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Fotografia: Pedro Lopes

M.A.F.: “Interesso-me muito pela musicalidade das coisas”

Fotografia: Pedro Lopes

M.A.F. acaba de juntar mais um trabalho ao seu currículo. Without chega-nos por intermédio da Moriko Masumi e é o primeiro projecto a solo do produtor em 2018.

Noutros registos, Pedro Correia não tem tido mãos a medir. Serviu como pilar no arranque “a sério” de Russa, contribuindo para o disco de estreia com vários instrumentais e assumindo o papel de DJ nos live acts da MC. Em Junho mostrou ao mundo um projecto a meias com Dead End, um dos produtores que reside nas órbitas mais próximas da esfera musical de M.A.F.. Não esquecendo as várias faixas soltas que assinou para as mais diversas e distantes — mas próximas nesta aldeia global que é a Internet — net labels que vão causando impacto na caixinha de surpresas do SoundCloud.

Em conversa com o Rimas e Batidas, M.A.F. explicou como se deu a ligação com Moriko Masumi, de Ghost Wavvves, falou sobre o desafio auto-proposto que o levou a conceber Without e fez um balanço sobre o seu trajecto em 2018.



Tens seguido o trabalho que o Ghost Wavvves tem feito com a sua label?

Sim, até porque é um artista que eu admiro e que também faz parte de um colectivo que me é muito querido, a Monster Jinx. Desde os primeiros trabalhos dele até às colaborações e criações na Red Bull Music Academy e, mais recentemente, ao EP que ele lançou pela Moriko Masumi. Ele é um artista muito talentoso, com uma identidade única.

Como é que surge esta ligação à Moriko Masumi?

Desde o lançamento do EP do Dead End pela MM que fiquei de olho (e ouvidos) na label. Identifiquei-me com a estética e, claro está, com a curadoria do Ghost Wavvves. De forma que fiquei sempre com essa vontade, de contribuir com a minha música para a MM. Recentemente, num night out com malta da Monster Jinx, conheci pessoalmente o Ghost Wavvves e percebi que ele também gostava da minha onda e queria falar comigo há algum tempo para o mesmo efeito. Depois as coisas foram muito rápidas, mandei-lhe uma série de musicas e optámos por compilar estas numa edição.

Então esta edição funciona mais como uma compilação de tracks, é isso? Que tu foste enviando e foram escolhendo entre os dois.

Não nesse sentido. Eu enviei aquelas que, de alguma forma, fariam sentido para mim serem editadas como um conjunto e não de forma separada. O Ghost Wavvves sentiu o mesmo e achou que faziam mesmo sentido serem lançadas em forma de EP.

Houve algum cuidado em especial que tiveste em mente ao criar estas faixas? Algum método diferente que tenhas aplicado à tua produção?

Eu gosto sempre de me tentar superar um bocadinho em cada música que faço, seja em termos estéticos ou técnicos. Gosto também de experimentar instrumentos diferentes, sejam digitais ou analógicos, e diversas técnicas de sampling. Tento sempre ser fiel ao meu feeling. E honesto naquilo que faço. Relativamente a estas malhas, talvez tenha alternado um pouco o meu workflow, por ter começado a trabalhar com a Native Instruments e ter recorrido pontualmente a synths analógicos. Interesso-me muito pela musicalidade das coisas. No fundo, o cuidado que tenho, independentemente dos instrumentos e da linguagem, é tentar manter uma comunicação honesta.

Para terminar: que balanço fazes deste ano de 2018? Há algum momento em particular que destaques no teu trajecto? Além de toda a música que lançaste, estreaste-te no papel de professor, tocaste pela primeira vez no Lux…

Foi um ano muito bom. A nível musical, tive a oportunidade de fazer vários releases por várias labels e tocar em locais incríveis. Colaborei também com vários artistas nacionais e internacionais, o que me deu a oportunidade de crescer enquanto músico e pessoa. Apesar de não ter cumprido tudo aquilo a que me propus, foi um ano muito ocupado e incrível a nível musical. Mas acho que o verdadeiro ganho foi ter conhecido pessoas incríveis que me acompanham neste trajecto. Tive a oportunidade de conhecer muita gente que já admirava enquanto artistas, e que hoje em dia considero amigos próximos. E sobretudo testemunhar em primeira mão todo o talento e obras incríveis que se estão a fazer, não só musicalmente mas também novas produtoras emergentes e meios de comunicação. Penso que o futuro é brilhante, em 2019 vão surgir muitas coisas boas e nós vamos estar cá para as ver.


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