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Sem Cerimónias: as histórias do álbum contadas pelos convidados

[TEXTO] Ricardo Farinha [FOTOS] Adriana Oliveira (fotos cedidas pela Valentim de Carvalho)

“It’s Portugal, 1997 / The time for the confusion to be severed / The gap of generations / Meet the gap of creations”, anuncia Darin Pappas com as primeiras palavras que ouvimos em Sem Cerimónias, mítico álbum dos Mind da Gap e do hip hop português que celebra esta semana 20 anos e que, por isso mesmo, é motivo de destaque aqui no Rimas e Batidas.

Foi há 20 anos que o hip hop do norte do país se emancipou à séria, há 20 anos que um grupo de rap português — quando o meio era minúsculo e fechado, a condizer com muitas mentalidades da época —, se juntou a um engenheiro de som de Nova Iorque para produzir um disco num estúdio histórico de uma editora major. Se os próprios intervenientes — Ace, Presto e Serial — têm uma visão íntima e privilegiada desta história, este é o momento de termos uma perspectiva mais distanciada, mas igualmente presente, daqueles que não integram os Mind da Gap mas deram o seu cunho a Sem Cerimónias. Os seus nomes e vozes estarão para sempre inscritos neste capítulo vital do hip hop português. Contar a história de como este álbum foi composto e gravado é também compreender melhor aquilo que ficou para sempre (e porque é que é dessa maneira).

“Já os tinha visto a tocar uma vez cerca de um ano antes num espaço perto da Praça da Alegria, em Lisboa. Fiquei completamente intrigado, a energia em palco era intensa! Se me lembro bem, eles também interpretaram algumas músicas em inglês, incluindo um cover de N.W.A.. Acho que foi uma das primeiras vezes que comecei a perceber a influência global lá de casa, de Los Angeles e Nova Iorque, coisas que eram bastante normais lá.” Tal como no disco, é Darin Pappas — o homem do projecto Ithaka, músico e fotógrafo americano que se mudara para Portugal nos anos 90 — que nos abre a porta com as primeiras palavras proferidas ao Rimas e Batidas.

“Ambos estávamos na editora ao mesmo tempo, a NorteSul [selo da Valentim de Carvalho]. Por isso provavelmente fomos apresentados pelos A&R da empresa, ou o Pedro Tenreiro ou o Rui Miguel Abreu. Tínhamos todos uma boa vibe juntos, a colaboração aconteceu naturalmente.” Darin Pappas participa na intro de Sem Cerimónias, com um poema em spoken-word. “Adorei o nome do projecto desde que o ouvi, muito original. Nunca perguntei aos Mind da Gap o que queriam dizer com aquilo, mas escrevi a intro com a minha interpretação do que as palavras Mind da Gap podiam significar no contexto deles e do hip hop.”

Sem Cerimónias foi gravado nos estúdios de Paço de Arcos da Valentim de Carvalho num período de cerca de duas a três semanas que incluíram o final de Junho de 1997. Antes disso, no Porto, Ace, Presto e Serial já tinham gravado maquetes com as estruturas das músicas que entregaram ao estúdio onde trabalhavam engenheiros de som como Luís Caldeira e Raul Ribeiro. Para misturar o disco, e como Pedro Tenreiro contou em entrevista ao Rimas e Batidas, foram buscar o americano Troy Hightower, que colaborara com nomes de peso como House of Pain, Onyx, Funkdoobiest, Cypress Hill, LL Cool J, MC Lyte, Artifacts, Fat Joe, Fu-Schnickens, Common, Busta Rhymes, Lord Finesse, Grand Puba, Method Man e Redman ou The Beatnuts, entre outros.

“As bases estavam todas já gravadas e passámo-las para fita analógica de duas polegadas”, explica Raul Ribeiro, que na altura tinha 28 anos. “O Troy foi faca quente em manteiga, um casamento no céu. Muito, muito tenso, mas com ótimos resultados.”

