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Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 09/04/2021

A distância entre o sonho e a realidade.

Sexta-feira farta: novos trabalhos de BROCKHAMPTON, yaya bey, Deezy, Tommy Cash ou Miguel

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 09/04/2021

Novas luzes, novas máquinas e novas estradas para percorrer esta semana com um colectivo que continua a tentar contornar as expectactivas que existem à sua volta, um estónio sem medo de se espraiar por territórios pantanosos ou uma banda sonora dos anos 70 que encontrou o seu caminho até 2021. Por mais estranho que pareça, isto não é resumo de um novo episódio de Twin Peaks, prometemos…



[BROCKHAMPTON] ROADRUNNER: NEW LIGHT, NEW MACHINE

Nova máquina, mas o chassis é uma caixa plástica de CD – ligeiramente paradoxal. ROADRUNNER, o dinâmico regresso dos BROCKHAMPTON aos álbuns, é algo de uma inversão de marcha, já que o disco anterior, Ginger, tinha o tom de adeus e introspeção. Mais um passo para o miscigenado colectivo formado no fórum KanyeToThe, que continua a regar canções pop com gasolina, embora sejam hoje incendiários mais maduros e ponderados. Foi o que um contrato com a RCA lhes trouxe, editora pela qual lançam agora o terceiro disco (e, de acordo com o líder Kevin Abstract, o penúltimo da carreira da última boyband dos nossos tempos).



[yaya bey] The Things I Can’t Take With Me

yayabey é muitas coisas – música, poeta e artista de colagens. Como tal, não pode transportar tudo (“Bag lady/ You gon’ hurt yo’ back”, diz-se no evangelho de Badu, sobre quem carrega demasiado sobre si…) e precisa de ir fazendo um depósito das melhores ideias. Depois do bem recebido álbum Madison Tapes, que Pete Tosiello da Pitchfork descreveu como a libertação de “mau sexo, más vibes e a ansiedade pulsante de empregos sem futuro” — também este novo EP é uma colagem deambulante, solta de neo soul cristalina.



[Deezy] + do Mesmo – Parte 1

“Acho que não ‘tão prontos p’ra essa conversa”, avisa Deezy, antes de iniciar um disco que não é mais do mesmo – a não ser que “o mesmo” sejam rimas francas sobre tempos difíceis, como passo necessário para uma renascença. É o que acontece numa das melhores faixas, “Crime Scene”, um retrato pungente de um Portugal cujo orgulho e vergonha, em simultâneo, que não permite dissecar o seu racismo estrutural. Um dos nossos nomes de proa no rap – em colaboração com Sacik Brow, Edgar Domingos, Ivandro, Nayr Faquira e Phoenix Rdc – brinda-nos com a primeira parte do seu novo disco.



[Tommy Cash] MONEYSUTRA

Directamente da Estónia, Tommy Cash, que certa vez nos disse numa entrevista que queria se tornar “numa espécie de David Bowie do rap”, está de volta com MONEYSUTRA, EP em que se rodeia de nomes como $uicideBoy$, Diplo, BONES, Riff Raff e Eldzhey.



[Miguel] Art Dealer Chic 4

A voz de Miguel é o que há de mais valioso na sua “colecção” — e não teme expô-la sempre que sente que é necessário. No quarto volume de Art Dealer Chic 4, o músico vai com tudo em quatro temas que são explosão e contenção ao mesmo tempo — parece difícil enxergar esse conceito, mas talvez percebam melhor depois de ouvir o EP…



[Whatitdo Archive Group] The Black Stone Affair

O library funk dos anos 70 é a razão de ser da banda Whatitdo Archive Group, o que explica este seu novo lançamento… “novo” com um asterisco. The Black Stone Affair era para ser o grande lançamento do cineasta italiano Stefano Paradisi, uma ambiciosa “aventura mundial/western noir” que pretendia ombrear com Sergio Leone e Antonioni. Porque é que não o conhecemos? Porque um incêndio devorou a película original – mas a banda sonora, gravada em 1973 por este curioso grupo, resistiu. O trabalho é agora recuperado pela Record Kicks, para viagens fílmicas que podemos apenas imaginar.

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