TNT // Forever Young

[TEXTO] Moisés Regalado

Forever Young — assim se descreve TNT, que por cá anda há pelo menos década e meia, desde que os sons ao lado de Kulpado começaram a dar nas vistas. E o título do seu novo EP não podia ser mais certeiro: por um lado, os anos parecem mesmo não fazer das suas com o patrão da Mano A Mano; por outro, este “para sempre” acaba por nos lembrar que o tempo passa na mesma, e que a juventude eterna não funciona exactamente como sinónimo de cronómetro em pausa.

O eternamente jovem será alguém que, mais do que viver no passado da sua juventude, procura ser jovem no presente, e enganam-se os que pensam nisso como uma forma de adaptação sacada a ferros. Para quem é Forever Young, como TNT, “o meu tempo” é uma expressão com pouca força e, mais uma vez, não há nada de subversivo nisso, nem haverá nada de errado em fazer o que sempre se fez, com paixão e princípios semelhantes aos da génese, mesmo que o reconhecimento da contemporaneidade continue a ser objectivo primordial.



Faz sentido? Para TNT parece fazer. Mesmo que as letras deste Forever Young tenham as mesmas raízes vincadamente introspectivas, provocatórias ou pedagógicas (“o kid nem sabia quem era o Rakim”) que o extenso portefólio do rapper almadense, a produção de DJ Player e refrões como os de “Chuva” e “Cultura”, com a afinação nos píncaros, são um claro grito de “presente!”. A idade também tem destas coisas: TNT sabe perfeitamente que o apelo dos 808 ou dos mais de 100 BPM podem alinhar no mesmo conjunto que um scratch de DJ Kronic ou que um feat. do sempre clássico Jay Fella.

E TNT nem é o único “discípulo” dos Alphaville em cena. O que dizer de Pedro Quaresma, um verdadeiro — e realmente eterno — camaleão da cena portuguesa? No mínimo, que é tão importante para esta caminhada da Mano A Mano, na mistura e masterização de quase tudo o que dali sai, como já havia sido nos Da Weasel, de guitarra na mão ou na produção de novos temas. A grande bandeira de Forever Young será exactamente essa, a de uma longevidade como a de Quaresma, até porque já ninguém questiona a competência de TNT, nem será esse o seu grande foco, depois de tanta música editada e reconhecida.



Fazer, fazer bem feito e nunca perder a relevância. Afinal, é com isso no pensamento que os músicos profissionais, que abraçaram esta vida por opção, acordam dia após dia. Pelo menos no caso de TNT: só assim se explica que, década e meia depois (pelo menos…), mantenha a relevância na música que um dia despertou o interesse da Footmovin’, ao mesmo tempo em que gere a sua própria editora, não menos digna de nota que a histórica label de Bomberjack.

Em Forever Young, a música é boa, a ideia é forte e o statement aceita-se de bom grado, até porque TNT não é nem quer ser o mais fixe ou o mais pesado. Afinal, é só um gajo jovem que assim se vai manter por uns tempos.


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