesmo não sendo um cantor. Este som foi feito por momentos de impulso. Quando fiz o drum loop já sabia que não ia ficar a minha everyday stuff, porque tinha uma ginga diferente. Acho que fui beber bué ao que me tem influenciado ultimamente, que não tem passado tanto por liricismo, mais por linguagens menos complexas, mas em que se pode colocar outro tipo de emoções. E o auto-tune é uma óptima ferramenta nessas linguagens, algo que comecei a explorar e quero descobrir e experimentar mais.

Este é um tema difícil de rotular, no qual consegues misturar texturas atmosféricas com uma secção rítmica mais exótica e tropical. Explica-me o processo de concepção deste instrumental. Partiu tudo de um sample manipulado ou de uma ideia que compuseste? De que forma o Tayob contribuiu para o produto final?

O instrumental começou com uma cena que samplei e modulei até curtir da sonoridade. Basicamente o main loop é esse sample modulado. Como já tinha dito, os drums que fiz abriram o caminho para aquilo que se tornou o som. Não consigo dizer que aquilo é trap ou boom bap ou qualquer etiqueta específica. É uma cena dançável, talvez. [risos] Fiz tudo bué descomprometido da imagem que pudesse passar. O Tayob deu uma grande ajuda com aquele 808. Eu tenho alguns problemas com escalas, faço tudo de ouvido, ele até acabou por colocar um 808 mais fixe do que o que eu tinha posto inicialmente. Para além disso, deu ali umas suspensões fixes numa transição de rima com um synth que, por exemplo, só aparece em um momento mas dá um grande toque. Também acrescentou, por iniciativa própria, aquele segundo refrão com o pitch down, que também foi excelente. É por estes detalhes que gosto de trabalhar as minhas músicas com ele.

Para nos ajudar a decifrar um pouco melhor este enigma, que artistas têm rodado mais pelos teus ouvidos, ao ponto de os sentires como referências para algumas das tua inovações?

Tenho sido pouco ecléctico ultimamente, mas sem dúvida que existem cenas que andam a rodar bué nos meus phones e que, de alguma forma, estão a influenciar uma parte da minha criação. Ando a ouvir até à exaustão o Astroworld do Travis Scott, o Swimming do Mac Miller, ando a reciclar o último álbum do NAV e adoro o design sonoro das cenas dele. E também ouço, mesmo bué, uma banda indie/psicadélica que são os Vinyl Williams, é uma mistura engraçada.

Podemos interpretar esta faixa como um “aviso” de que algo maior está para vir? O que é que tens andado a preparar em estúdio?

Esta faixa inicia o ciclo de preparação de um novo EP, que ainda não tem nome mas há-de sair no início de 2019. Quanto a este projecto, o que sei até agora é que vai ser muito mais virado para o trap. Vou cantar mais e vou experimentar cenas novas, sem perder o meu cunho mas com uma linguagem diferente. E vou exigir mais também na apresentação visual das cenas, tem que ser o next step nos meus padrões.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

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