“Lembro-me perfeitamente de ele ter tido um ataque de fúria e ter obrigado o Luís Caldeira a gravar tons nas fitas todas à posteriori”, contou Pedro Tenreiro a Rui Miguel Abreu. “[risos] Sim, o Troy ficou fulo”, comenta Raul Ribeiro. “Uma vez parámos uma mistura para irmos ver aquele combate de boxe, do Mike Tyson [contra Evander Holyfield], ainda não sabíamos que ele ia arrancar uma orelha. O Troy ficou tão passado que tive de ir eu essa noite para o estúdio fazer uma mistura.”

 


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Não é estranho que o ambiente num estúdio possa ser tenso, com diferenças criativas, de backgrounds, experiências, e, no caso de Hightower, até linguísticas. Apesar de ter gravado com artistas tão diferentes, como é o caso de Amália Rodrigues, Raul Ribeiro não era estranho ao hip hop. Tinha vivido em Amesterdão, na Holanda, onde estava habituado a trabalhar com rappers e produtores de rap. E por isso mesmo é que também tinha sido convidado para trabalhar na NorteSul. Apesar da natural inexperiência, Ribeiro elogia o trabalho do trio portuense no estúdio.

“São umas jóias de pessoas, eram muito novos e tinham pouca experiência de estúdio enquanto instrumento produtivo. Mas eram muito bons: o Serial é um cara genial. São três pessoas com personalidades muito fortes e as sessões corriam bem, apesar de serem bastante tensas. Mas eles respeitavam-se muito, sabiam o que queriam, sabiam que estavam a apostar num álbum que poderia ser muito bom em termos artísticos.”

Aquele era terreno novo que estava a ser pisado em Portugal, e o estúdio da Valentim de Carvalho também não era o habitat natural de Ace, Presto e Serial – e muito menos dos seus convidados – habituados a estúdios amadores caseiros, com material limitado e de fraca qualidade.

“Foi a minha primeira vez num estúdio profissional, na gravação de um álbum de hip hop em bobines caríssimas. Era tudo fascinante, eu era um miúdo e aquilo tinha uma mesa que custaria uns 40 mil contos (200 mil euros) e micros topo de gama. Fiquei totalmente deslumbrado. Era como ter os brinquedos com que sempre tinha sonhado”, conta Mundo Segundo, amigo de infância de Ace, que participa com Fuse, colega dos Dealema, nas faixas “O Que Seria de Mim” e “Coalizão – Cavaleiros do Apocalipse”.

“Era dividir o espaço com amigos e artistas que admiro. Às vezes abríamos o mic e gravávamos vozes extra. Uma noite ficámos a fazer freestyle durante não sei quantas horas, não sei se alguém tem essa noite gravada”, conta Mundo, de forma apaixonada, sobre a altura em que ainda não tinha barbas de ancião. Esteve durante quatro ou cinco dias no estúdio com os Mind da Gap, mais do que todos os outros convidados. “Em tom de gozo, o Ace ainda diz, quando falamos disso, que fui para lá e acampei [risos]. Foi tudo mesmo no momento. Lembro-me de alguns de nós a escrever em cima de um piano de cauda que havia no estúdio [risos]. Dizer ‘já tenho seis linhas’ e mostrar ao resto do pessoal. Foi uma vibe especial e a primeira vez de um grupo do norte a gravar naquelas condições, a escrever e a viver aquele momento. Hoje em dia já não se faz muito isso, já levas tudo pronto porque tens o tempo contado e dinheiro para poupar.”

Apesar de ser noutra conversa, Fuse concorda em absoluto com o parceiro de rimas e beats. “Foi a primeira grande experiência em estúdio, fazer parte de um disco grandioso, trabalhar com uma banda de quem era fã. Já havia um respeito mútuo, tínhamos gravado sessões de rap com o Ace em minha casa. Este convite surgiu de forma sincera e quase inevitável porque havia poucas bandas do país que partilhassem a mesma sintonia.” Conta que, apesar de estar habituado a escrever temas na hora por cima de um instrumental, sentia que “aqui a responsabilidade era maior” e que se tratava de “um desafio enorme”.

