#ReBPlaylist: Setembro 2015

[FOTO] Direitos Reservados

 

Há produtores misteriosos, colaborações que não enganam ninguém, rimas-chapa-quente e a batida que já faz parte do ADN sonoro de uma capital europeia. A #ReBPlaylist que revê os lançamentos do mês de Setembro é, seguramente, uma montanha-russa de emoções sonoras, tal a versatilidade de géneros nela presente. É carregar no play e deixar rolar, uma-a-uma.

 


 

[ANNIE] “Cara Mia”

“Cara Mia” apareceu apenas há um par de dias, pelo que se poderá revelar algo mais com escutas sucessivas, mas para já este langor veraneante não deixa de ser Annie by Numbers de um modo mais do que digno. O Richard X continua a revelar-se o seu melhor parceiro de produção – bar Royksöpp – e apesar de não chegar ao nível de A&R não deixa de ser melhor do que muito do que ouvi este ano. Expectativas para Endless Vacation serão sempre altas.

Bruno Silva

 


 

[NERVE] “Subtítulo”
(“Trabalho & Conhaque” ou “A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança”, Mano A Mano)

“Nada faz sentido. Nada vale a pena.” Um grito de revolta transformado num egotrip obscuro onde NERVE habita a meias com o seu génio. Se pensavam que já tinham escavado a fundo pelos túneis do hip hop, esta faixa vai certamente mostrar-vos que, no fim de contas, nunca foram para além da crosta. É certamente um tema que nos abre caminho para um núcleo, sem filtros na voz, onde a matéria se encontra num estado liquido e quente. Muito quente.

– Gonçalo Oliveira


 

[GENERAL LUDD] “Moneychangers”
(Are You Losing My Hearing? 12″, Mister Saturday Night)

Não sei, talvez o facto de o beat, em certa altura, me fazer lembrar “Set It Off“. Depois, eles são parte dos Golden Teacher. Assim fica tudo viciado. O resumo: é uma malha de ritmo em tempo house suspenso, isto é, tem o potencial para ser house e somos nós que vamos decretar isso quando quisermos. Evolui sempre e, dessa forma, é uma ferramenta adaptável às circunstâncias. Tambor.

– José António Moura


 

[WOKE FEAT. GEORGE CLINTON] “The Lavishments of Light Looking”
(Adult Swim Singles)

O Ishmael Butler tem a mania que é esperto, mas a mim não me engana. Como diz o adágio? À primeira, todos caem; à segunda, cai quem quer. Depois de ter acabado com os Digable Planets em meados da década de 90 e de ter hibernado ao longo de mais de uma década, o malandro lá se dignou a formar os Shabazz Palaces com o Tendai Maraire em 2009. Mas eu sei contar. Se o Butler me apanhou desprevenido da primeira vez, desta vez não me engana. Os Shabazz já lançaram dois álbuns e, por isso, é óbvio que nunca mais teremos outro longa duração da parte deles (ver o que aconteceu com os Digable Planets). Sou um gajo sensível e facilmente impressionável, eu sei. E é por isso que está fora de questão ouvir as colaborações e faixas soltas que têm lançado por aí. E reparem que adoro a Adult Swim. Mas essa de haver por aí um supergrupo formado pelos Shabazz, o Flying Lotus e o Thundercat só pode ser mesmo para rir. Tudo farinha do mesmo saco: continuo à espera da segunda mixtape do Captain Murphy e o Stephen Bruner anda por aí entretido a lançar EPs. Também entra o George Clinton? Por favor, deixem-me paz, não brinquem com o meu coração. Preciso de paz e sossego.

– João Pedro da Costa


 

[RICK ROSS] “Foreclosures”

(Black Dollar, Def Jam/Maybach Music Group)

É a faixa que abre a mais recente mixtape de Rick Ross, Black Dollar, um dos chefões do gangsta rap. “Foreclosures” é uma malha clássica do rapper, com um hook fortíssimo. Ross gosta de chamar a atenção para as suas origens humildes, mas não foi isso que o impediu de ser um rapper de sucesso e estar carregado de “verdinhas”: “Mafioso, baby girl, cash rules!”

– Bruno Martins


 

[ZAP FRANCIS] “Age Of”
(Zap Francis EP, Bleep)

A Bleep conta a história: ninguém sabe quem é Zap Francis, só que a sua música foi estreada durante um set de Black Milk no Boiler Room. Quando questionado sobre a proveniência desses temas, Black Milk terá simplesmente respondido “foi o Zap Francis que mas passou”. E agora foi editado um EP de seis temas cuja única ligação ao mundo real é o facto de terem passado pela mão do produtor de Detroit. E provavelmente Zap Francis será mesmo Black Milk a lidar com uma nova identidade por questões contratuais. Ou então não. “Age Of” é o tema que fecha o EP, hip hop instrumental de vocação cósmica, com um pulsar muito particular que lhe dá uma qualquer urgência contemporânea, como se esta “idade de” fosse a idade do agora…

– Rui Miguel Abreu


 

[DJ FIRMEZA] “Alma do Meu Pai”
(Alma do Meu Pai EP, Príncipe Discos)

Façam play e observem os níveis do som. São praticamente iguais. É barulho. Do princípio ao fim. Graves imersivos, acima de tudo. Ritmo físico, sem respiração. A batida de Lisboa num loop que se distende mais do que o habitual no tempo, sem que perca fôlego na renovação das camadas percussivas. DJ Firmeza emergiu dos Piquenos DJs di Ghetto para se lançar na primeira edição a título singular. Já era um dos grandes entre Príncipes. Elevou a fasquia.

– Ricardo Miguel Vieira

ReB Team

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