Se o Kaytranada entrar no próximo álbum da NAO, agradeçam-nos

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Nikko Lamere

“Vou mandar-lhe uma mensagem depois desta entrevista porque acabaste de me lembrar disso”, afirmou NAO entre risos. Kaytranada era o destinatário e, se tudo correr bem, teremos uma colaboração para o próximo disco. A simpatia de NAO contagia e leva-nos a acreditar que podemos ter real influência no segundo álbum de uma das mais refrescantes artistas por terras de Sua Majestade. Ilusão? Muito provavelmente, mas, para já, ficamos assim.

Depois de criar um sub-género musical com For All We Know — chamou-lhe “wonky funk” –,  Neo Jessica Joshua resguardou-se para criar o novo disco. No intervalo, lançou “Nostalgia“, fez uma cover de “Location“, de Khalid, e editou um trabalho de remisturas com ilustres como Mura Masa, Stormzy, Sam Gellaitry ou o produtor canadiano anteriormente referenciado.

A propósito da sua passagem pelo Lisboa Dance Festival — a cantora actua a 9 de Março no palco principal do evento –, o Rimas e Batidas esteve à conversa com a artista britânica — não durou muito, mas foi proveitosa — e falou sobre assuntos tão díspares como o projecto de remisturas que lançou em 2017, a paixão assolapada por SZA e FKA twigs ou um evento astrológico que definiu os seus últimos anos.

 



“Nostalgia” foi a única canção que lançaste em 2017. A música serve como ligação entre o teu álbum de estreia e o teu próximo trabalho? 

Sim, estás certo: a “Nostalgia” foi a única canção que lancei em 2017. Não existe uma ligação entre o material velho e o que vem aí. Na verdade, eu não o lancei como um single, mas sim como uma prenda. Bastantes pessoas perguntavam-me, “NAO, onde é que está a música nova? Tu desapareceste”, e eu fiquei comovida. Tomem lá esta música enquanto trabalho no meu novo disco. “Nostalgia” é isso. É uma prenda.

Lançaste um trabalho de remisturas com um elenco de luxo. Foste tu que escolheste todos os artistas?

Sim, fui eu que escolhi. A música electrónica é uma grande inspiração para mim, especialmente a música de dança. É algo que eu não costumo explorar totalmente na minha própria música, por isso ter a oportunidade de remisturar o álbum com alguns dos maiores produtores de electrónica foi uma grande oportunidade. Todos os que entraram são meus amigos… Kaytranada, Mura Masa, SBTRKT, LOXE, Stormzy… Foi do tipo, “podes fazer isto por mim?”, e tive bastante sorte que eles disseram todos que sim. [risos]

Vamos ter alguns destes produtores no teu próximo disco?

Eu sinto que o Mura Masa e o LOXE são pessoas com quem vou sempre gostar de trabalhar, e tenho a certeza que vão aparecer no próximo trabalho. Estou disposta a trabalhar com o Kaytranada e, na verdade, é algo que anda para acontecer há algum tempo, por isso acho que existe a possibilidade de se concretizar. Vou mandar-lhe uma mensagem depois disto porque acabaste de me lembrar disso [risos]. Fuck yeah!

Em Agosto do ano passado, escreveste num tweet que a SZA e a FKA twigs eram os teus “spirit animals“. A minha questão é simples: porquê?

[risos] Eu acho que disse que elas eram os meus “spirit animals” porque elas fizeram um percurso fora do comum. Elas não seguiram a rota normal para o sucesso. Elas são um bocado alternativas e eu acho que isso para mim foi bastante encorajador. A indústria gosta de coisas familiares e populares e que os consumidores possam consumir. E eu senti que não pertencia a esse grupo, por isso ver outras mulheres a seguirem rotas alternativas, a pensarem fora-da-caixa e a criarem diferentes caminhos… Deu-me bastante esperança, e eu procuro inspiração nelas.

 



Da última vez que falámos, eu elogiei a tua cover dum tema do Frank Ocean. Vou soar repetitivo, mas, recentemente, arrasaste com a “Location” do Khalid. O que é que uma canção precisa de ter para ser cantada por ti? 

É o feeling, acho. Estou a pensar que sou uma cantora bastante emocional [risos]. Eu acho que quando comecei a cantar a letra da “Location” do Khalid por cima da minha canção, “Adore You”, senti como se aquilo viesse do meu coração. Não sei. Apenas gostei do feeling que tive ao cantá-la e espero que os outros também gostem.

Colocaste uma música na banda sonora da série Insecure. És fã?

[risos] Eu adoro tanto a série. Eu tive uns tempos complicados durante o último ano e a narrativa de Insecure estava bastante próxima da minha, por isso foi bastante terapêutico para mim. Eu fiquei tão feliz por terem escolhido uma das minhas canções. Foi engraçado [risos].

O que é que já podes revelar sobre o novo álbum? Confundiste algumas pessoas com um tweet que fizeste recentemente…

O novo álbum é sobre uma coisa chamada “Saturn Return”. Já ouviste falar do conceito?

Não não. 

Basicamente, é um conceito que te diz que quando começas a chegar perto dos 30 anos acontecem grandes mudanças no teu interior. Podes passar por uma grande separação, alguém próximo de ti pode morrer. Algo importante acontece. Por volta dos 29 anos, uma grande lição de vida vai acontecer. Algo desse estilo aconteceu comigo nos últimos dois anos. Pus essa fotografia com a descrição “G.R.O.W.N” porque estava a tentar a sair desse período em que me apercebi, “estou crescida. Sou completamente adulta”.

Regressas a Portugal depois de uma actuação incrível no Vodafone Mexefest, em 2016. O que é que podemos esperar da tua performance? Existem grandes alterações?

Estamos numa altura engraçada porque eu estou prestes a mudar tudo e a começar o meu novo álbum, mas vocês ainda vão apanhar as canções do primeiro longa-duração. A actuação ao vivo será muito semelhante, mas é possível que eu regresse com algumas músicas exclusivas do próximo trabalho. Eu acho que vocês vão ser os primeiros a ouvi-las.