Tal como o colega dos Dealema, ficou “deslumbrado”. “Adorei o trabalho in loco, construir os temas em equipa e viver o resultado no momento. Gravar em fita… lindo. Senti-me como um miúdo a entrar na Disneyland pela primeira vez. Entender a construção das músicas, o progresso de um disco, o trabalho do engenheiro de som… Senti que este era um nível acima do que tinha feito até então. Ao mesmo tempo sentíamo-nos em casa porque estávamos a trabalhar entre amigos, num ambiente muito descontraído. Esse disco foi um ponto de partida para muitas coisas, inclusive para os Dealema.”

Não nos podemos esquecer: afinal, estávamos em 1997. Notorious B.I.G. tinha morrido há poucos meses, Eminem só tinha um disco no currículo, os Wu-Tang Clan e os Mobb Deep tinham aparecido há quatro anos e Puff Daddy dominava os tops de rap da Billboard. Em Portugal, contavam-se pelas mãos os discos que tinham sido editados. Mundo Segundo e Fuse não eram os únicos que nunca tinham entrado num verdadeiro estúdio. Havia outra dupla de um colectivo que participava numa das faixas do disco: Pacman (que hoje assina como Carlão) e Virgul, dos Da Weasel. “Nortesul” era o título do tema e Virgul tinha acabado de entrar na banda de Almada.

“Lembro-me de que foi logo a seguir de ter sido convidado para entrar nos Da Weasel, mas ainda estava numa fase experimental, porque só fui convidado para fazer parte oficialmente depois do 3º Capítulo”, conta Virgul ao Rimas e Batidas. “Estávamos sempre em ensaios em Lisboa e íamos de barco para a Margem Sul, foi por aí que o Carlão recebeu uma chamada dos Mind da Gap a fazerem o convite. Ele perguntou-me se eu queria participar no disco, ‘dividimos?’ Eu estava super entusiasmado e nervoso, estive a treinar em casa [risos].”

Virgul explica que no estúdio de Paço de Arcos as coisas não começaram por ser fáceis e que a maioria das letras era escrita no momento. “Lá queria mostrar serviço e as coisas não estavam a correr bem. O Ace e o Presto tiveram paciência comigo, disseram-me para ter calma.” Havia um tema base para esta canção. Apesar de jovem e pequeno, o hip hop português vivia o tempo áureo das rivalidades entre o norte e o sul e, dentro da Grande Lisboa, entre a margem sul e norte.

“Sempre fui na boa com essas rivalidade de norte e sul e margem sul e margem norte. Sempre me dei bem com toda a gente. Mas foi importante os Mind da Gap terem tocado nesse assunto nessa altura, via-se muito isso: muitas vezes cópias de coisas dos Estados Unidos, como a cena da West Coast e East Coast. Foi uma boa chamada de atenção, construtiva, não era só apontar o dedo à sociedade. Nunca é demais relembrar, o hip hop era visto como uma coisa marginal, do gueto, dos bairros, mas temos é que estar todos juntos e a curtir. Deu-nos muita exposição porque ainda não éramos assim tão conhecidos.”

“Apesar de não haver uma ligação muito forte, havia tão pouca coisa na altura, e obviamente gostávamos do trabalho deles, que aceitámos logo de caras”, relembra Carlão, ex-Puto Pac, passados 20 anos e uma carreira nos Da Weasel, a solo, e em vários outros projectos. “Não tenho a certeza, mas penso que não escrevi tudo no estúdio. A ideia partia desse sobreposto de norte e sul e que não havia razões para haver rivalidades.”

Uma das histórias mais interessantes à volta deste álbum será a de Carla Moreira, cantora que na altura tinha 22 anos e eternizou o refrão do single “Dedicatória”. Conheceu os Mind da Gap através de Darin Pappas, com quem já vinha a ensaiar. Na altura, estava numa fase totalmente embrionária do seu percurso.

