Russa sobre L.S.D.: “O objectivo era treinar o storytelling

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Noizze

Russa acaba de lançar “Yoyoyo”, o primeiro avanço de L.S.D.. Uma vez por semana, a rapper vai revelar uma nova faixa da mixtape em que só rima em instrumentais de Madkutz.

Russa recuperou a fórmula utilizada na sua mixtape de apresentação: T.P.C. foi antecedido por um trabalho de busca nos arquivos da TV Chelas e recuperou vários dos instrumentais disponibilizados por Sam The Kid. L.S.D. é um passeio por beats seleccionados a dedo a partir da Madkutz TV, nos quais a MC treinou a vertente de storytelling.

A segunda mixtape de Russa chega-nos menos de um ano depois de Catarse, o seu álbum de estreia pela Kimahera que contou com as colaborações de Holly, Sickonce e M.A.F. na produção. “Chamas no Vinil” e “O Teu Abraço” foram os temas novos que se seguiram, o primeiro em parceria com o colectivo Embaixada e que serve de abertura para um projecto que Russa continua a limar: “Crews na Cruz Vol.I ainda está a ser terminado”. Em Outubro, a rapper integrou a curadoria Ciência Rítmica Avançada no Super Bock em Stock.

 



Lançaste o teu álbum de estreia no ano passado e pisaste os palcos pela primeira vez para o apresentar. Como tem estado a correr esta aventura?

Tem sido uma descoberta. Principalmente em termos de concertos. Cada vez gosto mais de o fazer. Tornou-se um vício.

Continuaste a lançar novos temas, como o “Chamas no Vinil” ou, mais recentemente, “O Teu Abraço”. O primeiro, em colaboração com Embaixada, foi apontado como avanço para um projecto — Crews na Cruz Vol.I. É algo sobre o qual te ainda te estás a debruçar? Em que ponto está esse trabalho e o que nos podes adiantar mais sobre ele?

Crews na Cruz Vol.I ainda está a ser terminado. Começou a ser preparado logo depois do lançamento de Catarse. No entanto o trabalho com crews é mesmo muito difícil. Nem todos têm a mesma ambição ou disponibilidade. É o projecto mais ambicioso que tenho em mãos, por estar muito dependente do profissionalismo das crews. Em breve estará cá fora e será a prova de que não era impossível. Quanto ao “O Teu Abraço”, é apenas um single isolado e poderá vir a integrar um outro projecto.

Ainda não passou um ano desde a Catarse e já estás prestes a acenar-nos com um novo trabalho, que te coloca de volta às mixtapes. Sentias necessidade de regressar a este formato, que te oferece, talvez, uma outra liberdade na escrita?

Não foi planeado. Como Crews na Cruz Vol.I estava a demorar bastante, comecei a escrever meio por brincadeira por ter aquela sede de escrita. Escrevi uma ou duas faixas e, como estava a sair bem, pensei criar um projecto. Em cerca de um mês escrevi e gravei tudo. Deve ter sido em Outubro.

A fórmula não é nova. Depois de teres resgatado batidas ao Sam The Kid para a mixtape T.P.C., foste agora aos arquivos do Madkutz para a L.S.D.. Foi “amor à primeira vista” ou houve alguma ponderação na escolha dos instrumentais? Foi um processo mais instintivo ou pensado ao pormenor?

Foi bastante instintivo. Tudo foi feito de forma descontraída. Quanto aos beats, como o Madkutz disponibiliza tanto material online, um dia comecei a pôr essas playlists como banda sonora enquanto trabalhava. Gostei de alguns beats e foi assim que tudo aconteceu. Tal como na mixtape T.P.C. os beats são todos da mesma plataforma em jeito de agradecimento aos produtores em questão.

O formato de lançamento já não é assim tão tradicional: propões-te partilhar uma faixa por semana, num total de seis músicas. Porquê a escolha deste método? Podemos assumir que são faixas que requerem uma digestão mais prolongada?

Quando comecei a escrever as primeiras faixas, o objectivo era treinar o storytelling, visto que não é o meu foco normalmente. Escrevi assim três histórias diferentes: as duas primeiras faixas representam histórias isoladas enquanto que as faixas 3, 4, 5 e 6, em conjunto, formam a terceira história. Queria dar tempo aos ouvintes para digerirem cada uma das histórias. Todas são inspiradas em acontecimentos que decorreram enquanto gravava o meu primeiro álbum Catarse.

Fala-me sobre a “Yoyoyo”, que serve como pontapé de arranque para a L.S.D. e que vais dar a conhecer amanhã. Que história é esta que nos contas?

Como é uma história, não quero ser spoiler [risos].

Que outros planos reservas para 2019?

Lançar a mixtape e o EP Crews na Cruz Vol.I. Em termos de concertos, espero chegar a mais pontos do país. Dia 28 de Fevereiro vou estar em Bragança e espero marcar mais datas para o norte.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
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