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Texto: ReB Team
Fotografia: SKREAM
Publicado a: 20/03/2026

Silêncio, que se vai cantar rap.

Sexta-feira farta: novos trabalhos de Landim, No Money, Samara Cyn, Filipe Sambado ou Mike WiLL Made-It

Texto: ReB Team
Fotografia: SKREAM
Publicado a: 20/03/2026

Em crioulo, português ou inglês: o rap domina por entre os principais lançamentos do dia de hoje e faz-se sentir em cinco dos seis discos selecionados pela redação do Rimas e Batidas em mais um apanhado de final de semana. Todos eles vindo de nomes sonantes que, com mais ou menos anos de carreira, têm vindo a deixar marcas visíveis no hip hop e que reforçam os respectivos estatutos com novas doses de música bem sólida.

Há, no entanto, muitas outras sonoridades a pairar por aí, e até mesmo mais propostas adicionais vindas dos campos do rap. Ora espreitem também o que lançaram Janeiro & Pimenta Caseira (LIVE AT GULBENKIAN), Neves E Silva (Ladeiras De Santa Teresa), Indian Man (Profundo Azul), Bia Caboz (Espiral), Vários Artistas (Florbela), ZENA (TEMESGEN), Nubiyan Twist (Chasing Shadows), Xylitol (Blumenfantasie), Ego Ella May (Good Intentions), Ali & Charif Megarbane (Tirakat (Habibi Funk 034)), Alex Isley (When The City Sleeps), Dylan Brady (Needle Guy), Kid Cudi (HAVE U BN 2 HEAVEN @ NITE?), 600 Entertainment (6WA), BIGBABYGUCCI (Tha_Leak), BTS (ARIRANG), Immanuel Wilkins Quartet (Live at the Village Vanguard, Vol. 1), CA7RIEL & Paco Amoroso (FREE SPIRITS), More Eaze (sentence structure in the country), Underscores (U), Colleen (Libres antes del final), Green-House (Hinterlands), Grace Ives (Girlfriend), Yraki (Tendrils), Damaged Bug (ZUZAX), Anna Calvi (Is This All There Is?), Mclusky (i sure am getting sick of this bowling alley), Dryft (Particle), Girl Scout (Brink) e Vários Artistas (RED XEROX).


[Landim] MITO

Longe de ser um mito do hip hop português e do rap cantado em crioulo, pois conta com um percurso bem palpável de quase duas décadas ao microfone, Landim apresenta-se num novo disco sob o mote de MITO: Mente Inteligente Transforma Objetivus. Que é como quem diz que quem tem dois dedos de testa facilmente encontra formas de vingar na vida mesmo quando tudo ao redor, num contexto de bairro social e de escassas oportunidades, aponta para um futuro nada sorridente. Com quase uma hora de música dividida por 18 faixas, Landim continua a provar o seu estatuto de lenda das ruas com rimas cruas, sem make-up, feitas de relatos reais de alguém que desde cedo se viu forçado a lutar contra um sistema opressor. Depois de SOUSA 4L em 2024 e Assuntus Friu em 2025, o rapper de Mem Martins assinala o terceiro ano consecutivo que lhe rende um novo capítulo à discografia numa edição pela Big Bit Música. E para chegar a MITO contou com produções de Progvid, Osémio Boémio, MYQUE ou 404ducce, bem como com as participações de Loose jr, Young D, Lidow ou Sippinpurpp.


[No Money] Cicatrizes

Tal como Landim, também No Money teve de fazer das amarguras alimento para a sua arte. Membro veterano da Superbad de Holly Hood e Here’s Johnny, que há precisamente um mês tinha carimbado Opressionismo, celebrado por cá com pompa e circunstância, o MC da Linha da Azambuja nascido Luís Semedo mostra as Cicatrizes naquele que é o seu primeiro álbum de sempre, coroando um trajecto de mais de uma década em que colecionou vários singles a solo e participações em canções/projetos de Regula, Holly Hood, Kaps, Skunk, Il-Brutto ou Here’s Johnny. Não há quaisquer contribuições vocais de outros artistas no alinhamento deste primeiro LP, um trabalho íntimo e sem filtros cujas bases musicais foram alcançadas com as ajudas de Ariel, Migz, Osémio Boémio, DJ Dadda ou Il-Brutto, sempre com a visão apurada que o produtor executivo da Superbad, Here’s Johnny, aplica a cada lançamento.


[Samara Cyn] Detour

Alguns singles e um álbum, The Drive Home (2024), foram suficientes para colocar o nome de Samara Cyn numa posição bastante privilegiada no que toca aos liricistas mais promissores a despontar em território norte-americano. Agora em registo de curta-duração, faz um Detour por sonoridades mais próximas da soul e do R&B, exibindo uma versatilidade ímpar e vincando ainda mais o cunho bem autoral da música que tem criado. Conceptualmente, o EP funciona como um manifesto de reconexão com a humanidade em plena era digital, utilizando sua própria experiência de afastamento das redes sociais como ponto de partida para explorar vulnerabilidades que tocam a todos nós, desde o cansaço emocional dos relacionamentos ambíguos até à afirmação radical de auto-estima.


[Filipe Sambado] 5678

Talvez seja nostalgia, mas na verdade pouco importa a razão. No ano em que se celebra o décimo aniversário de Vida Salgada, álbum de estreia que vai voltar a ser celebrado nos palcos — no Porto (27 de Março, RCA) e em  Lisboa (4 de Abril, Casa Capitão) —, Filipe Sambado escava ainda mais fundo na sua discografia para dar continuidade a um EP editado em 2012, 1234. 5678 retoma, por isso, as explorações em torno do indie rock à guitarra elétrica e desvia-se da esfera hyperpop que tinha marcado o último trabalho de originais, Três Anos de Escorpião em Touro (2023), com a proposta de sete novas malhas.


[Mike WiLL Made-It] R3SET

Depois de Ransom (2014) e Ransom 2 (2017), Mike WiLL Made-It aplica um R3SET à máquina para nos dar o seu primeiro novo álbum em quase dez anos. O passado mais recente do super-produtor (autor de êxitos planetários de gente como Kendrick Lamar ou Beyoncé) foi feito a trabalhar para artistas como Sexy Redd, Rae Sremmurd, Gucci Mane ou Chief Keef, alguns dos quais surgem agora a devolver-lhe o favor ao participar neste seu terceiro LP em nome próprio, arquitectado a partir de batidas pujantes capazes de conquistar os sistemas de som de qualquer club de hip hop. Young Thug, 21 Savage, J. Cole, 2 Chainz, Killer Mike e até CeeLoo Green são mais algumas das muitas vozes que podemos escutar por entre as 15 trilhas que compõem esta obra do artesão de Marietta, Georgia.


[Monsta] FYNTA

Quase como um jogador mutante, fruto de uma fusão entre Leonel Messi e Virgil van Dijk, Monsta mostra ter dotes tanto para a FYNTA como para erguer muralhas daquelas que travam até as jogadas mais prometedoras de qualquer adversário. A faixa-título, que encabeça a tracklist, dá o mote: não há falinhas mansas para aqueles que interferem com o seu percurso e as doses de egotrip são bastante elevadas, com vista a elevar o estatuto de um MC que conta com um historial que fala por si só, feito de ligações ao lendário coletivo da Linha de Sintra, Força Suprema.

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