“Os Mind da Gap estavam à procura de uma voz feminina para um refrão. Inicialmente era para ser o Ace mas não tinha resultado bem.” Além disso, o trio tinha já tentado com uma ou duas outras cantoras, mas não tinham ficado satisfeitos. “O Darin sugeriu o meu nome e de outra cantora, não tenho a certeza se se chamava Luisete ou algo parecido. Eu actuava num coro de gospel, ele disse-me que tinha dado o meu nome mas nem liguei muito.”

Carla não fazia ideia de quem eram os Mind da Gap, mas a participação no álbum viria a definir a sua vida como artista. “Era um domingo de manhã e eu estava num concerto do coro de gospel. O Darin apareceu, viu a actuação e veio falar comigo no final: ‘Temos de ir a um estúdio gravar com os Mind da Gap, hoje é o último dia de gravações.’ Eu não queria ir, estava um lindo dia e não me queria enfiar no estúdio.” Acabou por aceitar, também convencida pelo dinheiro que ia receber, e esteve na última sessão de gravações de Sem Cerimónias, entre a meia-noite e as três da manhã, mais coisa, menos coisa.

“Nunca tinha ouvido a minha voz no microfone. Estava muito tímida, no início também não estava a correr bem. O engenheiro de som, acho que era o Raul (Ribeiro), disse: ‘Carla, tem mesmo de ficar hoje. O estúdio fecha de madrugada e o álbum também’.” Os nervos começaram a fazer-se sentir, a sala do estúdio estava cheia, mas acabou por ter um resultado feliz. “Trabalhar à pressão resulta bem [risos] e aconteceu no primeiro take. Foi especial, foi um momento que me marcou muito. Lembro-me tão bem porque era a primeira vez. No fim, os Mind da Gap disseram que ‘era mesmo isto’. Não tenho a certeza, mas acho que eles nem tinham a ideia de este ser o single.”

 



Carla Moreira acabou por alterar um pouco o refrão. O verso “Quero ficar contigo até ao fim” não fazia parte da versão inicial. “O segredo é a alma, o refrão não tinha notas agudas nem nada de especial. É só a interpretação que pode dar vida. Perguntaram-me se eu queria cantar com a luz apagada, eu disse que sim, mas depois percebemos que eu não sabia a letra de cor e lá tiveram de ligar um candeeiro [risos]. Vou cantar à minha maneira, pensei. A Sara Tavares dizia ‘voem comigo’ e ali eu tive de voar: quando cantas e te desligas do que está a acontecer. E aterras quando acaba o refrão. Estavam todos a aplaudir. Foi muito espiritual e mágico. Ainda sinto isso quando oiço.”

A vida de Carla Moreira seria também definida por esse momento. Na sequência do single, foi convidada para gravar um disco a solo, com letras escritas por um dos rappers dos Mind da Gap (não se recorda de qual) e instrumentais de Serial, mas o projecto nunca avançou. “Não me sentia preparada, nem hoje sinto [risos]. Nunca tive a coragem. Nunca saberei se teria corrido bem ou mal.” Esteve em digressão com o trio e gravou o videoclipe no Porto, antes de ele constantemente a ser transmitido no antigo canal Sol. Depois disso, surgiu uma série de propostas neste universo: participou em Mandachuva de Boss AC, na compilação TPC, mais tarde, no tema “Boa Vibe”, ou colaborou com bandas angolanas de hip hop, como os SSP. “Muita gente da nova geração já não se lembra, mas acabei por ficar ligada ao hip hop por causa desse momento, que podia nem ter acontecido.”

“Dedicatória” tornou-se um hit e Carla Moreira diz que, ainda hoje, depois de ter colaborado com Sara Tavares, Paulo Gonzo, Santos & Pecadores, e, actualmente, os Anjos, continua a ser muito reconhecida por isso. “[As pessoas do hip hop] tratam-me como se estivessem a ver alguém que respeitam imenso, [esta experiência] deu-me tanto de volta, ao nível emocional e de carinho — não de dinheiro. O Bomberjack dizia que eu era a diva [risos]. Não fico vaidosa, porque não é assim que vivo, mas lisonjeada e chocada porque nem parece que é real.” A última vez que cantou ao vivo com o trio foi algures entre 2007 e 2009, numa festa numa praia do Grande Porto, onde apareceu de surpresa (até para o grupo) para interpretar “Dedicatória”.

