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Fotografia: Direitos Reservados

Do rap mais grimy à música de intervenção britânica.

Sexta-feira farta: novos trabalhos de Armani Caesar, SAULT, Namir Blade, Butcher Brown ou Takuya Kuroda

Fotografia: Direitos Reservados

Um dia preenchido na música negra? Festa rija na sede do Rimas e Batidas. Na barricada do hip hop, a primeira dama da Griselda Records e o veterano MC Eiht dão provas de tamanho díspar – Armani Caesar com menos de meia hora, o segundo com mais de 60 minutos – para grandes talentos. Sob a arcada do funk, os Butcher Brown levam a cabo a sua própria coroação; o japonês Takuya Kuroda traz o seu trompete e viaja sem fim por mil sons. Namir Blade mescla tudo isto num circo navegante de sons e os SAULT, três meses após um álbum definitivo de 2020, voltam ao activo.

As provisões não acabam aqui. Há ainda um novo álbum da lenda do jazz nacional Maria João (Open Your Mouth), acerca do qual conversou com o ReB; uma compilação da ecléctica editora On the Corner (Door to the Cosmos); o segundo LP do músico de r&b eletrónico Kingdom (Neurofire); a estreia em nome próprio da rapper e produtora Lex Amor (Government Tropicana) e o novo disco do lisboeta Primeira Dama (Superstar Desilusão).



[Armani Caesar] THE LIZ

Griselda Records já tem primeira dama. Armani Caesar é a primeira mulher a lançar pelo colectivo, mas isso não significa que seja noviça: a sua primeira mixtape data de 2011 e já havia lançado um álbum em 2018. Com produção de DJ Premier, 808 Mafia ou Camoflauge Monk, THE LIZ é dedicado a DJ Shay, mentor da Griselda Records, falecido no passado dia 20 de Agosto. “Estou a lançar [este projecto] para a cultura. Para todos aqueles que cresceram a adorar hip hop pela arte e não apenas pelas batidas” (e para quem não se importe de ouvir uns versos de Conway the Machine, Westside Gunn ou Benny The Butcher pelo meio).



[SAULT] Untitled (Rise)

A luta continua – na pista de dança. Embora a identidade dos SAULT seja desconhecida, qualquer melómano da quarentena sabe quem são: porta-estandartes do anti-racismo urgente e de um som bélico, rico e despido, onde se pisa o risco e se esbate a respeitabilidade. Untitled (Black Is), álbum que estamos a absorver apenas desde Junho, é o tipo de declaração monolítica que costuma aportar com raridade e anos de silêncio. Pois segue-lhe Untitled (Rise), a que Alexis Petridis do The Guardian atribui cinco estrelas: poderia ser “o álbum do ano, se o seu antecessor não fosse igualmente bom.”



[Namir Blade] Aphelion’s Traveling Circus

De Nashville para o mundo, Namir Blade afirma conceber “aquilo a que soa o futuro”. A seguir a Scatterbrain de 2019, Aphelion’s Traveling Circus é o segundo longa-duração do poeta, multi-instrumentista, cineasta experimental e produtor. Pode dizer-se que a última é a competência em maior evidência no disco, mas cada faceta sua abre uma porta na sua visão artística – um novo acto no seu espectáculo futurista e ponderado, denso e expansivo.



[Butcher Brown] #KingButch

Já foi em 2013 que Mariah Carey colocou um cardinal no título de um single (“#Beautiful”, com Miguel) e fez cair o Carmo e a Trindade. Sete anos depois, ninguém pestaneja se vir uma hashtag sobre um álbum, como é o caso do quinteto de funk Butcher Brown. #KingButch é a última oferenda do grupo de Richmond, Virgínia, que Britt Robson descreve no Bandcamp Daily como a maior prova da sua homenagem contemporânea aos “grooves do jazz e do funk dos anos 60 e 70″.



[Takuya Kuroda] FLY MOON DIE SOON

No seu novo disco, o trompetista japonês bem conhecido da Blue Note nada por águas do afrobeat e do neo-soul. FLY MOON DIE SOON sai pela First Word Records, editora que nos tem trazido projectos de Children of Zeus ou Eric Lau.



[MC Eiht] Lessons

A Costa Oeste tem em MC Eiht um embaixador potente, mesmo que não o conheçamos pelos seus discos em nome próprio: líder dos Compton’s Most Wanted, artista convidado no clássico “m.A.A.d city” de Kendrick Lamar, voz de uma personagem no eterno Grand Theft Auto: San Andreas e parte do elenco de Menace II Society (película de 1993 com Samuel L. Jackson). Lessons, o seu 12º disco a solo (a que se somam três em colaboração), é uma boa oportunidade para o descobrir na sua zona de conforto.

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