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Fotografia: Elodie Gerard

E vai ter, esta noite, no Festival de Músicas do Mundo, em Sines.

Portugal precisa de uma Blu Samu

Fotografia: Elodie Gerard
A globalização tem efeitos curiosos. Por cá, em solo nacional, começam a ser cada vez mais frequentes os casos assumidos de artistas que optam pela língua inglesa como ponto de partida para alcançar um sonho de dimensões arrojadas — o da internacionalização da sua música. Mais pontuais são aqueles que tentam fazer o caminho inverso — criar temas a pensar em Portugal e no seu modesto, mas sempre caloroso, circuito musical. Uma coisa é certa: ter apenas um país — e consequente mercado — em mente é já algo que parece não fazer sentido nos dias que correm. Salomé Magalhães pertence ao lote de MCs e cantores que se enquadram no segundo caso acima apresentado. O nome não deixa dúvidas quanto às raízes lusas, mas a artista que responde por Blu Samu tem nacionalidade belga — foi criada por uma avó até aos seis anos em Santa Maria de Lamas, uma aldeia pertencente ao município de Santa Maria da Feira, tendo depois vivido em Antuérpia e, mais tarde, Bruxelas, cidade onde reside actualmente. Hoje, podem apanhá-la em palco no FMM Sines, na sua segunda passagem por Portugal, uma actuação agendada para as 23 horas.
E o que estará na base do seu interesse por Portugal, tendo à data somado concertos na Holanda, França, Alemanha ou Suíça e feito parte de iniciativas da sempre prestigiada Red Bull, companhia que até a distinguiu, no ano passado, como a mais entusiasmante newcomer da música urbana belga nos Red Bull Elektropedia Awards? Para alguém que já teve tudo isto, só pode ser a mais pura e cristalina saudade que a faz querer uma digressão no nosso país, conforme revelou ao Observador aquando do seu primeiro concerto de sempre em solo português, em Março passado. Saudade essa que é reforçada por diversas vezes na sua música, quando alterna o diálogo do inglês para o português, mesmo que a maior parte do seu público não consiga entender o dialecto.

E Portugal precisa também de uma Blu Samu. Por cá, no Rimas e Batidas, temos vindo a acompanhar o seu trajecto bem desde o início, quando colaborou com Osémio Boémio em “Sweet Pandora”, que integrou o EP NO TIME 4 BAD DAYS, um dos seus primeiros temas de sempre a surgir nas malhas da Internet. Cada novidade sua no YouTube é passada a pente fino para a rubrica 7 Dias, 7 Vídeos, e tentámos, embora sem sucesso até agora, entrevistá-la à distância. Ela poderia preencher, finalmente, um espaço que ainda se encontra praticamente deserto: a existência de uma artista que consiga fundir com destreza rap com soul, que nos consiga encantar e tocar na alma com a sua voz, ao mesmo tempo que disfere rimas com a precisão cirurgia e a crueza da escola nova-iorquina. Dos primeiros temas e experiências até “I Run”, a primeira amostra de trabalho num tom mais “sério”, Salomé precisou apenas de dois anos para encontrar o seu rumo e definir o seu estilo como um híbrido composto por r&b e hip hop. No seu leque de influências destacam-se Erykah Badu e Lauryn Hill mas o espaço temporal no qual habita levam-na a percorrer paisagens sonoras mais vanguardistas, aproximando-de facilmente das vozes que têm causado sensação na cena urbana britânica, vincando o seu lado europeu num misto entre Jorja Smith e Little Simz. “Sade Blu” foi a segunda faixa explorada no formato audiovisual, lançada no ano passado, que viria pouco depois a servir de pontapé de saída para Moka, o EP de apresentação de Blu Samu. “Goose”, “Verbal Glock”, “Clumsy Queen” (um exclusivo do A COLORS SHOW) e “GRIPPA” são as propostas mais recentes da rapper e cantora, que pelo caminho foi assinando colaborações frequentes com os Le77 e também Harry Fraud, reputado beatmaker de Nova Iorque cujos instrumentais já casaram com as vozes de The Weeknd, Action Bronson, Curren$y, French Montana ou Playboi Carti. Hoje, podem apanhá-la em palco no FMM Sines, na sua segunda passagem por Portugal, uma actuação agendada para as 23 horas.

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