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Fotografia: Direitos Reservados

O Rimas e Batidas falou com TNT sobre as novidades da dupla de Almada.

M.A.C. antecipam novo disco com “Torcicolo”

Fotografia: Direitos Reservados
Os M.A.C. estão de volta. “Torcicolo” é o mais recente tema da dupla de Almada e antecipa um novo álbum e um concerto (marcado para o dia 3 de Agosto) na edição deste ano do Beat Fest. TNT e Kulpado formaram os M.A.C. — sigla para Missão A Cumprir — no decorrer da década de 90. Tido como um dos projectos mais importantes provenientes do hip hop criado na Margem Sul do Tejo, o duo pisou os primeiros palcos ainda na adolescência, integrando o circuito primordial e pouco estruturado dos concertos de rap produzidos à data no nosso país. Missão A Cumprir, o álbum de estreia, chegou apenas em 2006, após o convite de DJ Bomberjack para que os dois amigos se juntassem à independente Footmoovin, editora que lançou projectos de Xeg, Sir Scratch, NBC ou Black Mastah. A sucessão chegou em 2012: Muito A Contar inaugurou o catálogo da Mano A Mano e foi o último lançamento de maior dimensão por parte do grupo, que se afastaria das edições até Agosto do ano passado, quando um cypher com os ORTEUM emergiu no YouTube. Agora, ao lado de DJ Player, TNT e Kulpado têm nova cartada na manga.

Puxando a fita da cassete para trás, para aqueles que não tiveram oportunidade de descobrir M.A.C., na altura uma das crews com mais história no hip hop da Margem Sul, relembra-nos o teu percurso ao lado do Kulpado, dos freestyles em Almada até à estreia pela histórica Footmovin. Que pontos destacarias desta viagem? A Missão A Cumprir, na altura Mente Anti Censura, foi criada por um grupo de amigos no skatepark de Almada, numa época bem lá atrás em que não havia computadores nem Internet. As coisas foram evoluindo com o tempo e o que me fica na memória são cenas simples como a primeira maquete gravada, cinco manos a rimar para o mesmo mic em take directo, ou o primeiro concerto no Ponto de Encontro de Almada, em ’97, com 15 ou 16 anos. Lembro-me de ver o Kulpado a rimar com os NEXO no Johnny Guitar e em outros locais emblemáticos do inicio do rap em Portugal. Eu estive no concerto que o Valete descreve na “Melhor Rima de Sempre”. E recordo como a Mafia Sulliana dominava o cenário do rap na altura, unindo crews como Red Eyes, Chokolate Rock, Crazy Jungle, etc. Era bonito. Eu e o Kulpado somos resultado dessa era. A estreia pela Footmovin, em 2006, foi incrível porque fomos uma das primeiras bandas de hip hop da Margem Sul a lançar por uma label a sério, que embora independente, já tinha uma estrutura montada e permitiu-nos chegar ao país inteiro. E a partir daí foi estrada, numa altura em que não havia quase nada. Tudo isso foi muito importante. Depois o rap começou a mudar e nós decidimos recuar um pouco. Estiveram bastante tempo afastados das edições — se excluirmos o cypher com ORTEUM — embora fossem ainda chamados para tocar em alguns concertos. O que vos fez voltar a unir esforços em estúdio para preparar novo material? Como estava a dizer, foi essa sensação de mudança e inadaptação ao contexto. Nós lançámos o Muito A Contar em 2012 e sentimos esse distanciamento do público. Os segundos álbuns são ingratos. Se tens uma fasquia elevada por um primeiro disco que é considerado “clássico”, o segundo corre um grande risco de ser um flop para quem o ouve. Então decidimos recuar um pouco como banda. Nos últimos três anos começámos uma colaboração com o DJ Player, que agora está a dar frutos e fez-nos voltar a sentir aquela fome. O resultado vai surgir agora. O que podemos esperar de M.A.C. daqui para a frente? Vale a pena sonharmos com um álbum ou um EP, ou devemos encarar o “Torcicolo” apenas como uma lembrança de afecto para os fãs mais aguerridos do grupo? Um álbum. Está a ser feito e este é o primeiro avanço. Dedicado ao nosso people que nunca nos tem falhado! Noutras paragens, continuas a apresentar-te a solo na promoção do Forever Young. Uma das últimas vezes foi no Musicbox, com a AMAURA, concerto envolto num forte espírito de irmandade e comunhão, que o Rimas e Batidas comparou até às míticas festas de bairro do sul do Bronx nos anos 70. Do ponto-de-vista de quem pisou o palco, como foi levar o disco até a uma sala tão emblemática dentro da cultura clubbing e urbana da nossa capital? Na realidade, a noite no Musicbox foi para a AMAURA. Ela foi o foco do que fizemos lá e todos sentimos que foi o início de uma caminhada que se antevê muito bonita e cheia de sucessos. Serviu igualmente de aquecimento para o Super Bock Super Rock, e o resultado não podia ter sido melhor. Segue-se o Beat Fest, já em Agosto, com o regresso dos M.A.C. aos palcos. O que podemos esperar desse concerto? Preparas alguma surpresa? Levas convidados na tua comitiva? Este concerto vai ser o início de um novo ciclo. Esperemos que traga motivação e que seja divertido. Espera-nos um público que não nos conhece e não há melhor forma de chegar até eles do que a rimar num palco. M.A.C. nasceu nos palcos e é ai que nos distinguimos. Podemos adiantar que levamos o nosso mano TOM com disco novo na bagagem, se tudo correr bem até lá. Vai ser para duros, por isso não falhem!

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