Todos os convidados do disco acabam por atribuir uma grande importância a Sem Cerimónias e ao legado que deixou. “O Sem Cerimónias está para o rap português talvez como um Illmatic, Enter the Wu-Tang (36 Chambers), Reasonable Doubt e Ready to Die todos juntos. Acho que é essa a importância: um disco fulcral no crescimento do hip hop tuga”, diz Mundo, de forma assertiva.

“Foi interessante assistir a tudo em primeira mão”, explica Darin Pappas. “De como alguns artistas em Portugal eram largamente influenciados pelos EUA, e outros nem tanto, e apenas a seguir a sua própria direcção lírica, além da produção. Obviamente, os Mind da Gap inspiravam-se muito nos melhores artistas de Nova Iorque, mas no fundo eles davam o seu próprio cunho único a tudo. Fazendo-o ‘deles’. Acho que em termos sonoros [o álbum] é brilhante. De qualidade internacional. Fiquei deslumbrado com o quão avançado eram os skills de produção do Serial. E a ginástica verbal do Ace e do Presto cola-se perfeitamente.”

“É um álbum importante. A primeira vez que ouvi os Mind da Gap ainda se chamavam Da Wreckaz, e esse foi um início muito promissor no programa do [José] Mariño, e o álbum [Sem Cerimónias] veio confirmar tudo e que o Serial tinha muita coisa para dar na produção dos beats e que o Ace e o Presto eram muito bons e diferentes daquilo que se estava a fazer no hip hop português”, defende Carlão.

Fuse também não tem dúvidas e fala da importância do disco não só dentro do hip hop, mas na música portuguesa. “O Sem Cerimónias é um ícone da música portuguesa, provavelmente nessa altura nem imaginariam que o hip hop estaria na moda duas décadas depois. É difícil fazer um disco intemporal e há vários factores que o catalogam como tal. A imagem da banda, a escrita, o sotaque, a produção e a qualidade e excelência do som do disco tornam o Sem Cerimónias num dos melhores álbuns de sempre no nosso país.”

“Não só esse disco mas todo o trajecto dos Mind da Gap é muito importante [para o hip hop português], ainda por cima com o sotaque do norte, porque [o hip hop em Portugal] era uma cena muito restrita, local e difícil. Há pouco tempo estive a ouvir vários álbuns dos anos 90, incluindo os de Da Weasel, que já não ouvia há imenso tempo, e o Sem Cerimónias foi um deles e é um dos melhores. É um grande disco, muito bem produzido”, revela Virgul.

Raul Ribeiro diz que “a NorteSul tinha pouco orçamento para o hip hop”. “Os Cool Hipnoise tinham muito mais tempo de estúdio e orçamento.” Mas elogia o trabalho feito pela equipa da NorteSul, essencial para a concretização deste disco. “Era um grupo de pessoas que acreditava na música portuguesa da vanguarda. Mais do que executivos, os A&R estavam sempre à procura de talento. Em estúdio, o hip hop era a carruagem da frente da mudança do analógico para o digital, no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Era muito interessante trabalhar e estudar o hip hop na altura.”

20 anos passados, Sem Cerimónias continua a dar que falar, que escrever, a encantar e a inspirar tantos artistas. As entrelinhas de cada faixa e sessão de estúdio escondem muito mais conteúdo do que aquele que conseguimos ouvir à primeira. Basta-nos escutar com mais atenção cada rima e batida e sentir a genuinidade deslumbrada jovem e pura, portuguesa e portuense, amadurecida e aperfeiçoada pelo rigor técnico importado directamente do berço, da Nova Iorque que era então o farol máximo da cultura que os Mind Da Gap aí agarraram com todas as suas forças.

 


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